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Uma mulher que não vira a cara à luta

Uma mulher que não vira a cara à luta

Galardão Empresa do Ano - Mulher Empresária

Ana Paula Soveral está na administração do grupo Joluso desde 2006, ano em que o seu pai, José Luís Soveral, fundador da Joluso em 1986, morreu vítima de um acidente de trabalho. Após essa fatalidade, ela e o irmão assumiram a gestão da empresa de Rio Maior, que produz todo o tipo de reboques. A intenção foi não deixar cair o projecto e defender os postos de trabalho. Até aí, a empresária explorava algumas lojas de lembranças, brindes e outros artigos.
Ocupou-se da área administrativa e financeira, enquanto o irmão tratava sobretudo da área comercial. As coisas foram correndo bem e, em 2009, a Joluso adquiriu a concorrente e vizinha Invepe, em cujas instalações tem hoje o centro de produção e os restantes serviços, na zona industrial de Rio Maior. O negócio tinha também alargado horizontes, com a aposta em Angola, onde Ana Paula se deslocava muitas vezes em trabalho.
Foi em trânsito numa das muitas viagens que fazia na altura que soube da morte do irmão, Sérgio Soveral, num acidente de aviação em Moçambique, em Novembro de 2013. Uma nova tragédia abatia-se sobre a família. De repente viu-se sozinha à frente dos negócios e mais uma vez o seu sentido prático prevaleceu, até porque é daquelas pessoas que não gosta de estar parada. Havia encomendas para entregar e postos de trabalho para defender, por isso mãos à obra. Essa era a melhor homenagem que podia prestar ao pai e ao irmão.
Hoje a Joluso/Invepe tem na sua fábrica de Rio Maior 120 postos de trabalho. Nessa unidade produzem-se reboques à medida do cliente com recurso a tecnologia de ponta. Por mês fabricam cerca de 40 unidades, para o mercado interno e também para exportação.
Ana Paula Soveral nunca foi uma estudante muito entusiasta e após concluir o 12º ano entrou no mundo do trabalho. Diz-se uma mulher pragmática, admite que possa ter fama de autoritária e está a tentar aprender a delegar trabalho, o que reconhece ser difícil para quem gosta de estar a par de tudo o que se passa na empresa. Acha que tem intuição para os negócios e antes de decidir tenta avaliar bem as situações com base na experiência.
O facto de ser mulher não lhe tem causado problemas na vida empresarial, embora admita que de início possam ter desconfiado das capacidades da filha do patrão para administrar a Joluso. Hoje, pensa que essas reticências estão ultrapassadas e que afirmou a sua liderança. Gosta do que faz e um dos seus objectivos é que as pessoas que trabalham com ela se sintam bem. Outro é honrar as memórias do pai e do irmão, pessoas visionárias nos negócios. Ela, confessa, prefere ter os pés mais assentes na terra.
Com 44 anos, divorciada e sem filhos, tem na sobrinha a menina dos seus olhos, a coisa mais importante da sua vida. Ana Paula vive muito para o trabalho, mas também gosta de desligar e de ter tempo para si, para os amigos e para descansar.

Uma mulher que não vira a cara à luta

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