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“Sei fazer tudo na cozinha menos sopa da pedra”
Joaquim Catalão, 52 anos, presidente da Junta de Freguesia de Almeirim.
Edição de 15.03.2017 | Três Dimensões

Passou a sua infância em Almeirim num tempo em que havia rivalidade acesas entre bairros. Interrompeu os estudos porque sentiu necessidade de ir trabalhar. Assim que lhe foi possível voltou a estudar e fez uma licenciatura em Gestão de Recursos Humanos. O seu primeiro emprego foi na central dos Bombeiros Voluntários de Almeirim. Depois foi subindo até chegar a assessor da direcção. Foi para a política influenciado pelo seu antecessor na presidência da Junta de Freguesia, Joaquim Sampaio.

Na minha infância havia rivalidades entre bairros de Almeirim. Eu era do bairro das Milheiras e havia o Pupo, as Popas, a Argélia, a Tróia. Estamos a falar dos anos 70 e era bastante complicado um miúdo das Milheiras, com oito ou nove anos de idade, passar pelo Pupo, por exemplo. Naquela altura andávamos a pé e de bicicleta.

Interrompi os estudos porque senti que tinha que trabalhar. Na altura só o meu pai é que trabalhava. Fiz o ensino secundário no Liceu em Santarém e não continuei. Nunca passámos necessidades mas entendi que deveria ser assim e foi o que fiz. Mas não desisti do meu sonho de tirar uma licenciatura.

Fiz a licenciatura de Recursos Humanos à noite enquanto trabalhava nos Bombeiros Voluntários de Almeirim. Acabei a licenciatura com 28 anos. Nos Bombeiros comecei na central, cheguei a adjunto do comandante e a assessor da direcção e foi nessa altura que conheci o Joaquim Sampaio que me convenceu a entrar na política.

O Joaquim Sampaio era o tesoureiro dos bombeiros. Eu era assessor da direcção e trabalhava directamente com ele. Na primeira vez em que ele foi candidato, em 1989, fui na lista dele e acompanhei-o sempre até ele sair da junta em 2013.

Nunca me vi como presidente e se não fosse a lei da limitação de mandatos muito provavelmente não o seria. Sempre vi o Joaquim Sampaio como presidente. Fiz cinco mandatos com o Joaquim Sampaio, ou seja estive vinte anos como numero dois dele.

Aprendi que quando somos eleitos para estes lugares estamos aqui para servir a população. Para fazermos isso devemos estar em permanente contacto com as pessoas e é isso mesmo que gosto de fazer. Faço questão de falar com toda a gente e por vezes até me falam da vida pessoal, dos seus problemas, das suas doenças.

Cumprimento sempre as pessoas na rua mesmo que não as conheça. Um bom dia ou boa tarde não faz mal a ninguém. Mas só faço isto aqui no interior porque se fizer em Lisboa chamam-me maluco.

Faço criação de ovelhas para consumo próprio. É um passatempo de que gosto bastante. Tudo começou porque tinha um terreno que não estava cultivado. Como não percebo muito de agricultura, vedei-o e coloquei lá vinte e poucas ovelhas. Ainda pensei em vacas mas era mais complicado. Ao fim-de-semana lá tenho que ir tratar delas.

Tive de arranjar um cão que guarda as ovelhas. De início quando lá chegava ao fim-de-semana tinha surpresas desagradáveis como ovelhas mortas por cães vadios. Aqueles animais que crio são basicamente para o consumo da minha família.

Sou bom cozinheiro e sei fazer praticamente tudo menos sopa da pedra. As minhas especialidades são feijoada de chocos e borrego estufado. De cozinha “gourmet” como agora se usa não percebo nada. Gosto de comida à base do grão, do feijão, tudo coisinhas leves...(risos). Fui sempre um bom garfo mas agora com a idade tenho tentado ter mais cuidado com a alimentação. Não faço nenhum exercício físico a não ser ao fim de semana quando vou limpar o curral das ovelhas.

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