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“Toda a minha vida foi no campo com os animais”

“Toda a minha vida foi no campo com os animais”

Gabriel Lopes da Silva, 45 anos, foi o campino escolhido este ano pela Comissão da Picaria da Festa da Amizade e da Sardinha Assada de Benavente para ser homenageado pelo trabalho que tem desenvolvido ao longo dos anos a cuidar do gado em terras ribatejanas.

Edição de 22.06.2017 | Sociedade

A Herdade da Sesmaria Nova tem 350 hectares e Gabriel Lopes da Silva, de 45 anos, conhece-a como as palmas das mãos. Há 10 anos que é o responsável máximo pela propriedade e pelos animais que nela vivem, actualmente perto de 500 cabeças de gado. Foi contratado pelo dono da herdade, Carlos Ferreira, e trabalha lá ao mesmo tempo que, com os irmãos, continua a manter a propriedade que herdou do pai, o antigo ganadeiro Manuel José da Úrsula, depois dele falecer.
Foi também do pai e de um avô que herdou o gosto por lidar com toiros, vacas, cabrestos e cavalos. “Costumo dizer que fui feito, nascido e criado neste meio. Assim que saía de casa estava logo a lidar com animais na casa agrícola do meu pai… E foi até agora. Nunca fiz outra coisa, toda a minha vida foi o campo e os animais. E todas as partes são boas para quem gosta disto”, contou.
Gabriel nasceu a 2 de Janeiro de 1972, na Chamusca, filho de Manuel José da Úrsula e de Hermínia Lopes Porfírio, mas a família mudou-se para Santo Estêvão, concelho de Benavente, dois dias depois de ele nascer. O pai faleceu entretanto mas ainda tem vivos os três irmãos mais velhos: António Manuel, que trabalha há 22 anos na Herdade de Camarate, e José Custódio e Joaquim José, que trabalham juntos na Companhia das Lezírias. Joaquim consegue trabalhar algumas vezes ao lado de Gabriel mas é maioritariamente um ajudante de fora da família que o auxilia na manutenção da Herdade da Sesmaria Nova.
“Às vezes surgem situações complicadas, claro. Um toiro que é difícil de levar de um sítio para o outro; o próprio clima, pois às vezes temos de andar a trabalhar em dias de chuva e vento ou de muito calor e se surge uma urgência qualquer não podemos preocupar-nos com isso, temos de ir”.
Outra situação complicada, a queda mais grave de que se lembra, sofreu-a em Fevereiro de 1996: “Ia atrás de um toiro, lá na minha casa agrícola, que se acostumou a passar para a vacada mertolenga que tínhamos. Nesse dia já o tinha ido buscar, mas à tarde o meu pai disse-me e ao meu irmão Joaquim que o toiro tinha voltado para lá. Então fomos buscá-lo. Só que o cavalo foi comigo contra um sobreiro e eu caí e fiquei com a boca enfiada na terra. Desmaiei e se não fosse o meu irmão já cá não estava hoje. Depois ganhei uma infecção na perna por bater com ela na árvore, estive três meses parado e essa infecção quase fez com que tivessem de me cortar a perna acima do joelho”. Conseguiu recuperar completamente e voltou às lides.

O apoio da família e a surpresa da homenagem
E como o amor ao campo e aos animais corre no sangue da família, a filha de Gabriel, já com 10 anos, está a seguir-lhe as pisadas. “É louca por isto, mas esta vida cada vez está mais difícil e para meninas então é terrível. Mas gosto que venha para o campo comigo, tenho prazer em que ela ande aqui comigo e ande entretida. Mas fazer vida disto acredito que não”.
A filha não é a única companhia permanente que tem: “A minha esposa e ela são duas companheiras incansáveis, sempre que podem vêm comigo para todo o lado”. Vão acompanhá-lo nas corridas, largadas, encierros e outros espectáculos taurinos nos quais os cabrestos que cria participam. E, como é óbvio, vão também estar presentes na cerimónia em que a Comissão da Picaria da Festa da Amizade e da Sardinha Assada de Benavente o vai homenagear este ano, no sábado, 24 de Junho.
“Fui apanhado de surpresa quando me ligaram e me disseram que me tinham escolhido, porque normalmente homenageiam ou pessoas que já morreram ou já muito mais velhas, eu ainda sou novo para isto”, confessa Gabriel Lopes da Silva.
No entanto, a Comissão da Picaria tem uma boa explicação: “Esta é uma forma de homenagearmos os herdeiros de Manuel José da Úrsula, os irmãos que ficaram com a ganadaria dele e que há tantos anos vêm à festa. O ano passado homenageámos o irmão dele e este ano escolhemos o Gabriel porque ele é um indivíduo que desde sempre deu muito à festa por isso achamos que é a melhor forma de lhe agradecer”, explicou José Barroca, presidente da comissão.

“Toda a minha vida foi no campo com os animais”

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