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Doentes com simples conjuntivites enviados para Lisboa por falta de oftalmologistas no Hospital de Santarém
DOENTE. João Quaresma foi um dos doentes transferidos por ter conjuntivite

Doentes com simples conjuntivites enviados para Lisboa por falta de oftalmologistas no Hospital de Santarém

Jovem de Alcanhões foi um dos que teve de ir numa viatura dos bombeiros a São José para lhe receitarem umas gotas

Edição de 22.06.2017 | Sociedade

A falta de médicos oftalmologistas no Hospital Distrital de Santarém está a fazer com que pessoas com simples conjuntivites sejam transferidas de ambulância para o Hospital de São José, a unidade de saúde de referência em Lisboa para situações desta área. O hospital ribatejano já tentou por diversas vezes contratar oftalmologistas mas não consegue colmatar a carência destes especialistas, o que leva a que durante a noite e em alguns períodos da semana não esteja disponível esta especialidade nas urgências.
Na sexta-feira, 16 de Junho, duas pessoas foram transportadas com conjuntivites de Santarém para Lisboa, como aconteceu com João Quaresma, de Alcanhões, que fez a viagem a expensas do Estado para lhe serem receitadas umas gotas.
João Quaresma, 18 anos, apareceu com um olho inflamado e no dia seguinte o estudante da Escola Ginestal Machado, após as aulas, decidiu ir às urgências do hospital. Foi atendido na ala cirúrgica e o médico enviou-o para o hospital de Lisboa. Na viatura dos bombeiros o jovem foi com mais quatro pessoas que também não resolveram os seus problemas por nessa sexta-feira não haver médico de oftalmologia. O administrador do Hospital de Santarém, José Josué, salienta que o médico das urgências decidiu fazer a transferência por uma razão de segurança. “O médico teve dúvidas sobre a situação clínica e como não havia especialistas teve a preocupação de fazer o melhor pelo jovem”, sublinha.
O jovem podia ter evitado uma deslocação a Lisboa mas não critica a actuação, até porque, refere, não teve de esperar muito tempo e em Lisboa foi atendido rapidamente. Com as gotas o jovem na segunda-feira, três dias depois de ter ido ao hospital, já não apresentava sinais visíveis da inflamação da conjuntiva (o branco dos olhos). Para José Josué a prática deve ser, em benefício do doente, procurar o melhor encaminhamento para resolver a situação dos doentes, realçando que Lisboa não fica assim tão longe e que é preferível as pessoas serem vistas pelo especialista. “Não podemos ser presos por ter cão e por não ter. Ou seja não podemos ser criticados por excesso de precaução”, refere o administrador.
No entender de José Josué houve uma “preocupação em resolver a situação, assegurando ao jovem os melhores cuidados”. Até porque já houve situações de doentes que não foram enviados para S. José e acabaram por ter complicações graves. Como foi o caso de Manuel João Rebelo, que no dia 29 de Dezembro de 2015 recorreu às urgências de Santarém e foi enviado para casa com umas gotas para colocar nos olhos. Passadas poucas horas a situação clínica complicou-se e o habitante de Fazendas de Almeirim voltou às urgências, tendo então sido enviado para Lisboa, onde foi operado. Nas duas vezes que foi às urgências de Santarém não havia oftalmologista de serviço. João tinha um objecto metálico no olho e apesar da operação ficou praticamente cego, tendo avançado com um processo em tribunal contra o hospital.

Doentes com simples conjuntivites enviados para Lisboa por falta de oftalmologistas no Hospital de Santarém

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