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Falta de residência contribui para elevado abandono na Escola de Desporto de Rio Maior

Falta de residência contribui para elevado abandono na Escola de Desporto de Rio Maior

No presente ano lectivo, 66,4% dos alunos da ESDRM provém dos distritos de Santarém (29%), Leiria (18,7%) e Lisboa (18,7%).

Edição de 25.05.2017 | Sociedade

Uma centena de alunos abandonou a Escola Superior de Desporto de Rio Maior (ESDRM) no ano lectivo 2015/2016, com os custos com alojamento e a falta de uma residência para estudantes a pesar nessa decisão, segundo fontes do estabelecimento.
“Lamentavelmente existem muitos alunos que desistem do curso por não terem capacidade de suportar os custos de alojamento. Deparamo-nos também com alunos que são colocados na nossa escola e que, já em fase de matrículas, se vêem obrigados a desistir por não terem uma residência de estudantes à sua disposição”, explicou à Lusa a presidente da Associação de Estudantes da ESDRM, Diana Silva.
A situação é confirmada pelo director da ESDRM, João Moutão, para quem muito do abandono registado no passado ano lectivo, que se cifrou numa centena de alunos, “seria evitável” se existisse a residência, prevista no projecto inicial da escola para acolher 100 estudantes.
Frisando que a reivindicação da construção de uma residência para estudantes tem estado no “topo da agenda” da direção da ESDRM, João Moutão disse que, no início do ano lectivo, são vários os contactos de candidatos e pais dando conta de que a matrícula não será efectivada “face aos preços praticados e à inexistência de alojamento”.
“Alguns desses relatos têm uma carga emocional muito grande, pois trata-se de famílias com poucos recursos económicos e que vêem coarctada a possibilidade de os seus filhos prosseguirem os seus estudos”, afirmou.
Diana Silva adiantou que, comparativamente a outras cidades, o valor pedido aos estudantes da ESDRM por um quarto “não é exorbitante” – andará entre os 150 e os 180 euros mais despesas de água, luz, gás e internet -, mas “a maioria dos proprietários das casas alugadas não passam recibo, o que dificulta ainda mais as contas e prejudica também os alunos bolseiros”.
O responsável pelo Serviço de Acção Social do Instituto Politécnico de Santarém (ao qual pertence a ESDRM), António Fonseca, referiu que no presente ano lectivo existem 226 bolseiros na Escola Superior de Desporto de Rio Maior. Os bolseiros deslocados que pediram alojamento recebem um complemento mensal, até ao limite de 125,77 euros, tendo obrigatoriamente de apresentar o comprovativo do valor pago.
Os pais de um aluno que entrou este ano na ESDRM, na segunda fase, quando “a maioria dos quartos estão já ocupados”, disseram à Lusa que o filho acabou por ficar com outro colega num quarto “exíguo”, onde foi colocado um divã, pelo qual pagavam 115 euros cada um, mais despesas de água, luz e gás, sem que fosse passado qualquer recibo.
Com as desistências que foram acontecendo ao longo do ano, os dois alunos acabaram por mudar para outra casa (agora através de uma imobiliária e com recibos), onde ocupam um quarto “espaçoso, com casa de banho privativa” e acesso a uma cozinha “enorme”, pelo qual pagam 100 euros cada um, mais despesas.
Diana Silva afirmou que, na ausência de uma residência, a maioria dos alunos opta por dividir casa ou quarto, havendo ainda quem se desloque diariamente para casa.
Segundo dados facultados pelo director da ESDRM, dos 912 matriculados actualmente (eram 950 no início do ano lectivo), 99% é de fora do concelho, tendo 80% dos alunos referido num inquérito que deseja residir em Rio Maior durante a frequência do curso.

Município substitui-se ao Governo

O problema da residência de estudantes arrasta-se há muito tempo e o município tem em curso diligências para criar locais para acolher estudantes, na zona mais antiga da cidade, pelo menos enquanto o Governo não avançar com a construção da residência. Um projecto que, inclusivamente, já foi objecto de uma recomendação unânime da Assembleia da República que considerou prioriátia a sua construção.

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