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28/06/2017
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Associações dão um contributo social e económico muito grande ao país
Mário Saldanha é presidente do Clube de Campismo As Sentinelas de Vila Franca de Xira. Um apaixonado por economia, natureza e campismo que encontrou no associativismo uma forma de ajudar a comunidade e ao mesmo tempo crescer enquanto pessoa.
Edição de 25.05.2017 | Identidade Profissional

As associações, com toda a sua actividade, dão um contributo social e económico muito grande ao país e à região. A ideia é defendida por Mário Saldanha, 61 anos, presidente do Clube de Campismo As Sentinelas, de Vila Franca de Xira. Diz que as associações são casas onde se aprende a aceitar as opiniões dos outros e a importância do trabalho voluntário. “Para se ser dirigente associativo é preciso ter um conjunto de valores mas os mais importantes são a honestidade e a lealdade. Quando entramos na associação despimos as camisolas de outras questões que nos dividem e unimo-nos, sabemos aceitar as ideias dos outros”, conta.
Mário Saldanha é um rosto conhecido de Vila Franca de Xira e um homem que confessa gostar do sentimento de vizinhança que existe na cidade ribatejana. “É uma terra simpática, pequena, acolhedora, tem uma relação de vizinhança muito boa. Toda a gente se conhece, gosto muito de falar com as pessoas e vejo que isso continua a acontecer. A cidade pode não ter a vida que tinha há uns anos mas ainda continua a ter uma relação próxima das pessoas e dos comerciantes”, refere a O MIRANTE.
O dirigente nasceu em Lisboa mas foi para Vila Franca de Xira com os pais aos sete anos. O pai trabalhava numa tipografia que fazia, entre outras coisas, os bilhetes para a Comboios de Portugal. Foi um primo e um colega de trabalho que aliciaram o pai a vir para Vila Franca de Xira.
Mário tinha o sonho de ser economista e gostava da área dos números mas a vida acabou por encaminhá-lo para outros trabalhos. Com 15 anos andou na vindima nas Cachoeiras com amigos para ganhar algum dinheiro. A dada altura soube que eram precisos auxiliares de acção educativa para a escola industrial da cidade, onde ele próprio estudara, e candidatou-se, tendo sido aceite. “Entrei a ganhar o ordenado mínimo e acabei por não desistir de estudar e entrei no Instituto Superior de Economia enquanto trabalhava. Ia de comboio e autocarro para Lisboa. Sempre fui uma pessoa bastante activa”, recorda.

O campismo é liberdade
A sua primeira experiência enquanto presidente de uma associação foi pouco depois, na Cooperativa Alves Redol. Dos 21 aos 28 anos, depois de ter sido delegado sindical na escola, passou a ser funcionário político da Juventude Comunista Portuguesa. Depois disso entrou na Câmara de Vila Franca de Xira, onde ainda hoje se encontra.
Actualmente é também presidente da associação de campismo As Sentinelas, com sede na cidade, cargo que já vem exercendo desde 2011. “Sempre tive uma paixão muito grande pela natureza. Fiz-me sócio para ter a carta de campista. Em 2008 fui tesoureiro da direcção e em 2011 assumi o cargo de presidente. O meu compromisso vai até 2019 e a partir daí queria passar o testemunho a novas pessoas”, explica. Para o dirigente, dez anos de trabalho nesta instituição é “suficiente”. “Espero conseguir entusiasmar outras pessoas e outros jovens para depois ficarem a gerir a casa”, revela.
As Sentinelas celebram em 2017 os seus 75 anos de vida. Um percurso cheio de figuras e histórias variadas. Actualmente a colectividade está num momento altamente positivo e já prepara o famoso Acampamento do Tejo, planeado para os dias 21 a 25 de Junho, em vésperas da semanas da cultura tauromáquica, estimando-se a presença de mais de 200 campistas no Campo do Cevadeiro. “A ideia é trazer pessoas à cidade, promover Vila Franca e torná-la ainda melhor”, conta.
Diz Mário Saldanha que o campismo é “liberdade”, uma forma de desorganizar temporariamente uma vida organizada pelo trabalho e as responsabilidades do dia-a-dia. Ainda hoje, sempre que vai de férias, parte com a mulher sem destino previamente traçado. “Partimos sem destino e paramos onde houver parques de campismo. Uma vez demorámos oito dias para chegar a Paris (França). O campismo é isso, é a comunhão com a natureza”, conclui.

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