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29/05/2017
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Falsa espírita arruinou apaixonada que queria conquistar homem casado
Arguida acusada de extorquir para bruxarias quase 67 mil euros a mulher da Chamusca. Uma residente no concelho da Chamusca apaixonou-se por um homem casado e para tentar que este deixasse a mulher recorreu a uma espírita que lhe prometeu fazer o “arranjinho” amoroso. Mas o que a arguida, com a ajuda do marido, fez foi extorquir a vítima, que gastou todo o dinheiro que tinha e ainda arruinou as poupanças e os bens em ouro dos pais. A falsa espírita e o marido respondem agora por crimes de burla e extorsão.
Edição de 29.03.2017 | Sociedade

Uma mulher de 39 anos do concelho da Chamusca levou os pais à ruina e ficou sem as suas poupanças por causa de uma falsa bruxa, a quem pagava para conseguir ficar com um homem casado por quem estava apaixonada. O caso está agora em julgamento e a suposta espírita, acusada pelo Ministério Público de burla qualificada e extorsão, conseguiu espoliar cerca de 66.580 euros “à custa do empobrecimento da assistente (vítima) “e dos pais, segundo refere a acusação. A arguida, de 39 anos, natural de Torres Novas, já tinha sido condenada pelo Tribunal de Tomar a cinco anos de prisão e a pagar uma indemnização de 101 mil euros, por uma situação idêntica em 2009.
A falsa espírita contou com a colaboração do marido, Filipe Pereira, que também responde pelos mesmos crimes. O Ministério Público diz que a partir de pelo menos Janeiro de 2013, o casal decidiu “desenvolver um esquema para obter dinheiro à custa de pessoas que acreditassem nos poderes para resolverem problemas amorosos”. Nesse sentido puseram um anúncio num jornal dando conta que se tratava de uma espírita de longos anos e que tinha a especialidade de fazer “trabalhos amorosos rápidos”. Foi assim que a vítima, que confessou estar apaixonada por um homem casado e não estar a ser correspondida, contactou Sandra Pereira, residente no concelho de Salvaterra de Magos.
Poucos dias após o primeiro contacto, a apaixonada depositou três mil euros na conta do marido da falsa espírita, uma vez que era ele que controlava a parte financeira do esquema. A acusação refere que ao aperceberem-se que a vítima estava disposta a dar dinheiro para ver o seu problema resolvido, “decidiram continuar a obter dinheiro à sua custa”. A arguida ia empatando a queixosa, dizendo ao telefone que o “trabalho era muito complexo” e que tinha de ser “executado por etapas”, mas dava sempre a esperança de que se iriam obter resultados. A arguida pedia ainda à mulher para não contar a outras pessoas sob pena de o trabalho não funcionar.
Entre contactos durante um mês a vítima já tinha dado aos suspeitos 24 mil euros. Começou a recorrer às poupanças de vida dos pais e mesmo quando comunicou à suposta espírita que já tinha gasto o dinheiro todo, esta continuou a explorá-la dizendo que aceitava peças em ouro como pagamento. Movida pela paixão e iludida com as promessas de Sandra Pereira a burlada acabou por entregar perto de nove mil euros em ouro. Mas Sandra não descansava enquanto não obtivesse o máximo de benefício e ameaçava a vítima que “desmanchava o trabalho” se ela não lhe entregasse mais dinheiro.
Segundo apurou o Ministério Público na investigação, a arguida chegou a ameaçar a mulher do concelho da Chamusca de que tinha forma de fazer mal à mãe desta. A arguida referiu, numa altura em que a mãe da vítima estava no hospital, que ela ia ficar pior dos problemas de saúde que tinha e que ia sair do hospital sem uma perna. A falsa espírita e o marido estão agora a responder no Juízo Central Criminal de Santarém por crimes, em co-autoria, de burla qualificada e de extorsão.

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