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22/08/2017
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“Os funcionários respiraram de alívio quando Luís Ferreira deixou a Câmara de Tomar”

“Os funcionários respiraram de alívio quando Luís Ferreira deixou a Câmara de Tomar”

José Manuel Pereira cumpre o primeiro mandato como presidente da Assembleia Municipal de Tomar

Edição de 02.03.2017 | Entrevista

José Manuel Pereira é eleito há quatro mandatos na Assembleia Municipal de Tomar mas este é o primeiro como presidente desse órgão. É professor aposentado. Não gosta de estar parado e dedica grande parte do seu tempo às colectividades do concelho. É um dos militantes mais antigos do PS de Tomar e diz que o melhor que o partido fez foi afastar Luís Ferreira, antigo chefe de gabinete da presidente da câmara. Uma entrevista a O MIRANTE na semana em que Tomar celebra a sua fundação.

Acredita que o PS volta a ganhar a Câmara de Tomar este ano? Acredito que sim. O PS tem feito coisas que mais ninguém teve capacidade para fazer. Nota-se desenvolvimento no concelho. Nunca foi possível investir muito porque nunca houve muito dinheiro mas mesmo assim aquilo que conseguimos melhorar e conseguimos transportar para o exterior em termos de imagem daquilo que é Tomar está à vista com investimento. Há lojas novas a abrir e nota-se investimento a ser feito.
A gestão PS/CDU na Câmara de Tomar foi a melhor opção? Não havia outra alternativa. Não quer dizer que tenha sido a melhor opção mas foi a necessária e possível na altura.
A câmara seria ingovernável sem esta coligação? A câmara não teria possibilidade de passar muitos projectos sem esta coligação. Fez-se uma ‘geringonça’ a nível local mas julgo que funciona e tem aparecido obra e acordos em conjunto, tanto dos vereadores do PS como da CDU.
Esta coligação pode prejudicar o PS nas autárquicas que se realizam este ano? Não acredito porque a população de Tomar sabe como o trabalho tem sido desenvolvido ao longo destes quatro anos. É melhor haver quatro vereadores em maioria do que apenas três em minoria. O vereador da CDU tem colaborado com os vereadores do PS e vice-versa. O trabalho é conjunto e tem aparecido trabalho bom e bem feito e vai aparecer ainda mais.
Vê com bons olhos a continuação da coligação se o PS não conseguir maioria absoluta? Se funcionou durante este mandato não vejo qualquer problema em que volte a haver uma coligação depois das eleições. É sinal que os políticos, apesar de serem de partidos diferentes, conseguem trabalhar em conjunto e em prol do desenvolvimento do concelho.
A desvinculação do PS do deputado Luís Ferreira na assembleia municipal foi um fardo ou um alívio para o partido? Foi um alívio para o PS e para o concelho.
Porquê? Conheço e lido com o Luís há muitos anos e sei que é um trabalhador nato, aplica-se nas coisas mas, de há uns anos a esta parte, tem uma visão muito distorcida da realidade. Só o que ele vê e como pensa é que está bem. Só com a sua maneira de ver é que as coisas funcionam e tem que ser tudo como ele quer, o que deu origem a casos complicados e a esta ruptura. Para o PS em Tomar foi um alívio.
Luís Ferreira está como deputado não adstrito na assembleia municipal. Deveria ter renunciado ao mandato? Acho que sim. Continuo a trabalhar e lidar bem com ele, tenho conversado com ele, tentado responder às suas solicitações mas não é fácil. Ele disse que tudo faria para não causar problemas à minha imagem e à minha pessoa e tem cumprido. No entanto, não o faz perante todos os colegas da assembleia. A sua maneira de trabalhar é um bocado diferente de todos os outros.
A presidente da câmara municipal saiu fragilizada com esta situação de ruptura pessoal e política com Luís Ferreira, seu ex-chefe de gabinete e ex-companheiro afectivo? Acho que a presidente Anabela Freitas, que acredito que vai manter-se no cargo por mais quatro anos, ficou algo fragilizada com o que inventaram sobre esta situação. Mas todos nós, que estamos à sua volta, apoiámo-la e sinto que agora está cheia de vontade de trabalhar e com muita energia para dar o melhor de si ao concelho e à sua população.
As divergências do PS com Luís Ferreira podem prejudicar o partido nas próximas autárquicas? As pessoas aperceberam-se que o Luís Ferreira não sabia trabalhar com os outros. Os funcionários da câmara tinham medo de falar com Luís Ferreira e respiraram de alívio quando ele deixou a câmara. Para Tomar, e para ele próprio, é melhor que enverede por outros caminhos. As pessoas apercebiam-se que Luís Ferreira causava muito mau-estar em todo o lado. Para o concelho o melhor foi terem afastado o Luís Ferreira.

