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Uma fábrica de atletas olímpicos chamada Clube de Natação de Rio Maior
Ambição. Dirigentes aguardam transferência para novas instalações

Uma fábrica de atletas olímpicos chamada Clube de Natação de Rio Maior

Quando nasceu, em 1986, não havia uma piscina no concelho. Hoje tem um currículo invejável e já deu ao país vários atletas de topo, sobretudo na marcha atlética, disciplina rainha num clube que nasceu virado para a natação.

Edição de 26.01.2017 | Desporto

Em 30 anos de vida o Clube de Natação de Rio Maior (CNRM) arrecadou um manancial de troféus que em breve vão ter nova casa, a antiga escola primária de Freiria, a pouco menos de três quilómetros do complexo desportivo da cidade. A O MIRANTE, o presidente do clube aponta orgulhosamente um número: “eram mais de 1.600 há dois anos”. Muitos deles na modalidade do atletismo e na disciplina da marcha atlética, imagem de marca do clube e que lhe tem dado notoriedade aquém e além-fronteiras muito graças ao talento e vitórias de nomes como os de Susana Feitor, Inês Henriques, Vera Santos e os irmãos Sérgio e João Oliveira.
Nos próximos meses a escola vai ser restaurada, mas no complexo desportivo municipal continuará a existir um gabinete de apoio onde o CNRM promove seis modalidades: natação, atletismo, triatlo, hóquei em patins, patinagem artística e taekwondo.
Guilherme Gaboleiro é professor de Matemática na Escola Secundária de Rio Maior e aos 49 anos dirige um clube de grande reputação. Uma associação que surgiu de uma necessidade: em 1986 não existia uma piscina na cidade. E depois de viagens patrocinadas pela câmara para nadar nas Caldas da Rainha lá nasceu a primeira piscina com 25 metros. Em três décadas formou-se o complexo: pista de atletismo, piscina olímpica e o estádio que com a Escola Superior de Desporto fazem de Rio Maior a cidade do desporto.

O segredo é treinar muito e trabalhar bem
“Se o município tem visibilidade no desporto deve-o ao anterior presidente e aos resultados dos atletas”, afirma o dirigente. “O segredo é treinar muito e trabalhar bem e não há nenhum clube do distrito, e se calhar há poucos no país, que tenham tido sempre representação olímpica, mundial e europeia desde a sua fundação”, acrescenta. Guilherme diz que o clube “faz muito com pouco” e aponta a câmara como o grande parceiro em tempos de crise. “Tudo depende da visão estratégica”, diz, “se acham que é importante ter um complexo que dá visibilidade a atletas da terra nos clubes da terra ou não. E neste momento acho que não têm essa visão”.
Para além de destacar o atletas que todos os dias vêm de concelhos vizinhos treinar a Rio Maior, Guilherme diz que o trabalho feito na cidade deve ser reconhecido por quem decide. “Não podemos ter um regulamento municipal que diz que um atleta do Inatel é igual a um atleta de alto rendimento, há muito sacrifício. Se calhar era bom que os políticos fizessem uma semana com o horário igual ao dos miúdos de 12 anos: acordar às 5h00, estar numa piscina até às 8h00, trabalhar, sair do trabalho, treinar mais três horas, fazer ginásio, ir para casa e ter que estudar e fazer os trabalhos de casa”, sublinha.
Guilherme Gaboleiro é presidente do CNRM há cerca de oito anos e não sabe se continua a meses das eleições. As listas costumam ser compostas por pais de atletas que são a grande fatia dos sócios do clube, cerca de 100. “Não vou deixar morrer o projecto, mas se aparecer quem tenha capacidade de continuar, afasto-me”, admite.

Clube sem capacidade para manter atletas de topo

Seis atletas do CNRM estiveram em Jogos Olímpicos, na maioria na marcha atlética: Susana Feitor, Inês Henriques e os irmãos João e Sérgio Vieira. Os outros dois foram Carlos Nuno Calado (salto em comprimento) e Pedro Oliveira (natação). E há atletas formados no clube que foram transferidos para o Benfica ou o Sporting em ano olímpico.
As transferências têm pouco retorno para o clube, uma vez que quanto mais cedo forem transferidos menos há a receber pelos anos de formação e pelos resultados. “É um sentimento misto: perdemos atletas que formámos mas também é o reconhecimento do trabalho feito”, afirma Guilherme Gaboleiro.
“As condições desportivas são iguais porque quem vai para o Benfica ou para o Sporting acaba por treinar aqui - o clube só não tem receitas para os manter. Não sei quanto é que oferecem mas a câmara deveria criar condições para, pelo menos, poder concorrer com as propostas de forma a que fiquem no clube, apesar de saber que os atletas vivem disto”, admite.
Actualmente o CNRM mantém apenas uma atleta olímpica, Inês Henriques, que é conseguido através de um acordo entre o clube e a Desmor para atletas olímpicos. Porém o dirigente assegura há no clube muitos atletas promissores.

Uma fábrica de atletas olímpicos chamada Clube de Natação de Rio Maior

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