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Clima e alimentação

O tema das alterações climáticas ficou outra vez na ordem do dia. (…) É um tema muito grave, é a própria vida que está em causa e ninguém, mesmo na mais remota aldeia, fica de fora.

Edição de 09.11.2016 | Opinião

No fim da semana passada o muito badalado acordo de Paris sobre o clima entrou em vigor. A propósito disso o tema das alterações climáticas ficou outra vez na ordem do dia. Já aqui escrevi sobre o assunto muitas vezes mas podia fazê-lo todas a semanas que não era demais. Este é, na verdade, um jogo “mata-mata”. A grande maioria das pessoas não compreende do que se trata e está convicta que nada tem a ver com o assunto. E, quando dá alguma atenção à coisa, pensa que um aumento de temperatura de dois graus centígrados até é bom, designadamente para ir à praia. Nada de mais errado. É um tema muito grave, é a própria vida que está em causa e ninguém, mesmo na mais remota aldeia, fica de fora. Portanto, amigo leitor, mesmo que não compreenda aceite esta verdade.
A propósito da data os habituais comentadores, muitos eruditos colegas professores, surgiram a dizer uma série de generalidades que pouco ou nada significam. Todos sabemos que as lâmpadas economizadoras são aconselháveis, qualquer ‘chinoca’ as vende, na feira da aldeia não há outras – vale mesmo a pena ir à TV dizer isto ou outras banalidades deste tipo. Ainda a semana passada, pela mão de uma associação ambientalista que num computador faz uns estudos, ficámos a saber que a TAP, a EDP e outras empresas são extremamente poluentes, uma grande novidade resultante de um estudo da treta. Como é que essas criaturas estudiosas viajaram para Paris quando lá foram falar de clima? De avião, pois claro. E apresentam alguma alternativa? Claro que não. Todos os dias milhares de automóveis ficam parados no IC19, que liga Sintra a Lisboa, e? Aos costumes disse nada. Qual dessas almas vai de bicicleta ou a pé para o trabalho?
E o que faz quem vive no Sardoal ou na Chamusca?
Na verdade pertencemos a uma minoria de privilegiados que temos todos meios e recursos para viver confortavelmente, apesar de tudo, como nunca. Nesta situação a realidade com que vos pretendo inquietar não faz muito sentido e por isso é natural que pense não ter nada a ver com isto. Porque me vou preocupar com uma doença que não sinto? A rã posta no tacho em lume muito brando também foi ficando porque até estava confortável. Quando a temperatura da água se tornou insuportável e quis saltar já era tarde e lá morreu cozida.
Na semana em que o país é “invadido” por pessoas e capitais virtuais (Web Summit) os limões que consumimos vêm do Chile. Só temos um caminho, a revolução alimentar, em que obviamente ninguém fala. Não é possível alimentar a população da Terra com carne. A terra, os recursos locais vão ganhar valor: tão certo como a soma de dois e dois serem quatro.
As centenas de pessoas, como nós, com filhos, pais, irmãos, que todas as semanas morrem no nosso mar e nas nossas praias não nos dizem nada? Também não têm nada a ver connosco? Já agora, isto que se passa no Mediterrâneo é também um efeito das alterações climáticas.
Carlos Cupeto – Universidade de Évora

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