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26/03/2017
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“Quando pego num trabalho é para o fazer bem e levá-lo até ao fim”
Marília Rodrigues, 36 anos, Notária da Póvoa de Santa Iria.
Edição de 05.01.2017 | Três Dimensões

Marília Rodrigues não gosta muito de olhar para o passado e faz por acreditar que o melhor é o que está para vir. Não aprecia praia mas tenta passar uma semana de férias à beira mar por causa dos filhos. Nasceu em Monsanto, aldeia do concelho de Idanha-a-Nova mas reside na Póvoa de Santa Iria, cidade de que aprendeu a gostar. A Gosta da proximidade com Lisboa e dos bons acessos por causa da oferta cultural da capital.

O ritmo urbano e o excesso de casas fez-me confusão quando fui estudar para Lisboa. Tinha 18 anos e a adaptação foi difícil mas hoje não era capaz de viver em Monsanto onde ainda vivem os maus pais que visito regularmente.
De início vivi numa residência para estudantes. Mais tarde fui para a Póvoa para casa do meu irmão e acabei por fixar residência na cidade. Gosto de viver aqui pela proximidade com Lisboa. É lá que está a maior parte da oferta cultural. E quando quero ir para o norte a auto-estrada (A1) está logo aqui.
Tento não ser viciada em trabalho mas sou obrigada a trabalhar muitas horas. Por um lado é bom porque significa que tenho trabalho. O lado mau é sentir que estou a perder uma maior relação com os meus dois filhos. É a eles que dedico todo o meu tempo livre.
Abri o cartório em 2007 e o principal problema foi arranjar clientes. Era muito nova e tive de competir com notários que vinham do sector público e já tinham uma boa carteira de clientes. Ainda por cima apanhei a fase aguda da crise que afectou grande parte das empresas. Felizmente tenho conseguido crescer.
Na altura em que abri havia pessoas que entravam e me pediam para falar com a notária. Eu tinha 27 anos e a ideia que havia dos notários era a de pessoas velhas e carrancudas. Depois de desfeito o equívoco pediam desculpa.
A crise ainda não passou e temos de ter muitos cuidados. No meu cartório faço todo o tipo de escrituras, testamentos, constituição de sociedades, registo comercial, predial e automóvel, reconhecimento de assinaturas, autenticação de documentos, fotocópias certificadas e prestamos assessoria e aconselhamento jurídico. Também fazemos trabalho de solicitador angariando a documentação necessária para os processos.
Até hoje não tenho registo de alguém que tenha ficado descontente com o meu trabalho. Fazer um trabalho aldrabado e deixar as coisas a meio não faz parte da minha maneira de ser. Esta é uma área onde é fácil facilitar e depois entrega-se ao cliente o processo incompleto. Não gosto disso. Para mim as coisas ou são bem feitas ou não são feitas de todo. Gosto sempre de ter as melhores soluções e o melhor plano para cada caso.
Não consigo desligar totalmente do trabalho e por vezes perco o sono. Por vezes forço-me a desligar por causa dos meus filhos de 3 e 8 anos. Considero-me uma pessoa honesta e séria e nesta vida nem poderia ser de outra maneira. Temos de pautar a nossa vida pela integridade permanente. Tento sempre transmitir isso às pessoas.
Gosto muito de ler, sobretudo romances. Não tenho nenhuma preferência especial. Leio o que está em destaque ou o que alguém me sugere. Gosto de ir ao cinema mas há anos que não vou ver um filme de adultos. Só vejo desenhos animados (risos).
Não tenho grandes sonhos de vida nem sequer o de ser rica. No entanto tenho objectivos que procuro alcançar. Sou uma pessoa humilde que me contento com o que tenho. Desde que eu e a minha família tenhamos saúde isso é o que importa. E ganhar o suficiente para levar uma vida digna, sem andar sempre a contar os tostões.
É raro tirar férias mas tento fazer uma semana de praia por causa dos filhos. Deixo sempre as compras de Natal para a última e depois ando a comprar à pressa. Para mim o Natal é o estar em família. O convívio. As prendas são secundárias.
Detesto pessoas invejosas. Também detesto quem se aproxima de nós só com o objectivo de retirar algum proveito ou aproveitarem-se do nosso trabalho sem o valorizar. Tira-me do sério não darem o devido valor ao trabalho que temos. E também me tiram do sério as pessoas falsas e mentirosas.

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