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Os políticos têm de ter uma conduta acima de qualquer reparo
Tiago Preguiça

Os políticos têm de ter uma conduta acima de qualquer reparo

Recentemente eleito presidente da Comissão Nacional da Juventude Socialista e líder distrital da JS, Tiago Preguiça é um dos rostos da renovação do PS em Santarém. Acredita num bom resultado nas autárquicas, critica a gestão PSD e sobre alguns camaradas a contas com a justiça, sem se pronunciar sobre casos concretos, diz que quem anda na política tem que estar acima de qualquer suspeita.

Edição de 26.01.2017 | Entrevista

É líder distrital da JS e dirigente distrital do PS. O objectivo do partido nas próximas autárquicas a nível distrital é continuar a ter a maioria das câmaras e a liderança das duas comunidades intermunicipais - Lezíria e Médio Tejo? Sim, partimos com 13 em 21 câmaras municipais, que foi o melhor resultado de sempre de qualquer partido no distrito de Santarém, dando a liderança das duas comunidades intermunicipais. É um objectivo difícil, mas que o PS quer cumprir e até ganhar mais algumas câmaras se possível.
Na Golegã, o actual presidente Rui Medinas não se vai recandidatar. Em Tomar há cisões no seio do PS. Considera esses dois casos problemáticos? Não queria entrar em casos específicos. O que posso dizer é que na Golegã existe uma forte marca do PS, enquanto partido que na gestão municipal fez diferente e fez melhor. A Golegã tem uma marca, tem qualidade de vida e isso muito se deve aos autarcas do PS.
Gostava de ver Veiga Maltez novamente candidato do PS à Câmara da Golegã? Isso cabe aos militantes do PS da Golegã decidir.
E como vê a situação de Tomar? Acho que já se sabia à partida que a gestão não seria fácil, mas a presidente Anabela Freitas tem sabido gerir da melhor forma aquilo que é realmente importante. As pessoas vão saber separar aquilo que é acessório daquilo que conta realmente.
A coligação do PS com a CDU na Câmara de Tomar não o constrange? Não. Aliás, acho que só teríamos a ganhar, em Santarém e noutros concelhos, se o PS, o PCP e o BE aproveitassem o bom ambiente que existe a nível nacional e pudessem também eles ter um projecto em conjunto, antes ou pós-eleições. É uma opinião muito pessoal.
O presidente da Federação Distrital do PS, António Gameiro, que é também deputado, foi condenado pelo Tribunal da Relação por, enquanto advogado, se ter alegadamente apropriado de dinheiro de uma cliente. Situações destas não fragilizam o PS? Sobre o caso específico, os tribunais estão a pronunciar-se e não quero falar sobre isso. Sobre o princípio, em termos gerais, acho que cada vez mais os políticos têm que dar uma imagem diferente. O descrédito da política vem de muitas situações e acho que devemos dar um sinal completamente diferente.
E em relação ao presidente da Câmara de Ourém, Paulo Fonseca, que estará a tentar um acordo com os credores para travar um processo de insolvência pessoal que o poderia impedir de se recandidatar ao cargo. Como analisa esse caso? Não gosto de comentar casos particulares e esse não o conheço muito a fundo.
Casos desses podem prejudicar o partido? Essa análise deve ser feita dentro dos partidos, que devem trabalhar no sentido de escolher as melhores pessoas para liderar. E os políticos, enquanto representantes das pessoas, têm que ter uma conduta completamente acima de qualquer reparo. Isso é fundamental.
Habitualmente, as figuras de topo de juventudes partidárias como a Juventude Socialista (JS) e a Juventude Social-Democrata (JSD) acabam mais tarde por assumir funções de relevo, nomeadamente como deputados ou como membros do Governo. Até onde vão as suas aspirações políticas? Há realmente essa ideia de que existe uma espécie de carreira obrigatória na política para quem exerce funções de topo numa juventude partidária. Eu comecei muito novo na política. Os meus pais não tinham ligações à política e eu fui a primeira geração da família a ter alguns cargos. Quero muito fazer algo por Santarém. Acho que o nosso concelho precisa de algumas mudanças e estou disponível para aquilo que o PS achar melhor.

“Sou Preguiça mas não sou preguiçoso”

Tiago Preguiça completa 30 anos no dia 27 de Fevereiro. É natural de Santarém, cidade onde fez toda a sua vida até ingressar no ensino superior, em Coimbra. Actualmente reparte a residência entre Lisboa e Santarém. Licenciado em Estudos Europeus e com uma pós-graduação em Ciência Política, é assessor de imprensa encontrando-se actualmente a trabalhar com o ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Vieira da Silva.
Filho único, solteiro e sem compromissos, diz-se um apaixonado pela cidade natal, onde praticou desporto federado como guarda-redes de futebol na Académica de Santarém e como pivô nos juniores de andebol dos Caixeiros, chegando a ser chamado aos trabalhos da selecção nacional da categoria. É um dos membros mais activos da bancada socialista na assembleia municipal. Com discurso fluente e assertivo, é um dos elementos a considerar no processo de renovação do PS em Santarém. Sobre o seu apelido, pouco comum, diz que dá azo a brincadeiras e por vezes até o usa como desbloqueador de conversa. “Sou Preguiça mas não sou preguiçoso”, garante.

