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23/01/2017
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Maria do Céu Albuquerque
“O trabalho que temos feito com as novas gerações vai gerar mais igualdade”
Maria do Céu Albuquerque - Presidente da Câmara Municipal de Abrantes
Edição de 17.11.2016 | Aniversário

A presidente da Câmara Municipal de Abrantes acredita que a igualdade plena entre homens e mulheres vai ser alcançada e explica os motivos que a levam a pensar assim: “Essa minha certeza vem da confiança que deposito no trabalho que temos vindo a desenvolver, nas novas gerações… homens e mulheres que acreditam num mundo construído, dia-a-dia, de forma partilhada e alicerçada no facto de assumirmos as nossas diferenças como a nossa força motriz!”.
Sobre o caminho já percorrido lembra que só quem não quer é que não vê. “Se olharmos para trás não podemos deixar de valorizar o trabalho empenhado, de muitos homens e de muitas mulheres, em resultado do qual estamos paulatinamente a construir esse futuro. Portugal é, nesta matéria, um bom exemplo – há 45 anos atrás, as mulheres no nosso país tinham seguramente muito menos direitos e liberdades fundamentais.”, afirma.
A autarca diz que nunca teve pena de não ter nascido rapaz e que não inveja nada nos homens porque a inveja é um sentimento que faz por não ter e porque a inveja entre géneros é um conceito que para ela não faz sentido. “A nossa força está nas nossas diferenças. Somos diferentes e precisamos das diferenças para construirmos o nosso caminho comum”, sublinha.
Defende o sistema de quotas em vigor para a constituição de listas de candidatos mas como uma situação transitória. “Concordo com as quotas porque de outra forma existiriam lugares a que as mulheres ainda hoje não teriam acesso. A criação de um sistema de quotas permitiu evoluir mais rapidamente na mudança de mentalidades e na produção de oportunidades para as mulheres mas acredito firmemente que as gerações mais recentes e as seguintes se encarregarão de tornar este sistema obsoleto”.
Quando decidiu ter actividade política Maria do Céu Albuquerque ouviu alguns avisos relativos à possibilidade de as funções como autarca a fazerem descurar o seu papel de mãe e de mulher mas com esforço e determinação conseguiu provar que poderia conciliar os vários papéis. Quanto ao facto de alguns mimos e atenções serem mais manifestações de cavalheirismo e de simpatia do que de verdadeiro elogio ao seu trabalho político, refere que se limita a aceitá-los de bom grado. “Receber mimos e atenções é uma necessidade de qualquer ser humano. Os afectos não têm ‘género’”.
Diz que em sua casa quem manda é a democracia e que o contributo de cada um para as tarefas domésticas não tem que ser medido a régua e esquadro, mas entendido de acordo com uma partilha aceite por todos. Se em vez de filhas tivesse tido filhos acredita que a educação teria sido feita da mesma forma. “Com muito amor, respeito e regras”.
Gosta de ler escritores da América Latina, nomeadamente Gabriel Garcia Marques e Mário Vargas Llosa e é também do outro lado do Atlântico que lhe chega a sua música preferida, através de nomes como Elis Regina, Tom Jobim ou Chico Buarque. Nos últimos tempos tem também ouvido com mais atenção alguns fadistas.

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