“Gostava que acabassem as intrigas e que todos trabalhassem em prol do concelho”

Como surgiu o desafio para liderar a lista do Partido Socialista (PS) à Assembleia Municipal de Tomar? Os meus colegas de partido aperceberam-se que, no anterior mandato, eu conseguia, na ausência do presidente Miguel Relvas, conduzir os trabalhos e os serviços do órgão. Perceberam que eu me sentia à vontade para desempenhar o cargo e decidiram que seria eu o candidato do PS. E para as próximas eleições autárquicas vai ser proposto o meu nome para liderar novamente a lista do PS à assembleia municipal.
É um homem de consensos? Sinto-me satisfeito por conseguir trabalhar com todas as forças políticas. Melhor ou pior noto que há sempre um consenso, não há tanta agitação como era habitual nos anteriores mandatos. Conseguimos, com certa facilidade, encontrar consenso para levar os assuntos à assembleia municipal. Faço questão de ser amigos de todos e o diálogo é aberto e franco com todos.
Que balanço faz destes três anos e meio de mandato? Julgo que colaborei na melhoria de alguma coisa pelo meu concelho. Foi sempre essa a minha preocupação porque nunca vivi da política. Exerci sempre o meu cargo de professor, de onde vem a minha reforma. Sinto-me realizado porque considero que ajudei a melhorar o meu concelho.
O que é mais difícil gerir enquanto presidente da Assembleia Municipal de Tomar? Quando é apresentado o Plano de Actividades e Orçamento para o ano seguinte é sempre o momento mais difícil para se chegar a consenso. Recentemente, tivemos o caso do regulamento do estacionamento tarifado em Tomar. Há quem diga que tem sido um processo polémico mas eu não acho, porque tive o cuidado de manter um diálogo franco e aberto com todos os líderes de bancadas. Reunimos todos com os técnicos da câmara que elaboraram o regulamento para que fossem tiradas as dúvidas antes do documento ir à aprovação da assembleia municipal.
Não houve consenso? Na reunião de líderes de bancada o documento foi aprovado por todos e na assembleia foi aprovado apenas com a abstenção do eleito do Bloco de Esquerda. Passadas duas semanas vieram vários eleitos reclamar que o regulamento do estacionamento tarifado estava mal, não funcionava. Fiquei espantado. Como é que uma pessoa muda de ideias ao fim de 15 dias quando todas as dúvidas foram tiradas entre todos os líderes das várias bancadas políticas.
Falhou alguma coisa neste processo? Aceito que esteja alguma coisa a falhar. Concordo quando se fala no caso concreto das bolsas reservadas às ZET [Zona de Estacionamento Tarifado] 1 e 2, talvez sejam muitos lugares reservados nesses locais. É talvez o que não está correcto a 100%. É preciso perceber que se queremos mais pessoas a virem a Tomar ao comércio e às compras tem que haver lugares de estacionamento e agora temos. Antes da implementação do regulamento isso não existia. Já ouvi elogios a esta nova medida porque agora existem lugares para estacionar, mesmo que seja pago. Temos que ter condições para receber os visitantes.
O que lhe deu mais prazer durante este mandato? Ver fazerem-se obras que já deviam ter sido feitas há 20 ou 30 anos como, por exemplo, a Ponte do Carril, a obra da ponte sobre a ribeira; vai ser concluído brevemente um troço de estrada para ligar a Serra de Tomar à sede do concelho; o mercado municipal foi uma obra muito importante para Tomar; a obra de recuperação do Complexo da Levada. Sinto-me feliz por todas estas obras. Há quantos anos se andava para recuperar a estrada de acesso da Estrada de Leiria à Nossa Senhora da Piedade.
Que presente oferecia a Tomar na data da sua fundação [1 de Março]? Saber que a recuperação do quartel de bombeiros é agora uma realidade. As obras começaram no final de Fevereiro. Vai arrancar este ano o saneamento em Palhavã. Há quantos anos se fala nessa obra? Nunca ninguém teve coragem de pegar nesta obra. Nós tivemos e vamos arrancar com ela. O arranjo, melhoramento e embelezamento da Várzea Grande, com estacionamento tanto para carros como autocarros e o arranjo exterior do Convento de São Francisco. São obras que vão arrancar em 2017 e que vão ser prendas para o concelho.
Como se resolve a poluição no rio Nabão? Nasci e cresci junto ao rio Nabão e aprendi lá a nadar. Infelizmente, desde sempre que houve poluição no Nabão. A diferença é que na altura não havia tanta espuma como hoje. Antigamente, já havia lagares a fazerem descargas para as ribeiras que vinham parar ao rio. O problema não é só da ETAR de Seiça. Há fábricas e particulares a fazerem descargas para lá. A Câmara de Tomar só tem capacidade para pressionar que se faça alguma coisa. É um problema muito complicado e difícil de resolver porque não acredito que as fontes de poluição sejam só a ETAR de Seiça.
Tomar tem sabido aproveitar os seus recursos turísticos da melhor forma? Dentro das possibilidades sim. Estive durante oito anos na direcção da Região de Turismo dos Templários e julgo que ajudamos a promover a região. Não é por acaso que muitos turistas vêm a Tomar. Sempre fizemos por divulgar a nossa terra. Vamos melhorar a Sinagoga que traz muitos turistas a Tomar. Além do nosso ex-libris que é o Convento de Cristo. É impressionante, sobretudo no Verão, ver circular grupos e grupos de turistas na cidade. Acho que temos feito muito pela nossa terra.
O que faz mais falta a Tomar? Faz falta haver uma união de esforços e deixar de haver tão maldizentes em Tomar. Custa-me ver criticar, por exemplo, prémios que Tomar recebeu e dizerem que são prémios que não têm valor nem significado. Nunca vi essas pessoas fazerem nada por Tomar. Gostava que acabassem as intrigas e que todos trabalhassem em prol de mais crescimento do concelho.
É presidente da direcção do Grupo de Forcados Amadores de Tomar. É aficionado? Desde pequenino. Gostava de ir ver chegar os toiros que vinham a pé conduzidos pelos campinos e cabrestos até à praça de toiros. Ainda fui a uns treinos de forcados mas não durou muito porque havia uma vaca muito mazinha e fartei-me de levar marradas (risos). Não deu tempo para partir nada porque percebi que não dava para forcado.
As corridas de toiros têm cada vez menos espectadores. A festa brava tem os dias contados? Acredito que não. Há um grupo significante de pessoas que gosta da festa brava. Esta é uma área que cria muitos postos de trabalho no país e deve continuar a existir. Quem se diz anti-taurino nunca viu como se matam toiros e vacas nos matadouros. É igual, os animais não morrem logo também. São tradições que devem ser respeitadas e mantidas.

