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Quarenta anos depois a moca de Rio Maior ainda dá que falar
CRÍTICAS. Carlos Nazaré e Augusto Figueiredo não gostaram de algumas partes do documentário sobre Rio Maior.

Quarenta anos depois a moca de Rio Maior ainda dá que falar

Oposição não gostou de ver referências a esse artefacto, símbolo da contestação à reforma agrária e à ideologia comunista, num documentário produzido pelo município e divulgado durante o feriado municipal de 6 de Novembro.

Edição de 17.11.2016 | Sociedade

O vereador comunista na Câmara de Rio Maior, Augusto Figueiredo, considera que, no último ano, tem havido uma tentativa da maioria PSD/CDS em “encostar a gestão do município ideologicamente à direita”. O último episódio que o leva a formular essa tese prende-se com a edição, num documentário produzido pelo município, de imagens e referências a acontecimentos vividos no período pós-revolução, nomeadamente em 13 de Julho e 24 de Novembro de 1975, quando a cidade e o concelho se assumiram como foco de resistência contra a reforma agrária e as ideias do PCP e outros partidos de esquerda.
Ressalvando que os factos históricos não se podem apagar, como o do assalto à sede do PCP em Rio Maior, Augusto Figueiredo criticou sobretudo “a conotação de Rio Maior como terra da moca”. E questionou, desafiando à reflexão sobre o assunto: “Chamar a Rio Maior terra da moca contribui alguma coisa para o seu desenvolvimento?”. Lamentou ainda que fossem ignorados outros factos relevantes da história do concelho - que celebrou 180 anos no dia 6 de Novembro -, dando alguns exemplos, como o de Rio Maior ter sido a terceira terra do país a ter um cineclube, logo a seguir a Lisboa e Porto.
A resposta da presidente não tardou muito. “Essa carapuça de que me estou a encostar à direita não me serve. O único sítio onde me encosto as vezes que forem necessárias é aos interesses do concelho de Rio Maior”, disse Isaura Morais (PSD).
O vereador socialista Carlos Nazaré também discordou de alguns conteúdos do filme, referindo que não via a necessidade de invocação de “momentos menos felizes”, em que a população esteve dividida, num documentário sobre o concelho e a sua história. “Não quero branquear ou esconder o que foi o 13 de Julho ou a situação da moca, mas acho que o 6 de Novembro deve ser uma data de união de todos os riomaiorenses e é dispensável a invocação de situações que nos dividiram. É uma questão de educação e de respeito pelos outros”, defendeu.
A vereadora da cultura, Ana Filomena Figueiredo (CDS), referiu que o documentário, tendo por base a pesquisa levada a cabo por duas técnicas superiores do município, ainda não se encontra acabado. O que foi apresentado tratou-se de um esboço do que virá a ser o produto final, já que há mais peças a introduzir no filme. A autarca concordou que se deve valorizar sobretudo aquilo que une a comunidade e não o que a divide, mas considerou que não se pode apagar o que aconteceu e teve relevo no concelho. “São momentos da História, uns gostam, outros não…”.

Quarenta anos depois a moca de Rio Maior ainda dá que falar

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