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Na Peralva os tractores estão abençoados
CERIMÓNIA. Padre António José, da paróquia de Paialvo, procedeu à bênção das máquinas

Na Peralva os tractores estão abençoados

Aldeia do concelho de Tomar recebeu no último domingo de Junho a Concentração de Tractores e a Mostra Agrícola e Industrial de Peralva pelo quarto ano consecutivo. Oportunidade para mais uma bênção aos tractores agrícolas e aos agricultores numa zona onde os acidentes com máquinas agrícolas são raros.

Edição de 28.06.2017 | Economia

As tradições ganham peso com os anos e a que nasceu há quatro anos na Peralva, concelho de Tomar, ainda é tenra na idade mas já vai fazendo o seu caminho. No último domingo de Junho a população das redondezas já sabe: é dia da Concentração de Tractores e da Mostra Agrícola e Industrial de Peralva. Foi assim mais uma vez este ano e a organização, a cargo do Rancho Folclórico “Os Camponeses” de Peralva, garante que para o ano há mais. A benção aos agricultores, colheitas e máquinas é um dos pontos altos do programa.
Mário Ramos tem 55 anos e desde os nove que trabalha na agricultura. É proprietário de cerca de 6 hectares de terreno na freguesia de Paialvo, onde cultiva azevém para fazer ração para animais. Tem um tractor e várias alfaias para amanhar a terra, diz que nunca teve acidentes e garante que na freguesia não se registam acidentes com tractores, talvez por estarem abençoados.
O agricultor garante que a aposta na agricultura é uma batalha perdida e já teria deixado a actividade se o filho, Rodrigo Miguel, de 20 anos, não o pressionasse no sentido de continuar. O jovem gosta da actividade agrícola e acompanha o pai sempre que pode no desempenho das várias tarefas.
Susana Jorge, da direcção do Rancho Folclórico “Os Camponeses”, que organiza este encontro anual, diz que não se registam acidentes com máquinas agrícolas nessa zona porque tem havido acções de sensibilização junto dos agricultores. Mas a fé também tem o seu peso e a bênção dos tractores não pode falhar.
A mesma responsável diz a O MIRANTE que organizar este evento anual é uma honra e um projecto para levar em frente porque, garante, a tradição tem de continuar para inverter a tendência de se sentir “vergonha por trabalhar na agricultura”. Susana Jorge diz que só estiveram 40 tractores neste encontro porque há agricultores que ainda consideram a agricultura uma actividade menor e “envergonham-se de dar a cara pela mesma”.
Artur Reis é de Lagoa do Furadouro, Ourém, tem 64 anos e não falta a esta iniciativa. O apicultor, proprietário de 170 colmeias, revela que as abelhas lhe garantem em ano bom cerca de 1600 kg de mel de óptima qualidade, porque as condições de higiene das Colmeias são mantidas com todo o rigor. Aconselha a apicultura a todos aqueles que sintam gosto pela actividade, por a considerar uma boa aposta.
O representante da Same, em Alburitel (Ourém), José Codea, vende tractores há 27 anos. Com apenas 50 anos gostaria de se reformar para ter mais tempo para lazer, mas os clientes continuam a “agarrá-lo” ao negócio, que já foi mais promissor. Numa região onde cerca de 50% dos terrenos são plantados, há 10 anos vendia cerca de 30 ou 40 tractores por mês, porque os pequenos proprietários queriam ter um tractor, “mesmo pequeno”, para trabalhar as terras. Agora, diz José Codea, os tempos são outros e só vende 3 ou 4 tractores por mês.
Gosta de estar presente neste encontro em Peralva por ser uma boa ocasião para conviver e dar a conhecer novas máquinas, ou oferecer os serviços de reparação de tratores que a Same proporciona em Alburitel.

Na Peralva os tractores estão abençoados

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