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Dois anos depois nem culpados nem indemnizações pelo surto de legionella

Dois anos depois nem culpados nem indemnizações pelo surto de legionella

Presidente da Câmara de Vila Franca de Xira diz que a justiça tem de ser mais célere. Justiça escuda-se na complexidade da recolha e análise da prova, juntamente com exames periciais também complicados.

Edição de 09.11.2016 | Sociedade

Já passaram dois anos desde o surto de legionella que vitimou 12 pessoas e infectou 375 na zona sul do concelho de Vila Franca de Xira sem que tenham sido apurados culpados ou pagas indemnizações aos familiares e às vítimas. Algumas vítimas, escutadas por O MIRANTE, admitem estar a perder a esperança num desfecho para o caso. Dizem-se enganadas pela justiça e pelo Estado e não acreditam que venham a ser julgados os culpados.
Esta semana o presidente da Câmara de Vila Franca de Xira, Alberto Mesquita (PS), já veio lamentar novamente a lentidão da justiça e lembrar que, para dar a todas as vítimas a paz que procuram, é preciso que a lei seja respeitada e os culpados “rapidamente julgados”. O autarca já tem reclamado publicamente da lentidão com que o processo se tem desenrolado, mas notou satisfação por ver a constituição de arguidos e continuou a defender um maior aperto da legislação que regule a qualidade do ar. 90 por cento das vítimas viviam a três quilómetros da torre de refrigeração alegadamente contaminada com a bactéria.
A Procuradoria-Geral da República confirmou no Verão que foram constituídos nove arguidos no processo - as empresas Adubos de Portugal (ADP) e General Electric, juntamente com outros sete técnicos envolvidos no caso - mas a complexidade da recolha e análise da prova, juntamente com os exames periciais de grande complexidade, têm dificultado um andamento mais rápido do processo.

Vítimas desesperam por conclusões
A demora na resolução deste caso está a preocupar algumas das vítimas, que “desesperam” pela conclusão do processo. “Ouvimos na altura os responsáveis dizerem que isto era um crime. E agora, passado dois anos e depois de algumas pessoas terem morrido, já não é crime? Está-se mesmo a ver que a culpa vai morrer solteira”, afirmou à Lusa Joaquim Perdigoto, uma das 375 vítimas da legionella.
Por seu turno, Alfredo Notário, 47 anos, recorda que esteve “à beira da morte”, mas que, felizmente, conseguiu recuperar e voltar ao trabalho. “Na altura fui dos casos mais problemáticos. Estive mesmo entre a vida e a morte. Gradualmente tenho vindo a melhorar, mas ficaram mazelas. Muito cansaço. Nunca mais fiquei a 100 por cento”, resume este militar da Marinha, que esteve 26 dias internado.
Questionada pela Lusa, a ADP Fertilizantes confirmou apenas que mudou de fornecedor no que diz respeito à limpeza e manutenção das suas torres de refrigeração, após o surto em 2014. O surto, o terceiro com mais casos em todo o mundo, teve início a 7 de Novembro e foi controlado em duas semanas. A doença do legionário contrai-se por inalação de gotículas de vapor de água contaminada.

Dois anos depois nem culpados nem indemnizações pelo surto de legionella

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