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“A capacidade dos pais cuidarem dos filhos com deficiência diminuiu”

“A capacidade dos pais cuidarem dos filhos com deficiência diminuiu”

Associação Projecto Jovem, de Vialonga, quer construir um lar de acolhimento para poder cuidar dos seus utentes a cem por cento e dar resposta a um problema com que se confrontam as famílias.

Edição de 23.11.2016 | Sociedade

A morte, durante este ano, de dois utentes da Associação Projecto Jovem (APJ) veio dar ainda mais força a Maria Goretty Ribeiro para concretizar o objectivo de criar um lar de acolhimento nas instalações da instituição, em Vialonga, concelho de Vila Franca de Xira. A presidente da associação de apoio a pessoas com deficiência motora e mental acredita que se o lar estivesse construído conseguiria dar uma ajuda plena a pessoas com deficiência e responder afirmativamente à questão que muitos pais colocam: quem irá cuidar do meu filho depois de mim?
“O facto de ainda não termos o lar de acolhimento está a tornar-se crítico. A esperança média de vida aumentou. Há mais medicação e cuidados médicos, a capacidade dos pais cuidarem dos filhos com deficiência diminui, seja por velhice ou falta de força, e não há lares para a população deficiente. Os lares são de idosos e as residenciais que existem para deficientes estão lotadas. Estão connosco 30 famílias a pensar cada vez mais no futuro dos filhos”, explica Goretty Ribeiro.
Um dos casos prementes ocorridos este ano envolveu uma jovem de 30 anos, órfã de pai, cuja mãe sofreu um AVC e ficou incapaz de cuidar da filha. Na altura do acidente Goretty Ribeiro e a assistente social tiveram que passar a noite nas instalações com a jovem deficiente, já que não houve resposta imediata das entidades competentes.
A Segurança Social conseguiu colocar a jovem num lar de idosos na Lourinhã, contudo a jovem viria a falecer pouco tempo depois. Maria Goretty assume que a morte ocorreu por desgosto. “Foi muita perda junta. Foi o espaço físico de casa dela, foi o espaço relacional com os colegas e connosco e foi ser colocada num sítio que a mãe tinha dificuldades em visitar todos os dias. Lido mal com estas hipóteses mas penso que se tivesse o lar talvez não partisse tão depressa”, diz.
O projecto do lar está pendente devido a burocracias e a APJ continua a dedicar o dia-a-dia aos mais de 30 utentes de concelhos como Vila Franca, Loures e Lisboa. As instalações da instituição, criada especificamente para o cuidado de pessoas portadoras de deficiência, estão munidas de equipamentos conseguidos maioritariamente através de doações.
Goretty Ribeiro tem consigo uma equipa de 14 pessoas, duas em regime de voluntariado, que durante o ano recebem várias vezes formação, como suporte avançado de vida. À frente da APJ há 10 anos, a responsável confessa que a tarefa nem sempre é fácil. Após assumir a presidência foi abordada por vários credores e confrontou-se com uma dívida que chegou aos 500 mil euros.
“Assumi a presidência num dia 1 de Abril, dia das mentiras, e apesar de ser a maior verdade da minha vida, veio acompanhada por algumas mentiras. Omissões em questões pouco claras e mal resolvidas como a construção deste edifício e pagamentos que ainda não estavam concluídos. O construtor alega trabalhos a mais quando não havia autorização para isso. Até hoje não sei o que foi feito a mais, o que é certo é que a ex-presidente assinou uma letra a aceitar essa dívida. Se a Justiça disser que temos que pagar, logo iremos resolver como fazer”, assume.

Noite de fados para angariar fundos

Seis fadistas vão actuar na noite de fados da Associação Projecto Jovem (APJ), que trabalha com pessoas portadoras de deficiência mental e motora. Esta organização sem fins lucrativos e sediada em Vialonga, concelho de Vila Franca de Xira, procura angariar fundos. Os fadistas que vão marcar presença são Maria de Graça Ribeiro, José Júlio Rodrigues, Adelaide Silva, Hermínio Silva, Paula Teixeira, Fernando Moreira. Vão ser acompanhados na guitarra por Rui Pedro e na viola por Ricardo Portugal. O evento é dia 25 de Novembro pelas 20h00 no Restaurante ‘Adega Típica da Tia Rosa’ em Lisboa.

“A capacidade dos pais cuidarem dos filhos com deficiência diminuiu”

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