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Dois autarcas que se sentem livres ao andar em carros descapotáveis com os cabelos ao vento

Dois autarcas que se sentem livres ao andar em carros descapotáveis com os cabelos ao vento

Fátima Galhardo, vice-presidente da Câmara de Coruche e Luís Farinha, vereador na câmara de Santarém.

Edição de 02.11.2016 | Sociedade

Fátima Galhardo e Luís Farinha são autarcas de partidos políticos diferentes mas partilham muitas ideias, nomeadamente em relação à necessidade de proteger os cidadãos mais desfavorecidos. Se não falaram mais de política foi porque assumiram o compromisso de o não fazer e cumpriram. Esta é uma conversa que nunca teriam se não tivesse sido proporcionada por O MIRANTE.

Luís Farinha considera-se um condutor normal que tem uma grande paixão por carros e foi em voz baixa, quase num murmúrio que confessou, meio envergonhado, que o seu actual carro é um Mercedes Classe A. “É um carro sem interesse”, disse, tendo acrescentado logo a seguir que não tem nada contra a marca e até gosta muito do modelo SLK.
O seu anterior carro, um BMW Z4 E85 roadster, é que lhe enchia as medidas e lhe dava prazer conduzir, principalmente sem capota para ter a sensação de liberdade de sentir o cabelo ao vento...e também as barbas se já usasse o seu “look” actual.
“Divirto-me a conduzir mas tem que ser um bom carro. Com o anterior o que dava prazer era conduzir sem capota. É uma sensação de liberdade muito grande”, diz bem disposto. A seu lado, Fátima Galhardo acena afirmativamente com a cabeça.
“Eu gosto de carros seguros mas que dêem um bocadinho de adrenalina”, refere, acrescentando que não tendo nenhum descapotável também gosta de viajar de cabelos ao vento. “O presidente da Câmara de Coruche tem um jipe descapotável e sempre que é possível e o tempo permite já temos ido a algumas reuniões, no âmbito das nossas funções, nele. É uma sensação que só quem já a teve pode explicar”, afirma.
Luís Farinha anda a tentar encontrar tempo para tirar um curso de condução no autódromo do Estoril para aumentar o prazer que tem na condução. Confessa que gosta de acelerar e que se apenas teve duas multas por excesso de velocidade foi porque as autoridades não podem estar a fiscalizar todos os dias e em todo o lado.
Os dois autarcas também gostam de andar de mota mas consideram as motas pouco seguras. E além disso, a obrigatoriedade do uso de capacete retiras-lhes atractividade. “Quando era mais novo tive motas e gosto muito do espírito de liberdade associado à mota. Mas as motas não são tão seguras como os carros. Eu vendi a minha última mota para comprar mobiliário quando saí da casa dos meus pais para a minha casa”, refere. “Troquei a mota pelos sofás, o que foi óptimo”.
Luís Farinha é arquitecto e é vereador na Câmara Municipal de Santarém, pelo PSD. Fátima Galhardo é formada em engenharia biofísica e desempenha funções de vice-presidente da Câmara Municipal de Coruche, eleita numa lista do PS. Os dois levam muito a sério as suas funções e embora gostem dos seus momentos de lazer dizem que a entrada do poema Liberdade de Fernando Pessoa “Ai que prazer/ Não cumprir um dever”, não os inspira.
O vereador conta que antes de ter sido eleito costumava tirar férias de si próprio de vez em quando. “Às vezes sou um chato e acredito que as pessoas achem que eu em algumas alturas sou mesmo um chato. Quando me sentia assim costumava tirar uma tarde, por exemplo, para me afastar do que me rodeava. Pagava no carro, levantava a capota e ia para a costa. É inspirador e relaxante.”.
Se por acaso, nos tempos mais recentes, algum munícipe sentiu que o vereador estava a ser chato a explicação pode estar no que ele disse a seguir. “Já tenho sentido essa vontade de me afastar durante algum tempo mas quando estou quase, quase, a sair...sou caçado à porta da câmara e percebo que tenho que adiar”, desabafa.
Fátima Galhardo não precisa de se isolar para lhe passar a neura como se costuma dizer. “Todos temos formas diferentes de lidar com o dia-a-dia. A mim dá-me prazer estar com pessoas e é nesse contacto com as pessoas que eu carrego as minhas baterias. Estar sozinha, completamente sozinha e isolada a mim não me ajuda. Também gosto de ir à beira do mar respirar aquela sensação de liberdade mas parte da tranquilidade que me ajuda a enfrentar o meu dia-a-dia encontro-a no contacto com as pessoas com quem me vou cruzando durante as várias actividades”, explica.
Fátima Galhardo e Luís Farinha assumem-se como defensores do Serviço Nacional de Saúde embora ambos tenham seguros de saúde. O primeiro já há muitos anos e a vice-presidente da Câmara de Coruche porque aderiu a uma iniciativa da Casa de Pessoal da Câmara que negociou com uma seguradora cartões de saúde para funcionários e elementos do executivo. Compreendem as dificuldades que o sistema atravessa mas dizem que é a ele que recorrem em primeiro lugar quando precisam e lembram os cidadãos que não têm capacidade financeira para ter outras opções em termos de assistência.

