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27/07/2017
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Material de guerra voou dos paióis de Tancos para mãos desconhecidas
ALARME. Roubo de material de guerra do Exército deveu-se a falha do sistema de segurança

Material de guerra voou dos paióis de Tancos para mãos desconhecidas

Granadas de mão, foguetes anti-carro, munições, gás lacrimogénio e explosivos entre o material roubado. General admite fuga de informação interna. Polícia Judiciária Militar investiga. Governo reforça segurança.

Edição de 06.07.2017 | Sociedade

Granadas de mão ofensivas, munições de 9mm, granadas foguete anticarro, granadas de gás lacrimogéneo, explosivos e material diverso de sapadores, como bobines de arame, disparadores e iniciadores. Esta é a lista de material de guerra desaparecido dos paióis nacionais de Tancos, no concelho de Vila Nova da Barquinha. A situação foi detectada no dia 28 de Junho por uma ronda móvel, “elemento do sistema de segurança dos Paióis”. Os assaltantes terão entrado através de um buraco na vedação. Como foi possível tal rombo no sistema de segurança é a questão que o país coloca e a que as autoridades vão tentar responder. A Polícia Judiciária militar está a investigar.
Em comunicado para anualizar os dados apurados sobre o assalto aos Paióis do Exército em Tancos, o ramo afirmou que não divulgará quantidades exactas do material furtado “para não investigar as investigações em curso”. Os trabalhos de contagem de materiais “foram elaborados pelo Exército na presença da Polícia Judiciária Militar, sendo do conhecimento das autoridades competentes e da tutela”, acrescentou o Exército.

Casa roubada, trancas à porta
O estranho acontecimento trouxe à tona informação adicional, ficando-se a saber que o sistema de videovigilância nos Paióis Nacionais de Tancos “encontra-se inoperacional” e que estava prevista a instalação de um sistema de controlo electrónico de acessos em 2018.
O Exército afirmou que face à “preocupação em reforçar e complementar a segurança física” das instalações, os Paióis estavam “contemplados no plano de implementação de vigilância e controlo de acessos electrónico” que “nos últimos anos tem sido implementado no Exército”. “No caso concreto dos Paióis Nacionais de Tancos, a Lei e Programação Militar previa a disponibilização de verbas em 2018”, refere o comunicado.
Na sexta-feira, 30 de Junho, ficou também a saber-se que o Ministério da Defesa Nacional autorizou, a 5 de Junho, uma despesa de 316 mil euros mais IVA para a reconstrução da vedação dos Paióis Nacionais de Tancos, segundo um despacho publicado no dia 30 de Junho (dois dias depois da situação detectada) em Diário da República.
No despacho é manifestada a “prévia concordância” do ministro da Defesa Nacional, Azeredo Lopes, à autorização do lançamento daquela empreitada que visa a “reconstrução da vedação periférica exterior no perímetro norte, sul e este dos Paióis Nacionais de Tancos”, Vila Nova da Barquinha.
No mesmo dia, em Bruxelas, o ministro da Defesa reconheceu que o roubo de granadas de mão ofensivas e munições das instalações militares dos Paióis Nacionais de Tancos “é grave” e garantiu que não ficará “nada por levantar” nas averiguações.

General aponta para fuga de informação interna

O chefe do Estado-Maior do Exército, general Rovisco Duarte, reconheceu que quem roubou o material de guerra do quartel de Tancos tinha “conhecimento do conteúdo dos paióis” e admitiu a possibilidade de fuga de informação.
“Para haver algo deste género tem de haver informação interna”, assumiu, em declarações à SIC, acrescentando que, além da investigação conduzida pela Polícia Judiciária Militar e pela Polícia Judiciária, vai decorrer um inquérito no Exército para apuramento de eventuais responsabilidades.
Rovisco Duarte disse que o roubo ocorreu numa zona cuja vedação ainda não tinha sido reforçada com material mais resistente, no âmbito das medidas de melhoria da segurança das instalações militares.

Comandantes de unidades da região demitidos para não interferirem nas averiguações


O chefe do Estado-Maior do Exército, Rovisco Duarte, anunciou no sábado, 1 de Julho, que demitiu cinco comandantes de unidades militares da região para não interferirem com os processos de averiguações sobre o furto de material de guerra em Tancos.
“Não quero que haja entraves às averiguações e decidi exonerar os cinco comandantes das unidades que de alguma forma estão relacionadas com estes processos”, anunciou Rovisco Duarte, em declarações à RTP.
Os militares exonerados são o comandante da Unidade de Apoio da Brigada de Reacção Rápida (Tancos), o comandante do Regimento de Infantaria 15 (Tomar), o comandante do Regimento de Paraquedistas (Tancos), o comandante do Regimento de Engenharia 1 (Tancos) e o comandante da Unidade de Apoio de Material do Exército (Benavente).

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