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26/03/2017
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INVESTIGAÇÃO. As escavações no sistema de grutas onde foi encontrado o crânio vão continuar
Encontrado em Torres Novas crânio humano mais antigo de sempre em Portugal
Descoberta feita por equipa internacional de arqueólogos na gruta da Aroeira, em 2014, será a peça central de uma exposição que abre em Outubro no Museu Nacional de Arqueologia, em Lisboa.
Edição de 15.03.2017 | Sociedade

Uma equipa internacional de arqueólogos descobriu na gruta da Aroeira, no concelho de Torres Novas, o fóssil humano mais antigo já encontrado em Portugal, um crânio com cerca de 400 mil anos. Liderados pelo português João Zilhão, os arqueólogos apresentaram as suas conclusões num estudo publicado na edição desta semana do boletim da Academia Nacional das Ciências dos Estados Unidos.

“É o mais antigo fóssil encontrado em território português e um dos mais antigos da Europa”, disse João Zilhão à agência Lusa. Nunca se tinha encontrado um fóssil humano da altura média do Pleistoceno, que cobre o período desde há 2,5 milhões de anos até há 11,5 mil anos, num local tão ocidental da Europa.
O arqueólogo indicou que o interesse deste fóssil, descoberto em 2014, é que está “muito bem datado e passa a ser padrão de referência para interpretação de outros fósseis bem completos mas com datação mais imprecisa”.
As escavações no sistema de grutas onde foi encontrado este crânio vão continuar porque “faz sentido tentar encontrar mais material”, desde logo “mais restos do esqueleto deste indivíduo ou até as partes do crânio que estão em falta”.
Trata-se de um antepassado “a meio caminho entre o ‘homo erectus’, que apareceu em África há entre 1,5 e dois milhões de anos e os mais recentes, a que chamamos Neandertais na Europa e modernos em África”. O local da descoberta “tem potencial, pelas condições geológicas, para ter vestígios de todas as épocas do último meio milhão de anos”.
Na gruta foram encontrados também restos de animais e ferramentas de pedra, como machados. São dados que dão aos cientistas informação sobre o ambiente e o clima da época, a par de restos de lareiras, carvão e pólenes. O fóssil, recuperado em 2014, foi retirado do local incrustado num bloco único de sedimentos e levado para um centro de investigação em Madrid, Espanha, onde os especialistas o conseguiram separar ao cabo de dois anos de trabalho.

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