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Tetraplégico pede alcatroamento na rua à porta de casa

Tetraplégico pede alcatroamento na rua à porta de casa

Joaquim Gomes vive no Alto do Vale, Santarém, e há três anos que um acidente lhe tirou a mobilidade. O mau estado do piso da rua onde mora é um obstáculo à circulação da sua cadeira de rodas. Familiares, vizinhos e auxiliares há muito que pedem piso liso.

Edição de 23.11.2016 | Sociedade

Em 2013 Joaquim Gomes, 50 anos, teve um grave acidente de mota em Vila Chã de Ourique, concelho do Cartaxo, que lhe deixou marcas para o resto da vida. Natural de Vale de Santarém, concelho de Santarém, ficou tetraplégico e necessita de atenção e cuidados constantes, não conseguindo comer ou deslocar-se sozinho. Há muito que pede melhorias na Rua do Sobreiro, no Alto do Vale, localidade da freguesia onde reside, pois o mau estado do pavimento afecta a circulação da sua cadeira de rodas nos passeios diários para apanhar ar e sol pelas redondezas.
Até ao trágico acidente Joaquim Gomes trabalhava no serviço de pós-venda da General Motors em Oeiras. Casado e com dois filhos foi atirado para uma cama num quarto onde passa grande parte do dia a ver televisão. “Gosto de me manter informado e há vários programas de que gosto”, diz a O MIRANTE com a lucidez que o acidente não lhe retirou mas com alguma dificuldade na respiração. Apesar disso reserva sempre uma hora do seu dia, normalmente antes do almoço, para passear pela zona com a mãe e com uma auxiliar que o ajuda diariamente.
Um carro pode não sentir as dificuldades em passar pela rua mas o seu visível mau estado, com buracos, alcatrão gasto e várias pedras soltas fazem toda a diferença para Joaquim. O caminho tem uma extensão de cerca de 100 metros que o morador tem de percorrer obrigatoriamente pelo alcatrão uma vez que os passeios são estreitos para a sua cadeira de rodas.
“A estrada é horrível. Ao passar pelos buracos tenho muitas dores e dificulta-me a respiração, é muito incomodativo”, explica.
Os vizinhos e auxiliares de Joaquim têm tentado fazer com que a sua voz seja ouvida na Junta de Freguesia de Vale do Santarém ou na Câmara de Santarém, tendo feito até um abaixo-assinado no tempo do presidente Moita Flores que não deu frutos. “Não querem saber de nada”, afirma a mãe Ana Maria Serranho. “A câmara diz sempre que vai pôr alcatrão em Dezembro mas dizem isso todos os anos”, desabafa Joaquim.

Câmara e junta desresponsabilizam-se
O MIRANTE falou com o vereador Luís Farinha, da Câmara de Santarém, que referiu que a repavimentação da estrada está delegada à Junta de Freguesia de Vale de Santarém. O vereador, que tem o pelouro do urbanismo, disse ainda que a estrada não está incluída no plano de requalificação da rede viária do concelho, lamentando que não exista capacidade de resposta para todos os casos.
O presidente da Junta de Freguesia de Vale de Santarém diz ter conhecimento da situação, para além de referir que é familiar de Joaquim Gomes. Manuel Custódio (PS) diz que à junta apenas estão delegadas as pequenas reparações na estrada, como buracos ou reparações de valetas, o que não é o caso, acrescentando que já visitou a estrada com um técnico que lhe referiu que não é possível a colocação de massas frias e que a estrada deve ser repavimentada. Manuel Custódio diz ainda que a estrada está incluída nos arruamentos diversos a alcatroar ao longo do próximo ano pela câmara.

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