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20/02/2017
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Rita Pinto
De chefe de tanque no Exército para defensora da segurança no trabalho da Resitejo
Rita Pinto admira a mãe por ter adoptado uma criança abandonada com problemas. Aos onze anos de idade perdeu o pai com quem tinha grande cumplicidade. Aos 23 ganhou uma irmã mais nova quando a mãe adoptou uma criança deficiente que ela adora. Foi para a tropa e chefiou um tanque de guerra. Jogou futsal a nível federado. Agora é engenheira do Ambiente na Resitejo e vela pela segurança de duas centenas e meia de trabalhadores. Chama-se Rita Pinto, tem um filho de seis anos e é um exemplo de mulher.
Edição de 17.11.2016 | Aniversário

Quando tinha vinte e três anos, Rita Pinto, ganhou uma irmã de cinco anos, adoptada pela sua mãe, que tinha enviuvado. A menina tinha sido abandonada pela mãe biológica e tinha uma incapacidade cognitiva de sessenta por cento. A situação, uma das mais marcantes da sua vida, é referida como um exemplo da força e do querer de sua mãe que muito admira e que aponta como exemplo de mulher.
Rita Pinto, agora com 33 anos, divorciada e com um filho de seis anos, tem naquela irmã uma grande companheira, com quem passa muito tempo. Tem também duas irmãs mais velhas de quem gosta imenso. “Admiro a minha mãe por ela ter adoptado a minha irmã mais nova. Também gostava, se algum dia tiver possibilidades, de seguir aquele seu exemplo”, diz.
A trabalhar desde 2013 na Resitejo, entidade que trata dos lixos dos municípios do Médio Tejo, como Engenheira do Ambiente, Rita Pinto, natural da Chamusca, também é uma mulher fora do comum. Antes do actual trabalho foi chefe de carros de combate no Campo Militar de Santa Margarida. Aliás, foi a primeira mulher da unidade com aquelas funções e logo num carro de combate pesado, conhecido por tanque. Naquelas funções tinha de saber fazer de tudo um pouco, desde conduzir a viatura de cinquenta toneladas de peso, até disparar o canhão com que a mesma estava armada.
Na Resitejo as suas funções são as de zelar pela segurança dos trabalhadores, avaliando os riscos e minimizando a possibilidade de ocorrerem acidentes. Considera que em situações de acidentes é essencial manter a calma, coisa que aprendeu no tempo em que esteve no exército. Possui formação em socorrismo e já teve de prestar os primeiros socorros a alguns funcionários em pequenos acidentes de trabalho. Mas até agora não teve de intervir em situações graves, apesar de se sentir preparada para tal.
A engenheira da Resitejo confessa que teve pena de sair da tropa mas revela que os primeiros tempos como militar não foram fáceis. Muitas vezes chorava ao telefone quando à noite a mãe lhe ligava para saber como estava mas nunca desistiu de prosseguir o objectivo que tinha traçado e sente-se orgulhosa dessa sua atitude. Faz também questão de afirmar que está grata ao exército por lhe ter incutido valores essenciais para a vida, como o sentido de responsabilidade e o espírito de camaradagem e de entreajuda.
Por ser uma das primeiras mulheres na unidade militar, Rita Pinto confessa que na altura a sua presença não era muito bem vista por alguns militares do sexo masculino. Os primeiros tempos foram muito exigentes. Dá como um pequeno exemplo, o facto de ter que se levantar todos os dias mais cedo que os outros para fazer a sua higiene pessoal, de forma a não estar misturada com os homens. O que lhe valeu na altura foi ter crescido como uma “Maria-rapaz”, graças ao pai a quem fazia companhia para todo o lado até à altura do seu falecimento, devido a um tumor, quando ela tinha 11 anos.
Rita Pinto foi jogadora federada de futsal, tendo terminado a carreira há quatro anos. Jogou no Goleganense, no Riachense e no CAD do Entroncamento. Apesar do seu ar feminino confessa que sempre teve “mais tendência para coisas masculinas”.
Afirma que é decidida mas que actualmente está fortemente concentrada no seu trabalho não fazendo planos e vivendo um dia de cada vez. Na Resitejo, onde entrou nos quadros após um estágio, tem de lidar com todo o tipo de situações e tem de ter a capacidade de fazer com que sejam cumpridas as normas de segurança, não através de uma posição policial mas de insistência, persistência e persuasão usando para tal a sua natural afabilidade e o seu discurso simples mas directo e decidido.

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