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De chefe de tanque no Exército para defensora da segurança no trabalho da Resitejo
Rita Pinto

De chefe de tanque no Exército para defensora da segurança no trabalho da Resitejo

Rita Pinto admira a mãe por ter adoptado uma criança abandonada com problemas. Aos onze anos de idade perdeu o pai com quem tinha grande cumplicidade. Aos 23 ganhou uma irmã mais nova quando a mãe adoptou uma criança deficiente que ela adora. Foi para a tropa e chefiou um tanque de guerra. Jogou futsal a nível federado. Agora é engenheira do Ambiente na Resitejo e vela pela segurança de duas centenas e meia de trabalhadores. Chama-se Rita Pinto, tem um filho de seis anos e é um exemplo de mulher.

Edição de 17.11.2016 | Aniversário

Quando tinha vinte e três anos, Rita Pinto, ganhou uma irmã de cinco anos, adoptada pela sua mãe, que tinha enviuvado. A menina tinha sido abandonada pela mãe biológica e tinha uma incapacidade cognitiva de sessenta por cento. A situação, uma das mais marcantes da sua vida, é referida como um exemplo da força e do querer de sua mãe que muito admira e que aponta como exemplo de mulher.
Rita Pinto, agora com 33 anos, divorciada e com um filho de seis anos, tem naquela irmã uma grande companheira, com quem passa muito tempo. Tem também duas irmãs mais velhas de quem gosta imenso. “Admiro a minha mãe por ela ter adoptado a minha irmã mais nova. Também gostava, se algum dia tiver possibilidades, de seguir aquele seu exemplo”, diz.
A trabalhar desde 2013 na Resitejo, entidade que trata dos lixos dos municípios do Médio Tejo, como Engenheira do Ambiente, Rita Pinto, natural da Chamusca, também é uma mulher fora do comum. Antes do actual trabalho foi chefe de carros de combate no Campo Militar de Santa Margarida. Aliás, foi a primeira mulher da unidade com aquelas funções e logo num carro de combate pesado, conhecido por tanque. Naquelas funções tinha de saber fazer de tudo um pouco, desde conduzir a viatura de cinquenta toneladas de peso, até disparar o canhão com que a mesma estava armada.
Na Resitejo as suas funções são as de zelar pela segurança dos trabalhadores, avaliando os riscos e minimizando a possibilidade de ocorrerem acidentes. Considera que em situações de acidentes é essencial manter a calma, coisa que aprendeu no tempo em que esteve no exército. Possui formação em socorrismo e já teve de prestar os primeiros socorros a alguns funcionários em pequenos acidentes de trabalho. Mas até agora não teve de intervir em situações graves, apesar de se sentir preparada para tal.
A engenheira da Resitejo confessa que teve pena de sair da tropa mas revela que os primeiros tempos como militar não foram fáceis. Muitas vezes chorava ao telefone quando à noite a mãe lhe ligava para saber como estava mas nunca desistiu de prosseguir o objectivo que tinha traçado e sente-se orgulhosa dessa sua atitude. Faz também questão de afirmar que está grata ao exército por lhe ter incutido valores essenciais para a vida, como o sentido de responsabilidade e o espírito de camaradagem e de entreajuda.
Por ser uma das primeiras mulheres na unidade militar, Rita Pinto confessa que na altura a sua presença não era muito bem vista por alguns militares do sexo masculino. Os primeiros tempos foram muito exigentes. Dá como um pequeno exemplo, o facto de ter que se levantar todos os dias mais cedo que os outros para fazer a sua higiene pessoal, de forma a não estar misturada com os homens. O que lhe valeu na altura foi ter crescido como uma “Maria-rapaz”, graças ao pai a quem fazia companhia para todo o lado até à altura do seu falecimento, devido a um tumor, quando ela tinha 11 anos.
Rita Pinto foi jogadora federada de futsal, tendo terminado a carreira há quatro anos. Jogou no Goleganense, no Riachense e no CAD do Entroncamento. Apesar do seu ar feminino confessa que sempre teve “mais tendência para coisas masculinas”.
Afirma que é decidida mas que actualmente está fortemente concentrada no seu trabalho não fazendo planos e vivendo um dia de cada vez. Na Resitejo, onde entrou nos quadros após um estágio, tem de lidar com todo o tipo de situações e tem de ter a capacidade de fazer com que sejam cumpridas as normas de segurança, não através de uma posição policial mas de insistência, persistência e persuasão usando para tal a sua natural afabilidade e o seu discurso simples mas directo e decidido.

De chefe de tanque no Exército para defensora da segurança no trabalho da Resitejo

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