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Jerónimo Caetano despede-se dos Bombeiros de Alhandra com muitas histórias na bagagem

Dezenas de amigos e profissionais juntaram-se num jantar de despedida e homenagem ao comandante dos Voluntários de Alhandra, que deixou o cargo devido à idade.

Edição de 05.04.2017 | Sociedade
HOMENAGEM. Jerónimo Caetano foi homenageado pela sua carreira de várias décadas à frente dos bombeiros

No mundo dos bombeiros da região de Lisboa não há quem não conheça Jerónimo Caetano, o carismático comandante dos Voluntários de Alhandra, concelho de Vila Franca de Xira. Talvez por isso o quartel da vila ribatejana tenha sido pequeno para acolher na noite de sábado, 1 de Abril, todos os que quiseram homenagear num jantar o homem que, nos últimos 19 anos, comandou aquela corporação e que admite sair com um mundo de memórias na bagagem.
Jerónimo Caetano, 66 anos, deixou o cargo por ter atingido o limite de idade previsto na lei. Está ligado aos bombeiros há 50 anos e no quadro de comando desde 1976. Antes de Alhandra passou pelos Sapadores em Lisboa e esteve presente nos maiores incêndios da capital, como o do Chiado, da Faculdade de Ciências e o dos Jerónimos. Foi mergulhador durante 20 anos e percorreu as principais barragens do país. Na hora da saída falou a
O MIRANTE sobre como é deixar para trás uma vida. “Eu praticamente vivia aqui, é no quartel que tenho a família e os amigos, é aqui que tenho tudo. O sentimento é complicado, quando o alarme toca ainda dou um salto. Tenho uma grande tristeza de me separar disto”, confessa.
Na hora de abandonar a secretária juntou os papéis e documentos, somou tudo e acredita ter investido mais de 40 mil horas ao serviço dos bombeiros. “Estive presente em mais de quatro mil incêndios e outros tantos acidentes e inundações. É uma coisa brutal”, refere.
Das histórias que leva na bagagem está, entre outras, a colaboração em operações internacionais de cariz humanitário, como o rescaldo de um sismo na Turquia e nas inundações de Moçambique em 2000. Em 1979 participou no resgate do hidroavião Calypso, da equipa de Jacques Cousteau, que caiu no Tejo na zona de Alverca.
Mas nem tudo são boas memórias. Ainda lhe custa falar do acidente a que assistiu quando era comandante e que envolveu uma viatura dos bombeiros da Póvoa de Santa Iria em 1990 na zona da Sertã. “Um chefe da Póvoa morreu nesse dia”, conta com a voz embargada. Outra morte, a de um colega mergulhador nas águas da barragem da Aguieira, também o marca ainda hoje. “Era um colega com quem troquei um serviço, ele foi para a barragem da Aguieira à procura de uma pessoa e morreu lá. Isso marca-nos”, lamenta.
Entre os beijos e abraços da homenagem, uma certeza: “Os meus sonhos concretizaram-se porque sempre fiz na vida o que gostei. Se voltasse atrás não mudava rigorosamente nada”, conclui.

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