Tem faltado ambição em Santarém

O candidato do PS à Câmara de Santarém será o actual presidente da concelhia, Rui Barreiro. É a opção óbvia tendo em conta que não houve mais nenhum militante a chegar-se à frente? Nesta altura Rui Barreiro é a escolha óbvia.
Por falta de concorrência interna? Não, até porque o PS em Santarém tem bons quadros…
Acha que o candidato derrotado nas autárquicas de 2005 é a melhor garantia para tentar reconquistar a Câmara de Santarém ao PSD? Acho que dá uma grande garantia. Rui Barreiro demonstrou que consegue pôr muita competência na gestão da Câmara de Santarém. E enquanto candidato do PS tem duas grandes vantagens. A primeira é que pode haver aqui a aspiração de o PS recuperar a câmara com Rui Barreiro e a sua equipa. Porque a equipa também é fundamental...
Gostava de integrar essa equipa? Essencialmente, estou disponível para Santarém. Isso é o mais importante. Há dois mandatos que faço parte da assembleia municipal. Nunca me importei muito com os lugares. Enquanto escalabitanos temos que estar disponíveis para fazer algo mais pelo nosso concelho. Senão estamos na política para quê?
O PS é o principal partido da oposição, mas a actividade da estrutura concelhia do partido praticamente não tem existido e a oposição acaba por ser feita de forma algo desgarrada tanto na câmara como na assembleia municipal. O PS tem feito oposição. Os vereadores na câmara municipal têm feito uma oposição muito responsável. Aliás, se não fosse responsável e a olhar para os interesses de Santarém, a câmara poderia estar pior do que efectivamente está.
Acha uma posição responsável o chumbo do projecto para construção de um crematório em Santarém, abrindo as portas a que esse equipamento seja instalado em Almeirim. Sim, porque não foi feito nenhum estudo que dissesse que aquele era o melhor lugar. E já temos ali alguns problemas de lotação do próprio cemitério, que são conhecidos. Estaríamos a pôr um tampão num problema que já existe, em vez de o solucionar. Se vamos construir algo de raiz, por que não noutro sítio onde a expansão possa ser efectiva durante muitos anos?
Há falta de ambição? Muita. Acho que é o que caracteriza melhor esta câmara: pagamos as taxas máximas e o retorno é mínimo.
Quando houve ambição a dívida cresceu exponencialmente e houve fortes críticas por parte da oposição. Mas eu não a caracterizaria como uma ambição política que tivesse objectivos. Era completamente desgarrada. Havia festas e mais festas mas não traziam retorno nenhum.
Diz que a Câmara de Santarém tem tido pouca ambição, mas tendo em conta as condicionantes financeiras impostas aos municípios, se calhar hoje seria difícil fazer muito melhor. Não concordo. Há uma coisa que qualquer câmara tem que assegurar, que é a limpeza, o cuidar dos espaços verdes e a iluminação. Há o mínimo dos mínimos que deve ser cumprido e nem isso a Câmara de Santarém tem conseguido. O actual presidente de câmara está cá há muitos anos e não lhe conheço uma ideia estruturante.
Esta gestão camarária tem conseguido reduzir substancialmente a dívida do município. O que pensa disso? Acho que tem sido a única coisa bem feita. Quanto à análise contabilística, não tenho nada a apontar. Agora podemos ver quais são os constrangimentos que isso causa. Santarém perdeu cerca de um milhão e meio de euros de investimento de 2013 para 2015. Isto deve-se também à falta de investimento da câmara em vários aspectos. Um deles tem a ver com as barreiras de Santarém. Temos a principal ligação a Almeirim cortada há mais de dois anos.
O processo está a arrastar-se por questões burocráticas, dependendo do visto do Tribunal de Contas. Existe sempre alguma desculpa para as coisas se atrasarem. A Loja do Cidadão esteve cinco ou seis anos para ser feita. Em Arruda dos Vinhos demorou oito meses.
O presidente da câmara tem reivindicado a requalificação da estrada nacional que liga Santarém a Alcanede, que é tutelada pelo Governo. E a EN114 que está cortada em Santarém também, embora a câmara vá ajudar a pagar a obra. Tem é faltado a resposta da administração central. A actuação municipal tem sempre duas vertentes. Tem a do seu investimento directo e a que muitas vezes não se vê, a de bastidores. E força política é coisa que não existe no presidente da Câmara de Santarém. Não tem peso político em Lisboa e não sei se faz algum esforço para o ter. Um presidente de câmara de uma capital de distrito tem que fazer muito mais.

Os políticos têm de ter uma conduta acima de qualquer reparo

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