Um entusiasta do associativismo

José Manuel Pereira nasceu a 30 de Dezembro de 1948, no número 50 da Rua Fábrica da Fiação, em Tomar, junto ao rio Nabão. Nasceu em casa com uma parteira devido aos conhecimentos do pai que trabalhou durante meio século na farmácia da Misericórdia e conhecia algumas parteiras do Hospital de Tomar. Trabalhou nas oficinas das OGMA (Oficinas Gerais de Material Aeronáutico), em Alverca do Ribatejo. Foi professor de Trabalhos Manuais e deu aulas em todas as escolas de Tomar, excepto na Jácome Ratton, onde foi aluno. A última escola onde trabalhou antes de se reformar, há cerca de cinco anos, foi no antigo Colégio Nuno Álvares Pereira.
Zeca, como é conhecido pelos amigos, não sabe estar parado e adora colaborar com as instituições do seu concelho. Foi dirigente associativo de várias colectividades e fundador da secção de campismo e caravanismo no Sporting de Tomar. Já passou por diversas comissões da Festa dos Tabuleiros. Esteve oito anos na direcção da Região de Turismo dos Templários. Também foi presidente da direcção da Canto Firme e confessa-se orgulhoso com o trabalho desenvolvido. “Ajudei a avançarmos com a sede da colectividade. Quando começamos a câmara municipal cedeu-nos uma casa velha que recuperamos. Fiquei lá até deixar a instituição mais ou menos arrumada e construída. Faltou-me o auditório que foi feito depois de ter saído”, recorda.
Já vai no terceiro mandato à frente da Liga dos Amigos dos Bombeiros de Tomar, instituição pela qual também tem grande carinho. “Quando entrei a casa estava um bocadinho desarrumada. Consegui, com a direcção, colocá-la no bom caminho. Estamos perto dos 3800 sócios e temos uma quantia no banco para o caso dos bombeiros necessitarem. O ano passado a Liga ofereceu uma ambulância aos Bombeiros de Tomar”, refere.
Na juventude jogou futebol de salão, em Carvalhos de Figueiredo, e futebol na Matrena. Praticou andebol no Sporting de Tomar, onde era guarda-redes. Amante de pesca, foi campeão nacional de pesca desportiva de rio pelo Sporting de Tomar. É o único campeão desta modalidade, a nível individual, do clube. É um dos mais antigos filiados do PS de Tomar. Já leva quatro mandatos na Assembleia Municipal de Tomar. Esteve na bancada, foi segundo secretário e primeiro secretário, estando actualmente a ocupar o cargo de presidente desse órgão.
Casado há 38 anos, tem dois filhos e um neto. Nos tempos livres gosta de se dedicar à agricultura e jardinagem, algo que realmente lhe dá prazer e onde se consegue abstrair de todos os problemas.

“Os funcionários respiraram de alívio quando Luís Ferreira deixou a Câmara de Tomar”

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