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“Não era daquelas crianças que diziam que queriam ser isto ou aquilo”

“Não era daquelas crianças que diziam que queriam ser isto ou aquilo”

José Luís André é sócio gerente da Gestiverde em Abrantes onde nasceu

Edição de 29.03.2017 | Três Dimensões

Tem 55 anos e é sócio gerente da empresa Gestiverde, em Abrantes, onde nasceu. Da sua terra ninguém lhe ouvirá dizer mal mas lamenta que não consiga captar investimentos que gerem mais emprego. José Luís André, Engenheiro zootécnico, gosta de viajar mas evita locais distantes. Por isso diz que deve ser difícil visitar alguns países da Ásia que o fascinam.

O meu primeiro emprego foi em 1986 na Cooperativa Abrantejo que já não existe. Naquela altura quase todas as cidades tinham cooperativas agrícolas. Licenciei-me em engenharia zootécnica na Universidade de Évora. Acabei o curso em Fevereiro e em Junho comecei a trabalhar. Estive na Abrantejo um ano e meio. Durante os anos de estudo gostava de ter feito um curso de máquinas agrícolas mas não o fiz.

Houve uma altura da minha vida em que dei aulas a tempo parcial. Acumulava com a actividade empresarial. Dei aulas em escolas secundárias e na Escola Profissional de Desenvolvimento Rural de Abrantes durante muitos anos. A partir de certa altura achei que já não tinha tempo para dar aulas e acabei por fazer em exclusivo aquilo que faço hoje. Dei aulas de Matemática, Ciências e de gestão de empresa agrícola.

Não era daquelas crianças que dizem que querem ser isto e aquilo quando forem grandes. De um modo geral queria estar ligado ao campo e assim aconteceu. Havia a Engenharia do Ambiente, o sector florestal, a pecuária. Optei pela pecuária, se bem que hoje em dia a minha vida se estenda à área agrícola e florestal. Gostava de um dia ter o meu próprio projecto agrícola, uma coisa pequena para me entreter.

Os meus pais não tiveram hipótese de estudar mas deram-me essa possibilidade. Nunca me influenciaram para ir para nenhum curso. Fui livre nas opções que tomei. A relação com os meus pais era boa. Tinham negócios próprios e sempre os ajudei muito, mesmo durante a universidade nomeadamente nas férias e nos fins-de-semana.

Desporto só pratiquei quando era jovem. Fui futebolista federado nos iniciados e juvenis. Também joguei basquetebol, apesar da minha altura, nos Dragões de Alferrarede e quando estudava em Évora pratiquei ténis. Sou sócio do Sporting com dois lugares cativos no Estádio de Alvalade e sempre que posso vou ao futebol.

Sou gerente da Gestiverde que trabalha na área da consultoria agrícola, florestal e agroflorestal. Estou ligado a esta empresa desde 1994 e faço parte da direcção da ANEFA (Associação Nacional de Empresas Florestais, Agrícolas e do Ambiente) há 10 anos.

A nossa actividade tem altos e baixos porque estamos muito dependentes dos fundos. Quando há uma maior quantidade de candidaturas abertas temos mais trabalho. A agricultura não foi um sector muito beliscado pela crise, antes pelo contrário. Foi um sector de refúgio para muitos empresários investirem.

Nos tempos livres gosto de ler e de ouvir música. Sempre que posso vou ao cinema e a concertos. Na literatura prefiro dramas, policiais e alguma comédia. Gosto bastante da música dos anos 80 e de portuguesa. Gosto muito de fado e do Miguel Araújo e também do António Zambujo. E ainda da Carminho, GNR, Rui Veloso, Xutos e Pontapés. Gosto praticamente tudo o que é pop/rock.

Costumo viajar pelo menos uma vez por ano. Há anos ia mais para a Europa, agora prefiro as ilhas. A Madeira, onde a minha mulher tem raízes, e os Açores. Viajo pelo país quer em trabalho quer em lazer. Procuro não fazer viagens longas. A mais longa que fiz foi aos Estados Unidos da América. Tenho um sítio onde vou todos os anos que é São Martinho do Porto. Passo lá duas ou três semanas, faça chuva ou faça sol. Há quem diga que São Martinho do Porto é o lugar onde o Inverno vai passar férias.

Tenho dois filhos já homens, com 26 e 28 anos, e como não tenho netos brinco com o meu cão. Passeio quase todos os dias com ele. Costumo sair com a família e também com amigos em ocasiões mais festivas. Interesso-me por política mas nunca tive ambições políticas. Acompanho também a informação económica.

A cidade de Abrantes está muito dependente do sector dos serviços. Faltam investimentos que criem empregos. Precisamos de mais investimento produtivo que possa captar e garantir postos de trabalho. Que possa criar riqueza e expandir a cidade. A pouco indústria que há, nomeadamente do ramo automóvel, é do outro lado do rio em Tramagal e há alguma coisa na zona industrial de Abrantes. Quanto ao resto é uma cidade aprazível com boas acessibilidades que nos permitem ir ao litoral ou ir a Espanha. Estamos aqui no meio e a esse nível é bem posicionada.

“Não era daquelas crianças que diziam que queriam ser isto ou aquilo”

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