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Mais de três mil pessoas assinaram petição sem fundamento no Forte da Casa

Quem assinou revelou número do cartão de cidadão e endereço de e-mail a desconhecidos. Em causa estava o abate de um cão que teria atacado uma criança no Forte da Casa. A câmara diz que a petição é “falsa” e “difamatória” e que nenhum animal é abatido no centro de recolha oficial sem causas válidas e previstas na lei. Autoridades policiais avisam que é perigoso assinar petições com autores anónimos.

Edição de 07.06.2017 | Sociedade

Um autor anónimo criou no último mês uma petição online na Póvoa de Santa Iria e Forte da Casa sobre um falso assunto e com isso conseguiu recolher 3.834 assinaturas de moradores da zona, que tiveram de facultar os seus números do Cartão de Cidadão e endereços de e-mail para poderem assinar o documento.
A polícia avisa que estas situações são potencialmente perigosas e que as pessoas devem evitar assinar petições de autores anónimos sem primeiro confirmar a veracidade dos factos relatados nas petições, já que revelar o número do Cartão de Cidadão (ou Bilhete de Identidade) a estranhos pode ser um risco.
A petição em causa era contra o abate de um cão vadio apanhado na via pública pelos serviços municipais, depois de, alegadamente, ter atacado uma criança no Forte da Casa em Abril. Ataque esse do qual as forças policiais não têm registo. Na sequência de um telefonema para os serviços, os técnicos do Centro de Recolha Oficial (canil) da câmara foram ao local para recolher o animal.
Pouco depois apareceu online a recolha de assinaturas, apelando ao não abate do cão.
A câmara diz que o motivo da petição é “falso e difamatório”, pondo em causa “as boas práticas da câmara municipal” e acrescenta que “o cão entrou no Centro de Recolha Oficial (CRO) para sequestro de 15 dias, como previsto na lei”. No entanto, o CRO “não promove o abate de animais sem causas válidas e previstas na lei, pelo que nunca foi sequer equacionado o abate deste cão”, explica a câmara.
O município acrescenta também que o sequestro do animal terminou e que se prevê que venha a ser adoptado “nos próximos dias”. O MIRANTE contactou os autores da petição através da plataforma online para obter mais esclarecimentos sobre este assunto mas nenhuma resposta nos foi enviada. Entretanto o texto da petição foi alterado, deixando de pugnar pelo não abate do cão e antes para “agradecer a todos” os que assinaram o documento, “por partilharem e por mostrarem interesse” pelo cão.
No Forte da Casa há quem manifeste alguma preocupação com a forma como a petição apareceu e rapidamente se tornou viral nas redes sociais. “Praticamente em poucas horas explodiu e de uma dezena de assinaturas passou para largos milhares ao final de umas horas”, revela José Resende, morador no centro do Forte da Casa.
José foi um dos que assinou primeiro e pensou depois. “Ao fim de umas horas é que comecei a pensar que revelei o meu número de cidadão e mail a alguém que não conheço numa plataforma que desconheço. Devia ter-me informado primeiro junto do canil se a informação era verdadeira ou não”, confessa.

Petições online sem grandes resultados

A realização de petições públicas online é uma moda recente em que a população contesta ou reivindica alguma medida. Mas a sua eficácia é duvidosa. Uma pesquisa rápida no portal mais usado para estas petições – o peticaopublica.com – devolve vários resultados para o concelho vilafranquense e praticamente nenhum dos problemas relatados foi ainda resolvido. São exemplos disso a abolição das portagens na Auto-Estrada do Norte (1453 assinaturas), melhoria do serviço do centro de saúde da Póvoa (125 assinaturas), exigência de colocação de médicos na Castanheira do Ribatejo (79 assinaturas) e um movimento contra a instalação de antenas de telecomunicações na urbanização da Malvarosa em Alverca (250 assinaturas).

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