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28/06/2017
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Um presidente movido pela adrenalina e incapaz de estar parado
José Gonçalves, 51 anos, é presidente da Cercipóvoa da Póvoa de Santa Iria. O novo presidente da Cercipóvoa, uma das maiores instituições sociais do concelho de Vila Franca de Xira, é um homem que não gosta de estar parado e que viu no associativismo uma forma de dar um contributo cívico à comunidade. Na sua gestão, as contas correntes da instituição já saíram do vermelho mas os passivos elevados só se resolverão com ajuda externa.
Edição de 05.04.2017 | Identidade Profissional

Para se estar à frente de uma colectividade é preciso cultivar os valores da solidariedade, altruísmo e dedicação ao próximo. Quem o diz é José Gonçalves, 51 anos, presidente da Cercipóvoa da Póvoa de Santa Iria, uma das maiores instituições sociais do concelho de Vila Franca de Xira. José é desde Julho de 2015 o presidente da direcção da instituição, depois de ter sido aliciado para integrar a lista para comandar os destinos daquela casa e admite que irá concorrer a novo mandato.
É de São Pedro do Sul, distrito de Viseu, e confessa ter sido um bom aluno na escola e pouco problemático. “Era tranquilo, nunca dava faltas injustificadas”, confessa com um sorriso. Depois da vida militar, encontrou o seu primeiro emprego numa empresa de factoring - semelhante a gestão financeira de activos - onde esteve até 1993. Foi o seu primeiro passo no mundo da banca: entrou no então Banco Mello onde ficou até 1998 e depois entrou noutro banco, o Finibanco, onde prestou serviço até 2013. Entretanto abraçou o seu próprio projecto na área de seguros, trabalhando em parceria com uma multinacional em Lisboa. “No fundo sou um consultor de seguros. Gosto muito do que faço e será para continuar”, explica a O MIRANTE.
Escolheu viver na Póvoa de Santa Iria quando se casou e começou a procurar casa. Quando era jovem, ser piloto de caças chegou a ser o seu sonho profissional mas tal acabou por não se concretizar. “A adrenalina move-me. Não gosto de estar parado”, confessa. Actualmente o trabalho de dirigente na Cercipóvoa ocupa-lhe tanto ou mais tempo que o seu trabalho e por isso, quando pode, gosta de esquecer o trabalho estando com a família e os amigos.
“Ainda tenho os meus pais no norte e quando posso gosto de ir lá acima com alguma regularidade”, refere. José Gonçalves chegou a jogar futebol federado e mais tarde fez umas partidas com amigos. “Mas os joelhos estão todos estragados, tive de deixar-me disso, com roturas musculares e de ligamentos, deixei de jogar”, explica.
Não está arrependido de ter abraçado o desafio de ser director da Cercipóvoa e espera conseguir dar um contributo positivo para melhorar o trabalho da instituição. “É uma instituição muito desafiante de gerir e está um bocadinho melhor do que aquilo que estava. Passámos de um resultado negativo em 2015 de 31 mil euros para um resultado positivo de 83 mil euros em 2016 e com cashflow (quantidade de dinheiro que é recebido e pago) de exploração que aumentou para 239 mil euros. É um resultado bom na parte operacional mas a instituição continua com um passivo de um milhão e 700 mil euros e mensalmente não consegue libertar liquidez para fazer face a esse passivo. Por isso carece de uma intervenção externa urgente”, explica.
A Cercipóvoa serve utentes dos concelhos de Vila Franca de Xira, Loures e Arruda dos Vinhos. Tem 95 utentes directos no seu Centro de Actividades Ocupacionais, dos quais 30 estão em lar. E a valência de Actividades de Tempos Livres (ATL) com 20 utentes internos e mais 200 nas escolas da região, dá apoio nas escolas a quase 700 alunos com necessidades especiais e tem intervenção precoce em 80 utentes protocolados com a Segurança Social. Por último tem também uma valência de deficiência extrema em que dá apoio a 21 utentes. “Somos uma instituição muito importante na comunidade”, conclui.

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