Apoiei a ideia da Câmara de Coruche ter um espaço na Rádio Voz do Sorraia para matar saudades

Fátima Galhardo fez rádio e sente saudades de fazer rádio. “Comunicar faz-me bem. Não é um esforço. Na Rádio Voz do Sorraia fiz de tudo menos relatos de futebol. Tinha um programa próprio e colaborava com o serviço de informação e pode ser que um dia volte a fazer”, diz.
Mesmo quando foi estudar para a Universidade de Évora continuou a fazer rádio em Coruche. E quando o curso se tornou mais exigente e não lhe permitia ir a casa com tanta frequência procurou uma alternativa. “Fui à Rádio Diana em Évora oferecer-me para fazer parte da equipa. Ainda colaborei durante dois meses num programa relacionado com a Universidade.”
A sua ligação com a rádio era intensa. Diz que foi lá que cresceu como pessoa e que foi lá que lhe aconteceram algumas situações que a marcaram. “Foi lá que conheci o pai do meu filho. Não fazíamos nenhum programa juntos mas eu tinha uma admiração pela forma como ele fazia os programas. Da forma como os conduzia”, revela.
O romance pode ter nascido lá mas o primeiro beijo não foi dado na rádio como às vezes acontece nos filmes. “Uma coisa é a vida pessoal e outra o nosso trabalho ou as nossas obrigações. Sempre defendi que deve haver uma separação e ainda hoje é assim. Não devemos misturar questões emocionais e pessoais com outras”, declara.
A paixão pela rádio nunca esmoreceu. “ Há uns anos criámos um programa da câmara municipal que ainda hoje existe e que é emitido entre o meio-dia e a uma da tarde. Foi uma ideia defendida por mim e por um colega que ainda hoje lá trabalha que é o Pedro. O programa servia para libertar aquela necessidade que tenho de comunicar e o meu gosto pela rádio. Quando fui para vereadora abandonei o programa porque tinha que fazer opções”, explica Fátima Galhardo.

Comecei na rádio pelo topo. Era eu que ia para cima do telhado a orientar a antena

O vereador Luís Farinha chegou a fazer rádio numa “rádio pirata” que ajudou a formar no Vale de Santarém de onde é natural e onde morava. A sua estreia no projecto é digna de registo. “O meu fascínio da rádio é grande. Não vou dizer que fiz rádio porque parece muito pomposo, embora na verdade tenha feito. Foi quando tinha 16 anos e estava a estudar na Escola Secundária Ginestal Machado. Eu andava em Artes mas tinha dois amigos que andavam em electrotecnia e foram eles que me meteram na aventura quando um dia me disseram que precisavam de mim para fazerem a primeira edição”.
Desengane-se quem pensar que o primeiro cargo que lhe foi oferecido foi o de animador. “Eles tinham feito o emissor e a mesa de mistura e o sinal era emitido a partir da casa de um deles. Eu, que era o menos qualificado em termos técnicos, estava em cima do telhado a segurar na antena, o dono da casa estava a passar música e o outro foi de bicicleta, com um daqueles rádios a pilhas ligado, para ver até onde chegava a emissão e com que qualidade. A cerca de um quilómetro havia um café e era de lá que ele telefonava para dar as informações. Conforme o que ele dizia eu recebia instruções para reorientar a antena”, conta.
A aventura da “Rádio Som Livre”, que não tinha licença para emitir, como muitas do género, ainda durou uns dois ou três anos. Luís Farinha passou do telhado para o estúdio. “Cheguei a participar em dois programas. Um deles era de informação aos sábados. Outro à sexta-feira à noite. Em relação a este, e porque acabava à uma da manhã, começámos a deixá-lo gravado para podermos ir para a discoteca mais cedo com o resto dos nossos amigos”, lembra.

Dois autarcas que se sentem livres ao andar em carros descapotáveis com os cabelos ao vento

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