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Corpo prisional de Vale de Judeus descontente com chefias e isso reflecte-se no serviço

Um terço dos guardas da cadeia apresentou atestados médicos durante a época de Natal e Ano Novo. Acusam a chefia de “desconhecer a realidade da prisão” e de “nunca sair do gabinete”. A Direcção Geral de Reinserção e Serviços Prisionais reconhece o número “elevado” de baixas médicas, mas garante que a “segurança das pessoas e das instalações” não está em causa.

Edição de 26.01.2017 | Sociedade

O ataque pelas costas a um guarda prisional por parte de um recluso na quinta-feira (19 de Janeiro), durante uma revista à cela, pode não ter sido apenas um episódio pontual no quotidiano do Estabelecimento Prisional (E.P.) de Vale de Judeus, em Alcoentre. Um mês antes já outro recluso tentara a fuga, em plena corrida na pista exterior, “sem que tivesse recebido a sanção adequada”, contou a O MIRANTE Jorge Alves, presidente da direcção do Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional (SNCGP). O sindicalista garante existir “um grande descontentamento dos guardas prisionais com um reflexo directo no comportamento dos reclusos”.
Na época de Natal e Ano Novo, 57 dos 155 guardas ao serviço da prisão apresentaram atestados médicos, uma informação confirmada pela Direcção Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP). No entanto, a DGRSP refuta que esse “elevado número de baixas” esteja relacionado com o mau ambiente entre chefia e subordinados. “Dado que esta Direcção Geral não tem competências para avaliação clínica, é levada a crer que terão sido razões de saúde que determinaram que médicos passassem os respectivos atestados”.
Para o sindicato, não há dúvidas que esse é apenas mais um sinal do descontentamento do corpo prisional. “Com essa redução de guardas há serviços que não ficam assegurados e também cresce a tensão entre os reclusos”, sublinhou, adiantando que também existem guardas que estão a abdicar de postos de chefia por não concordarem com as directrizes do chefe (ver caixa). Mas a DGRSP assegura que “a segurança das pessoas e das instalações não é posta em causa em função da relação interpessoal existente entre elementos do corpo da guarda prisional e a sua chefia”.
De acordo com fonte de O MIRANTE e segundo o presidente da direcção do SNCGP é na figura do chefe dos guardas que se concentram todas as queixas. “Dizem que o chefe nunca sai do gabinete e que desconhece a realidade da prisão”, diz Jorge Alves. “O que se passa é que temos um chefe dos guardas que vive de costas voltadas para a sua equipa e um director que parece ter feito um voto de silêncio”, acusa o responsável.
A O MIRANTE, Ribeiro Pereira, director do E.P. de Vale de Judeus, afirmou que “um director de um estabelecimento prisional não está autorizado a comentar publicamente o que se passa dentro da prisão que dirige”. O nosso jornal tentou entrar em contacto com o chefe dos guardas, mas foi-nos dito que este se encontrava ausente das instalações, por se encontrar de férias até ao final da semana.

Não estão a ser feitas rusgas obrigatórias, diz o sindicato
O sindicalista revela que “os guardas querem avançar com um abaixo-assinado para pedir a sua destituição”. A insatisfação em relação à conduta do chefe dos guardas terá sido já comunicada ao director da cadeia, Ribeiro Pereira, mas este tem-se mantido “em silêncio”. As consequências, para o sindicalista, são inevitáveis e podem mesmo colocar em risco “a segurança e a eficiência dos guardas prisionais”, como aconteceu na semana passada, durante uma revista a uma cela. “Também não estão a ser feitas as duas rusgas anuais obrigatórias, além das que se vão fazendo aleatoriamente”, afirma Jorge Alves.

Guardas abdicam de cargos de chefia

Segundo Jorge Alves, cada vez mais elementos do corpo prisional em Vale de Judeus têm abdicado de assumir cargos de responsabilidade, por não concordarem com as ordens do chefe. “Existem situações - como as dos chefes de sala, que têm de ficar de segunda a sexta-feira na prisão e são responsáveis por todas as questões relacionadas com os reclusos daquela sala - que têm abdicado dessa função, por não se reverem na conduta do chefe”, revelou.

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