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Estrada nacional que atravessa Alburitel é um perigo para os peões
Perigo. Morador de 82 anos foi atropelado mortalmente quando saiu de casa

Estrada nacional que atravessa Alburitel é um perigo para os peões

Localidade do concelho de Ourém é atravessada pela Estrada Nacional 113. São mais de três quilómetros de via sem bermas ou passeios em condições. Na semana passada morreu uma pessoa atropelada.

Edição de 26.01.2017 | Sociedade

Circular a pé em Alburitel, no concelho de Ourém, pode tornar-se uma tarefa complicada e perigosa para os mais de mil moradores. Isto porque os 3600 metros da Estrada Nacional 113 que atravessam a localidade não possuem passeios e as bermas ou são valetas ou são pequenos pedaços de terra batida que obrigam a andar na estrada. Na última semana, Luís Ribeiro Lopes, 82 anos, foi atropelado mortalmente quando saía de casa. “Foi um acidente. Não há mais nada a dizer. Podia ter acontecido a qualquer um”, disse a O MIRANTE a filha, Anabela Gaspar.
Mas entre o sentimento de consternação e as circunstâncias fatídicas todos sabem o perigo que se corre ao circular-se a pé ao longo da EN 113. “Agora já não tem tanto trânsito. Antes do IC9 era muito pior”, sustenta a O MIRANTE Armando Duarte, residente em Alburitel.
Outro morador, José Faria, refere a falta de passeios ao longo da estrada que “são valetas com 10 centímetros”, indicando que “há pouco tempo fizeram passeios novos em Seiça onde mora meia dúzia de pessoas”. O melhor seria “tirar os semáforos que só existem para a caça à multa”, opina. E em vez da sinalética sugere “lombas da largura de um passeio” para controlar a velocidade dos veículos.
O presidente da Junta de Freguesia de Alburitel, Elias Silva, discorda. Explica que as lombas não são viáveis: “Primeiro porque a EN 113 é da responsabilidade da Infraestruturas de Portugal, que é renitente a colocar lombas numa estrada nacional. E segundo porque ao longo de 3600 metros de casas à beira da estrada seria necessário colocar lombas de 100 em 100 metros”, justifica.
No entanto, o autarca admite uma luta de 20 anos junto da Câmara de Ourém no sentido da construção de passeios junto da estrada nacional. “As pessoas são obrigadas a andar na estrada. Se o acidente que envolveu Luís Ribeiro Lopes aconteceu por isso já são especulações. Até porque junto à sua casa, onde ocorreu o acidente, não há valeta mas terra batida”, afirma.
O responsável refere, no entanto, que já aconteceram “vários atropelamentos” por falta de passeios. “Sei que este executivo tem-se movido junto da administração central, do Governo para que o problema seja resolvido... mas têm sido promessas atrás de promessas”, desabafa Elias Silva.
O presidente cumpre o seu último mandato na junta e diz que “gostava de ir embora com passeios feitos” na EN 113. Segundo a última informação que recebeu sabe que “estão disponíveis 100 mil euros para passeios em Alburitel, mas em contrapartida a Infraestruturas de Portugal quer que o município fique responsável pela manutenção e conservação da estrada na sua extensão de 3600 metros”. A Câmara de Ourém ainda não comunicou se aceita tal troca.

Cunhados morrem em acidentes no mesmo dia

Contrariamente ao que foi noticiado por alguns órgãos de comunicação social, o atropelamento de Luís Ribeiro Lopes não ocorreu numa passadeira nem o condutor se colocou em fuga, sem prestar auxílio à vítima mortal. O major Pedro Reis, do Comando Territorial de Santarém da GNR, explicou que o condutor está identificado e que o Núcleo de Investigação de Crimes em Acidente de Viação está a investigar. De acordo com o que O MIRANTE apurou, o condutor era uma vizinha da vítima.
No mesmo dia 17 de Janeiro, cerca de duas horas antes, Artur Pereira de Sousa também foi vítima mortal de um acidente de viação na mesma estrada. Cerca das 16h30, um condutor “encandeado pelo sol” bateu com o carro na traseira do tractor que a vítima, de 80 anos, conduzia, projectando-a contra a parede.
“Uma aldeia inteira consternada, dadas as circunstâncias de terem sido acidentes mortais a 300 metros um do outro. Não há memória de algo igual”, garante Elias Silva. Os falecidos, “pessoas muito interessadas na terra, conhecidas e de boas relações com toda a comunidade”, eram cunhados. E foi por isso que as cerimónias fúnebres ocorreram na tarde de quinta-feira, dia 19, à mesma hora. “A igreja não chegou para albergar todas as pessoas”, concluiu o autarca.

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