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“Também já há homens com dificuldade de se afirmarem em determinadas profissões”
Maria João Maia

“Também já há homens com dificuldade de se afirmarem em determinadas profissões”

Maria João Maia - Professora e directora de turma na Escola Profissional de Rio Maior. Há um lobby masculino da política que dificulta a entrada de mulheres mas estas também se afastam devido à falta de tempo. O facto da idade fértil das mulheres coincidir com a altura em que o seu desempenho profissional é maior obriga-as a uma opção muito difícil, defende a professora Maria João Maia.

Edição de 17.11.2016 | Aniversário

Maria João Maia reconhece que chegou a lamentar ocasionalmente não ter nascido rapaz mas que isso lhe passou depressa. A professora e coordenadora de projectos na Escola Profissional de Rio Maior lembra que em algumas profissões as mulheres têm que trabalhar mais que os homens para se afirmarem mas diz, com ironia, que actualmente já há homens que também têm dificuldade em afirmar-se em determinadas profissões.
Falando ainda sobre os homens diz que são todos diferentes mas que há traços comuns à maioria. Têm tendência a sobrevalorizar o seu trabalho e subvalorizar o trabalho das mulheres em geral e como funcionam por objectivos têm dificuldade em realizar várias tarefas simultaneamente.
“As mulheres para além de trabalharem em termos profissionais ainda têm as tarefas domésticas (gestão doméstica), a educação dos filhos (acompanhamento a um sem número de actividades extra curriculares), são seres multitasking.”
Acredita que existe um lobby masculino na política, o que diz ser uma questão bastante controversa que já foi objecto de vários estudos e debates e que esse será um dos motivos para que haja poucas mulheres em cargos políticos relevantes.
O que mais critica nos homens é não aproveitarem produtivamente o tempo disponível. Interrogada acerca da percentagem de tarefas domésticas que tem normalmente a seu cargo diz que deverá andar pelos 70 por cento.
Para a professora Maria João Maia há várias explicações para o facto de as mulheres terem mais dificuldade no acesso a cargos de direcção e chefia. “As mulheres são “penalizadas” pelo facto de a idade em que são mais produtivas em termos profissionais (início e consolidação da carreira) coincidir também com o período em que são mais férteis para engravidar (serem mães) e cumprirem assim um dos desígnios mais importantes das suas vidas. Ou seja, têm que fazer uma opção difícil. Acredito que a maior parte das mulheres que chegam longe na política ou no meio empresarial (sem generalizar) ou abdicam de ser mães ou têm um grande suporte familiar”, defende.
A mesma explicação é dada para a falta de mais mulheres na política. “Ninguém segue a vida pública por obrigação. Tem que ser por gosto. E o serviço público deve ser quase um “sacerdócio. As mulheres têm menos oportunidades pois têm de conciliar a vida pública com a vida familiar e profissional o que já por si é muito absorvente. Também nesta matéria os homens estão em vantagem”, defende.

“Também já há homens com dificuldade de se afirmarem em determinadas profissões”

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