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Demolição de cais e arrecadações dos fragateiros da Póvoa ainda não avançou
IMPASSE. Fragateiros mantém as suas estruturas de pé mesmo perante a ameaça das arrecadações virem a ser demolidas a qualquer momento.

Demolição de cais e arrecadações dos fragateiros da Póvoa ainda não avançou

Maioria dos fragateiros que ainda usa os cais diariamente não procedeu à demolição das estruturas por não ter alternativas onde guardar as artes da pesca.

Edição de 19.01.2017 | Sociedade

O processo de demolição dos cais palafíticos e das arrecadações da comunidade de fragateiros da Póvoa de Santa Iria está num impasse e ainda não avançou. A Administração do Porto de Lisboa (APL) tinha dado em Outubro do ano passado 20 dias aos fragateiros para que demolissem as estruturas ali existentes, que estão ilegais.
Mas, tirando alguns pescadores que as demoliram voluntariamente, a maioria não o fez por considerar que não foram criadas no local alternativas que permitam guardar o material de pesca enquanto decorrem os trabalhos. E também ainda ninguém se chegou à frente para demolir as estruturas à força. Passados quase três meses desde que os fragateiros foram notificados está tudo na mesma.
Contactada a APL sobre este assunto, a mesma refere que “sendo o programa da responsabilidade do município, entende a APL que cabe à câmara municipal o esclarecimento sobre a intervenção a realizar”. Aquela entidade explica a O MIRANTE que, na requalificação da frente ribeirinha de Vila Franca de Xira, a câmara municipal “estabeleceu como prioritária a intervenção designada de Parque Ribeirinho Moinhos da Póvoa e Caminho Ribeirinho/Ciclovia do Tejo, em área do domínio público marítimo e que pressupõe um conjunto de actividades de descompactação do solo e regularização do terreno, e respectiva limpeza”.
A câmara de Vila Fanca de Xira confirma ao nosso jornal que será ela a realizar as demolições e que as mesmas decorrerão “num curto prazo”.
As estruturas da comunidade de fragateiros da Póvoa de Santa Iria, instalada na zona ribeirinha da cidade, são ilegais e resultam de uma ocupação que ali começou a ser feita há quase um século pelos primeiros fragateiros, que ali descarregavam mercadoria. Os fragateiros foram a primeira comunidade a instalar-se no local, ainda antes dos avieiros.
Com a recente pretensão da Câmara de Vila Franca de Xira de candidatar a fundos comunitários a obra de prolongamento do passeio ribeirinho até ao Parque das Nações, as estruturas ilegais precisam de ser removidas para dar lugar a zonas de lazer e contacto com o rio, bem como a construção de um novo pavilhão de apoio às artes da pesca.
Vários fragateiros, escutados no local em Outubro por O MIRANTE, não se mostravam contra a demolição e admitiam que as actuais estruturas não oferecem boas condições, mas temiam, como actualmente, pela falta de alternativas ou locais temporários onde guardar os equipamentos. Algumas pessoas criticavam também o facto de não estar prevista a preservação de alguns dos cais palafíticos ali existentes, para memória futura da identidade da comunidade.
Quem ali tem barracões exige um cais em condições para largar os barcos na água e um pavilhão ou estrutura comunitária onde os adereços da pesca possam ser guardados em segurança. O presidente da câmara, Alberto Mesquita, assegura que no projecto estão previstas áreas de arrumação para os barcos e artes da pesca, mas não especifica se serão construídas após a demolição ou antes, como pedem os pescadores.

Demolição de cais e arrecadações dos fragateiros da Póvoa ainda não avançou

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