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Desfile de cavaleiros e carroças em Benavente para ajudar a Comissão da Picaria

Desfile de cavaleiros e carroças em Benavente para ajudar a Comissão da Picaria

Sessenta cavaleiros, três atrelados, duas dezenas de convidados e um porco no espeto que não chegou para todos. Foi assim o passeio a cavalo organizado pela Comissão da Picaria, no sábado passado, em Benavente.

Edição de 05.04.2017 | Economia

A porco dado não se olha o dente. O ditado nem sequer reza assim, mas como o desfile foi de equinos e cavaleiros, pode bem ser adaptado ao contexto. Todos os anos, a Comissão da Picaria de Benavente organiza um passeio a cavalo, seguido de almoço. Todos sabem a ementa: porco no espeto, chouriço assado de entrada, doces e sobremesas com fartura. O preço de 10 euros por cabeça serve para ajudar a financiar a festa da Comissão, que coincide com a Festa da Sardinha Assada, no último fim-de-semana de Junho em Benavente.
As ajudas são muitas: o porco é oferecido sempre pelo mesmo benfeitor. Costuma chegar vivo, mas desta vez já veio morto e, por isso, houve menos trabalho para Mário Café, responsável por assar o animal no espeto, e também para Délia Café, a mulher e “generala” da cozinha (ver caixa). Mas foi precisamente o porco que gerou preocupação.

Na Quinta da Foz os cavalos correram a galope
Ainda os cavaleiros não tinham chegado e já o animal, devidamente assado, estava pela metade. O passeio a cavalo, que trouxe a Benavente cavaleiros de todo o país e até famílias inteiras, um bebé de meses incluído, começou por volta das dez da manhã. Partiu do Largo do Calvário e desfilou pelas ruas de Benavente, suscitando olhares curiosos. Afinal, não é todos os dias que uma trupe de 60 homens e mulheres a cavalo e três carroças antigas, puxadas por equinos, se mistura ao trânsito e espera, atrás de automóveis, pela mudança de cor do semáforo. O passeio prolongou-se depois pelo caminho mais ansiado: na Quinta da Foz, em plena lezíria, onde se parou para um pequeno-almoço tardio, o famoso “Molha o Bico”. Foi aqui que alguns cavaleiros puderam andar a galope, fazer corridas breves e apreciar o ar puro do Ribatejo. Que, como se sabe, abre bem o apetite.

Febras à última da hora
Na sede do Clube de Caçadores Tiro e Queda Benavense, Mário Café transpirava. Não apenas pelo calor do assado, mas porque fazia contas e por mais que as fizesse, chegava sempre ao mesmo resultado: o porco não ia chegar para todos os comensais. É que antes dos cavaleiros (e pagantes) chegarem ao local do almoço, um grupo de membros do rancho convidado para actuar, tinha aproveitado a oferta do repasto e demorava a deixar a mesa. Como o porco não chegaria, lá se foi buscar “umas febras” para fazer as vezes das fatias de porco assado. A sangria animou as hostes e as sobremesas valeram a espera. Afinal, é tudo por amor à festa, talvez para o ano o porco seja maior.

As mulheres salvaram o almoço

Délia Café é uma mulher de armas. José Barroca, presidente da Comissão da Picaria, diz que a cozinheira é o seu braço-direito. Na verdade, Délia é mais capitão que marujo: foi ela quem reuniu uma dezena de mulheres que preparou o pequeno-almoço para os cavaleiros e ainda o almoço: canja de galinha à moda do campo, arroz e batata-frita, salada rica e doces e sobremesas feitas com o talento destas mulheres que ficam nos bastidores, mas que se calhar até deviam mandar na festa. Porque elas sabem do ofício.
“Estamos a trabalhar desde ontem e hoje de manhã fizemos os doces. É tudo caseiro”, revelou Délia, de sorriso rasgado no rosto mas de olhar duro porque a comida não podia faltar. E não faltou, a solução acabou por vir das mulheres de avental: foi-se buscar mais carne e caprichou-se nos acompanhamentos.

Desfile de cavaleiros e carroças em Benavente para ajudar a Comissão da Picaria

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