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Festa de toiros é a mais legítima e genuína das tradições populares
OPINIÃO. Luís Capucha (à direita) e Vítor Escudero (à esquerda) trocaram argumentos num cordial mano a mano

Festa de toiros é a mais legítima e genuína das tradições populares

Debate em Vila Franca de Xira discutiu papel da tauromaquia na identidade de um povo. Investigador Vítor Escudero e o sociólogo Luís Capucha falaram de como a tauromaquia é um factor inerente à identidade de um povo.

Edição de 14.06.2017 | Cultura e Lazer

De todas as expressões populares a tauromaquia é das mais legítimas e genuínas tradições de um povo. A ideia foi defendida na noite de 6 de Junho, em Vila Franca de Xira, durante um debate promovido na junta de freguesia local.
O investigador Vítor Escudero e o sociólogo Luís Capucha foram os oradores convidados para um mano a mano sobre o tema “Tauromaquia e identidade” e durante quase duas horas desfiaram diferentes pontos de vista sobre o tema, perante um auditório esgotado, sinal de que o tema não é ainda um assunto secundário na cidade. “O toiro é o animal mais representado da história e da pré-história, encontramos o toiro em todos os percursos da história humana. Um símbolo de força e fertilidade. As corridas de toiros nos últimos 200 anos transformaram-se no maior espectáculo barroco do mundo, que ao contrário do teatro tem o factor imprevisibilidade. O artista pode ser bom e ter prática mas depois só pode actuar com o que tiver à frente”, destacou Vítor Escudero.
O investigador admitiu ainda que o tema é “fracturante” e que a arte é “subjectiva”. Mas que certos valores da tauromaquia – como a comunhão, amizade e a partilha dos afectos - são uma marca da identidade de uma região e que uma coisa acaba por ser inseparável da outra.
Já Luís Capucha foi mais claro: é uma luta da inteligência contra a força bruta, sempre no respeito pelas regras e pela natureza. “O que nos distingue de todos os outros é esta paixão pelo toiro e pela natureza”, vincou. O sociólogo defendeu que os aficionados “nunca deixarão de lutar” pela morte do toiro na arena e vincou que a tauromaquia é “uma cultura universalista, que faz parte da nossa memória colectiva e que representa um futuro com raízes”, aludiu.
A recente polémica em torno da proibição de aficionados entrarem na praça de Vila Franca de Xira com crianças de colo também não passou ao lado do debate (ver texto nesta página).
O sociólogo aproveitou também para notar que os aficionados são também responsáveis, em parte, pelo estado em que se encontra a festa de toiros. “É um problema de conhecimento, comunicação e defesa da nossa identidade. Ao contrário, os anti-taurinos têm sabido passar a sua mensagem a pessoas que perderam toda a sua relação com a natureza. A tauromaquia tem-se fechado sobre si própria e tem dificuldade em passar a sua mensagem. E a mensagem que temos de conseguir passar é a de que respeitamos a natureza, como eles, bem como cultivamos os valores da tolerância e respeito comum”, criticou.

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