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Imprevidente Manuel Serra d’Aire

Edição de 05.01.2017 | Emails do Outro Mundo

É para mim um mistério que Portugal seja um país tão pouco produtivo e sempre de calças na mão em termos económicos e financeiros, tendo em conta não só a capacidade e espírito inventivo dos nossos empresários mas também os cursos, projectos, acções e apoios que existem para catapultar novos e rentáveis negócios. Como é possível um país com tanto jovem e qualificado empreendedor, com tantas startups e incubadoras de empresas continuar com os mesmos problemas estruturais do país que existia antes dos fundos comunitários e que basicamente se devem à nossa ancestral penúria e incapacidade de gestão dos parcos recursos que temos? Para onde vai a riqueza produzida por esses génios dos negócios contemporâneos? Provavelmente para onde foi o ouro do Brasil e as especiarias da Índia, dir-me-às tu assisadamente. Já diziam os romanos: lá para os confins da Península Ibérica existe um povo que não se governa nem se deixa governar...
A notícia de que Rui Barreiro será o candidato do PS à Câmara de Santarém é realmente um espanto. Há quem diga que não se deve voltar ao local onde já se foi feliz, o que eu considero uma completa e descabida palermice como tantos outros adágios - nomeadamente aquele que alega que quem não é do Benfica não é bom chefe de família. Mas, aqui entre nós que ninguém nos ouve, contou-me língua afiada nas tascas mais manhosas da capital de distrito que o actual presidente da câmara, o laranjinha Ricardo Gonçalves, deu pulos de alegria quando soube da novidade e que até já contratou a empresa que paga promessas em Fátima para, em seu nome, queimar meia dúzia de velas no queimódromo da Cova de Iria.
Aliás, essa empresa pagadora de promessas que opera em Fátima é um bom exemplo do empreendedorismo lusitano, ao nível da que há uns tempos pôs à venda ar de Fátima engarrafado. É com gente arrojada que este país vai para a frente! Aliás, eu próprio quero contribuir para essa causa e apesar de não ter grande veia empresarial estou também a pensar criar um negócio com base nas oportunidades que abre a nova lei sobre a obrigação de dar prioridade a pessoas com crianças de colo nas filas de atendimento dos serviços públicos, nos supermercados, farmácias, bilheteiras, sopas dos pobres e afins.
A ideia é simples, prática e, acima de tudo, tem mão de obra barata, factor muito importante para quem quer vingar no mundo empresarial (basta olhar para os chineses). Vou pegar nas minhas crianças e alugá-las junto às repartições, bancos, hipermercados, bilheteiras e outros locais muito frequentados. Quem quiser ser atendido mais depressa só tem de levar o cachopo, pagar o aluguer e 10 minutos depois está despachado.
Parece-me dinheiro em caixa. Com a nova lei, uma criança de colo é uma autêntica Via Verde rumo ao balcão ou à caixa e, para aquela malta que desespera com as filas, é uma solução mais razoável e civilizada do que simular que se tem 90 anos, que se tem bicos de papagaio ou que se está grávida de sete meses só para se ganhar uns lugares. Que te parece? Achas que se concorrer àqueles concursos de ideias tenho hipóteses de me safar e conseguir uns trocos para montar o negócio?
Saudações empresariais do
Serafim das Neves

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