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“Homens com carreiras exigentes estão a perder o privilégio de estar com os filhos”
Júlia Amorim

“Homens com carreiras exigentes estão a perder o privilégio de estar com os filhos”

Júlia Amorim - Presidente da Câmara Municipal de Constância. Quando era nova zangava-se com a mãe por isentar o irmão da realização de tarefas domésticas. Apesar disso nunca desejou ter nascido rapaz. Reconhece que a igualdade entre homens e mulheres só existe na lei. Defende que tanto homens como mulheres tenham mais tempo para estar com os filhos.

Edição de 17.11.2016 | Aniversário

Na casa da presidente da Câmara Municipal de Constância as tarefas são partilhadas mas na contabilidade geral Júlia Amorim acaba por ter a seu cargo cerca de 60 por cento do total que há a fazer. Uma situação a que não dá grande importância embora diga que o que mais inveja nos homens é o tempo livre e refira que quando era nova o irmão estava dispensado de fazer tarefas domésticas.
Apesar disso diz que nunca teve pena de não ter nascido rapaz. “(...) nem mesmo quando eu e a minha irmã nos zangávamos com a minha mãe porque tínhamos de ajudá-la nas tarefas domésticas e o meu irmão era dispensado”, sublinha.
Autarca há muitos anos, acredita que não há mais mulheres na política porque muitas optam por não participar activamente e também porque os homens acabam por ter melhores condições para o fazer.
Mas na sua opinião a situação poderia ser bem pior sem o sistema de quotas, apesar de ser contra ele. “As mulheres não precisam de um sistema de quotas para se afirmarem, precisam é que lhes dêem condições e oportunidades. Contudo e porque até alguns partidos políticos não conseguiram implementar internamente a paridade, infelizmente tiveram que legislar sobre esta matéria. Por princípio sou contra as quotas mas reconheço que é um mal necessário. Acredito que virá o dia em que não haverá essa necessidade”, declara.
Lamenta as desigualdades entre homens e mulheres e refere que algumas situações de discriminação são concretizadas de forma inconsciente. “Apesar do princípio da ‘Igualdade entre mulheres e homens e a não discriminação’, estar expressa na Constituição da República Portuguesa, bem como inúmeras medidas estarem legisladas em Portugal e na União Europeia com vista à promoção dessa igualdade, a verdade é que (...) subsistem desigualdades a nível económico, político, social e cultural. E o mais grave é que (...) por vezes a discriminação faz-se de uma forma inconsciente, o que é deveras perigoso”, alerta.
Júlia Amorim gostava que fossem criadas condições “(...) em favor das mulheres e dos para terem mais tempo para se dedicarem à família e ao lazer”. E acrescenta: “Penso até que é tempo dos homens com carreiras profissionais exigentes perceberem que estão a perder uma grande oportunidade e o grande privilégio de estarem mais tempo com os filhos(as)”. A presidente da Câmara Municipal de Constância gosta que o seu trabalho seja reconhecido e diz que muitas atenções de que foi alvo se deveram a isso, embora perceba que alguns desses gestos, que aprecia, como qualquer mulher, tenham por base apenas a cortesia e o cavalheirismo.
Foi uma vez a uma tourada pela mão do avô quando tinha dez anos e também só viu um jogo num estádio envolvendo um dos clubes grandes mas decerto não irá esquecer um jogo da selecção para um campeonato da Europa em que a filha, então com nove anos, foi uma das escolhidas para entrar em campo de mão dada com um dos jogadores participantes. Nos tempos livres gosta de ir ao cinema, de conhecer coisas novas e...de não fazer rigorosamente nada.

“Homens com carreiras exigentes estão a perder o privilégio de estar com os filhos”

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