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A mulher e a menopausa

A mulher e a menopausa

Teresa Pinto Correia*

Edição de 11.05.2017 | Especial Saúde

Menopausa é o período fisiológico que ocorre após a última menstruação espontânea da mulher. Resulta do desaparecimento dos folículos ováricos funcionantes traduzindo-se como falência ovárica definitiva.
O início da menopausa só pode ser considerado após um ano do último fluxo menstrual uma vez que durante esse intervalo a mulher pode ocasionalmente menstruar.
Habitualmente ocorre entre os 45 e 55 anos e o tempo de transição que antecede a menopausa é chamado a fase de climatério, representando a passagem da fase reprodutiva para a não reprodutiva. Assim nesta fase vai havendo uma baixa de forma lenta e gradual de produção das hormonas estrogénio e progesterona.
A menopausa é mais uma fase na vida da mulher em que podem ocorrer transformações no seu corpo com alguns sinais e/ou sintomas, tais como: irregularidades menstruais, alterações do humor, sintomas vasos motores (afrontamentos, suores nocturnos) diminuição do desejo sexual, alterações do sono, sintomas génito-urinários (secura vaginal, queixas urinárias) diminuição da atenção e memória, perda da massa óssea, ligeira depressão, podendo haver algum ganho de peso devido à redução do metabolismo corporal, aumento do colesterol e eventualmente da tensão arterial que no seu conjunto caracteriza o “síndrome climatérico”.
Compreende três fases (pré, peri e pós- menopausa) que varia de mulher para mulher. Nesta altura é importante que esta faça consultas regulares com o seu médico de família além do seu ginecologista habitual. Para o diagnóstico prático não são necessárias muitos estudos complementares mas as análises que confirmem os níveis baixo de estradiol (estrogénios) e nível alto da FSH (hormona hipofisária) dão consistência ao diagnóstico.
Durante esta fase deverão ser feitos alguns exames, além do clínico o exame mamário é fundamental, sendo necessário fazer mamografia regularmente e para detecção precoce de outras doenças a mulher deverá fazer ecografia ginecológica, citologia do colo útero e exames ao sangue.
O método mais eficaz do tratamento da menopausa e aliviar os seus sintomas será a terapêutica hormonal de substituição (THS). Esta trará ao organismo as hormonas principais ováricas (estrogénio e progesterona) de modo que possa reverter esses sintomas.
Há vários tipos de tratamento hormonal mas os mais recomendados são os comprimidos diários com estrogénios naturais e progesterona. Este tratamento para a menopausa varia de acordo com o perfil e o desejo de cada mulher, sendo necessário analisar todas as condições físicas, os seus sintomas e escolher entre ela e o seu médico o tratamento mais adequado. Claro que nem todas as mulheres poderão fazer ou estão dispostas a fazer o THS e em alguns casos é contra indicado como por exemplo haver história familiar de alto risco de cancro de mama ou doenças neoplásicas hormono-dependentes ou doenças tromboembólicas, enfarte de miocárdio, doenças hepáticas, hipertensão arterial não controlada e alguns casos diabetes.
A terapêutica local para o síndroma génito-urinário (SGUM) também pode ser considerado. Assim será apresentada à mulher terapêutica que poderá reduzir os efeitos de privação estrogénica a nível da mucosa vaginal e sistema urinário.
Em Portugal estão disponíveis vários tipos de estrogénios para administração local; Estradiol em comprimidos vaginais; Estriol em creme vaginal e comprimidos vaginais; Promestrieno em creme vaginal.
Outra opção que há no mercado farmacêutico para terapia da menopausa são as hormonas bioidênticas tais como a TIBOLONA com acção idêntica aos estrogénios e com efeito positivo no osso e tecido vaginal, sendo benéfico nos sintomas vasomotores e na prevenção da osteoporose.
Também existem outros medicamentos chamados SERMs que poderão ser úteis na menopausa e sem riscos para doença mamária. Foi também introduzido há pouco tempo no mercado uma terapêutica oral com estrogénios conjugados (TSECs) associados a um SERMs (neste caso o acetato de bazedoxifeno) que pode ser uma alternativa ao THS clássico.
Para as mulheres que recusem tratamento hormonal oral ou que tenham contra indicações existem várias opções com alguns grupos de medicamentos ou suplementos para alívio dos sintomas tais como; Fitoestrogénios; Extractos de pólen associado a vitamina E, ácidos gordos ómega 3; alguns antidepressivos; Hidratantes e lubrificantes vaginais; Ácido hialurónico; Laser CO2; Fitoterapia; Estilo de vida, exercício físico e yoga; Não esquecer o risco da osteoporose e assim, para prevenção, poderão fazer terapêutica, como por exemplo; Bifosfonatos; Ralenato de estrôncio; Teriparatida; Cálcio e vitamina D.
Temos que ter em conta que também podem existir contra indicações para estes tipos de tratamentos.
Para finalizar não posso deixar de referir que esta fase da mulher poderá ser passada com alguma tranquilidade desde que esta visite o médico com regularidade, exponha os seus sintomas, dúvidas e mitos sobre os tratamentos que a poderão ajudar e que o ideal seria que a frequência de uma ou duas vezes por ano ao seu médico não fosse descurada.
* Genecologista / Obstetra

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