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Padre recusou celebrar missa de corpo presente por causa de bandeira do PCP no caixão

Padre recusou celebrar missa de corpo presente por causa de bandeira do PCP no caixão

Familiares estão indignados mas o pároco de Alhandra garante que apenas seguiu normas do Patriarcado de Lisboa. O caso está a causar indignação porque a falecida era uma pessoa estimada na comunidade.

Edição de 09.11.2016 | Sociedade

Um padre da paróquia de Alhandra, concelho de Vila Franca de Xira, recusou na semana passada celebrar uma missa de corpo presente, antes do funeral, porque a urna da falecida, residente em São João dos Montes, estava coberta com uma bandeira do Partido Comunista Português (PCP).
A situação causou alguma indignação não apenas na comunidade mas também nas redes sociais. Maria de Fátima Romaneiro, de 68 anos, morreu no dia 1 de Novembro vítima de um tumor cerebral, descoberto apenas seis meses antes. Era uma pessoa estimada e querida na comunidade, uma católica praticante que nos últimos 15 anos fora anualmente a Fátima, a pé, em peregrinação. Mas foi também uma importante resistente anti-fascista do concelho de Vila Franca de Xira, tendo até chegado a usar as coelheiras da sua casa para esconder documentos do PCP durante os tempos da perseguição da PIDE, a polícia política de Salazar. O seu desejo era ser coberta por uma bandeira do PCP na hora da morte. A família fez-lhe a vontade mas a intenção esbarrou na intransigência do pároco.
“Depois da urna entrar na igreja o padre fez logo um gesto para retirar a bandeira, dizendo que estava a fazer a missa para a pessoa e não para a bandeira. Disse-nos que se não tirássemos a bandeira não faria a missa. Acabámos por respeitar a vontade da minha mãe e não tirámos a bandeira”, recorda a O MIRANTE o filho, João Romaneiro.
Na capela onde decorreram as cerimónias fúnebres estavam mais de cem pessoas, todas surpreendidas com o sucedido, mas que aplaudiram a decisão. “Logo que negámos tirar a bandeira o padre enfiou-se na sacristia e não saiu mais, nem nos acompanhou ao cemitério. Não fossem umas amigas terem rezado um Pai Nosso nem isso a minha mãe teria levado, ela que sempre foi muito católica e ia à missa. O que se passou foi vergonhoso e inadmissível”, critica.
Os familiares garantem que noutras paróquias do concelho este cenário não se coloca e por isso vão expor o caso ao Patriarcado de Lisboa. Maria de Fátima Romaneiro estava aposentada há cerca de um ano, tendo sido funcionária do município de Vila Franca de Xira.

Padre em silêncio sobre o caso
O MIRANTE contactou o padre Alfredo Juvandes sobre o assunto mas este, apesar de confirmar os factos, recusou prestar esclarecimentos adicionais sobre o caso. Fonte próxima da paróquia de Alhandra garante que o padre apenas seguiu as regras e as indicações dadas pelo Patriarcado de Lisboa, que estipula que não deve ser ministrada missa de corpo presente a urnas cobertas com bandeiras, independentemente dos partidos, instituições ou credos. Excepção feita a figuras de Estado. O nosso jornal contactou o Patriarcado de Lisboa sobre este assunto mas não obteve qualquer resposta antes do fecho desta edição.

Padre recusou celebrar missa de corpo presente por causa de bandeira do PCP no caixão

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