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Orçamentos participativos são controlados por minorias de activistas

Edição de 20.04.2017 | O MIRANTE dos Leitores

Faz parte da nossa mentalidade a não participação em assuntos que nos dizem respeito mas que exigem que deixemos o conforto de casa. Mas essa não é a única razão para os cidadãos como os de Alverca, não participarem em discussões de orçamentos participativos. A razão mais forte é daquilo que eu designo habitualmente pela “ditadura dos activistas”. Eu posso interessar-me por votar uma obra para ser feita com o orçamento da junta e até pode haver mais cidadãos com a mesma vontade que eu. No entanto isso não vale de nada se uma corporação de bombeiros, por exemplo, se mobilizar para fazer aprovar outra coisa diferente.
Ou seja, sabendo eu à partida que os activistas podem mobilizar-se para fazerem valer a sua vontade, que não tem a ver com o interesse da população mas sim com o da corporação, é bem melhor eu ficar quieto e não participar numa farsa onde a decisão está viciada à partida.
Resumindo e concluindo. Eu defendo que sejam as instituições democraticamente eleitas por todos nós para fazerem a gestão da autarquia, a decidirem, dentro daquilo que apresentaram como sendo o seu programa eleitoral.
Referendos e arremedos de democracia directa apenas são admissíveis em questões do foro pessoal de cada um, como aconteceu com o referendo com o aborto ou com um eventual referendo sobre a eutanásia. A mobilização corporativa ou a arregimentação partidária momentânea não são métodos democráticos. Antes das primeiras eleições livres em Portugal, parecia que o Partido Comunista, devido à sua capacidade de mobilização e de influência, era aquele que tinha o maior apoio do povo português, o que era falso, como ficou demonstrado com PS e PSD a ficarem à frente do PCP.
Hilário Torrão

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