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25/02/2017
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Família do menino que caiu numa fossa recorre à solidariedade e descarta Segurança Social
Desde 2013 que a família de Santiago não recorre à Segurança Social. A criança de Tomar com paralisia cerebral continua em recuperação numa clínica privada em Espinho, paga com donativos.
Edição de 05.01.2017 | Sociedade

A família de Santiago Nunes Rodrigues não contacta nem recorre a qualquer serviço da Segurança Social desde 2013. A nova cadeira de rodas da criança de Tomar, que em 2012 caiu numa fossa e sofreu graves lesões cerebrais, foi conseguida através de campanhas de solidariedade. O director distrital da Segurança Social de Santarém, Tiago Leite, confirmou a O MIRANTE que Santiago “não efectuou qualquer solicitação de produto de apoio junto dos serviços”.
Teresa Rodrigues, avó do menino de nove anos que sofre de paralisia cerebral, confirma não ter feito qualquer pedido à Segurança Social por “falta de confiança” nesses serviços. Conta conhecer casos em que a Segurança Social “demorou mais de um ano” a disponibilizar ajuda técnica. A nova cadeira de Santiago - uma vez que a primeira atribuída pela Segurança Social deixou de ser confortável - foi oferecida pela Associação Portuguesa Walferdange.
Por seu lado, Tiago Leite contraria a afirmação da avó de Santiago. O responsável explica “eventuais demoras” com os processos de atribuição “por falta de entrega da documentação necessária”. Para a candidatura, a legislação geral obriga a “prescrição médica indicando a necessidade de ajuda técnica e três orçamentos diferentes”, esclarece.
A família diz que Santiago apresenta um melhor estado clínico desde que iniciou tratamento na clínica privada de Espinho, há quase dois anos. Isto porque o Estado não comparticipa os tratamentos de fisioterapia, terapia da fala e terapia ocupacional. Desde o acidente, “a médica de família prescreveu apenas uma semana de cinesioterapia respiratória”, explica Teresa.
No dia 14 de Maio de 2012, após ter caído dentro de uma fossa séptica, em Vale Carneiro, Tomar, o menino deu entrada no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, onde esteve um mês e treze dias. Actualmente desloca-se de seis em seis meses às consultas de rotina de Neurologia e Pneumologia daquela unidade hospitalar.
O MIRANTE contactou o serviço de pediatria médica do Centro Hospitalar Lisboa Norte para apurar a falta de prescrição médica dos tratamentos que Santiago recebe na clínica Kinésio. Rosário Ferreira - que assiste o menino nas consultas de Pneumologia - apresentou “razões éticas” e “o cumprimento da política do CHLN” para não avançar com informações sobre doentes “excepto às famílias”.

Campanhas solidárias sucedem-se
Apesar de o diagnóstico médico inicial dar poucas esperanças de recuperação, Santiago continua a progredir. Segundo a avó “possui um melhor controlo da cabeça, respira melhor, tem mais sensibilidade motora, reage a estímulos, ri e até já come pela boca”.
E é devido a esses sinais que Teresa acredita nas melhoras do neto. Sem seguro de saúde e com tratamentos em Espinho que chegam aos dois mil euros mensais, a família vai quando pode e recorre a campanhas de solidariedade. Este Natal, a tia de Santiago, Filipa Rodrigues, colocou na rua 2400 rifas com sorteio a 5 de Janeiro. No ano passado semelhante iniciativa rendeu 1500 euros. Ao todo, desde que a criança deu entrada naquela instituição de saúde privada a família conseguiu angariar 25 mil euros, indica Teresa.
Também no último Verão, tal como no ano anterior, Filipa espalhou mais de cem “mealheiros” por vários estabelecimentos comerciais de Tomar, Ourém, Torres Novas, Entroncamento e Ferreira do Zêzere. Da campanha de angariação de fundos resultaram 7.305 euros. Um valor menor que em 2015, devido ao roubo de 13 latas com dinheiro.
Entretanto, o Instituto da Segurança Social adiantou a O MIRANTE que foi já enviada convocatória à família do Santiago para atendimento na Rede Local de Intervenção Social (RLIS), por forma a ser efectuada pelos serviços uma reavaliação da situação socioeconómica do agregado familiar.

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