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Incandescente Manuel Serra d’Aire

Edição de 03.08.2017 | Emails do Outro Mundo

Percebi finalmente por que razão os partidos políticos se chamam partidos. E tenho a agradecer ao PSD de Santarém e ao PS da Golegã esse acréscimo de conhecimento que obtive nestes últimos dias. Chamar partido a esses partidos assenta que nem uma luva, já que aquilo está realmente tudo escavacado e vamos ver se nas próximas eleições autárquicas aquilo não fica mesmo tudo feito em migalhas.
Em Santarém, as duas facções do PSD degladiam-se como cristãos e muçulmanos nos tempos das cruzadas e tiveram mesmo que fazer uma espécie de armistício interno para distribuir os lugares de cada facção nas listas. Sim, o PSD em Santarém é um autêntico partido, com fracturas expostas que não irão sarar tão cedo, mesmo com fisioterapia intensiva. Quem se deve estar a rir é o PS e o excelentíssimo senhor engenheiro Rui Barreiro (respeitinho é muito lindo!), que nem precisa de se mexer muito para ganhar alento na corrida às urnas, apesar do seu partido também estar esfrangalhado e haver camaradas seus a torcerem por uma valente escorregadela do ex-secretário de Estado da caça ao melro na noite eleitoral e a suspirar pelas consequentes exéquias políticas.
Na Golegã, a situação ainda é mais confusa. Veiga Maltez, o ex-presidente da câmara eleito pelo PS, actual presidente da assembleia municipal eleito por um movimento independente que hostilizou o PS durante este mandato, é agora novamente candidato à câmara pelo PS. Por outro lado, o ex-vereador socialista Bruno Medinas, actual chefe de gabinete do presidente da câmara do PS, Rui Medinas, é o cabeça de lista à assembleia municipal por um novo movimento independente. Se a intenção é baralhar as ideias aos eleitores, então tenho que reconhecer esta trama é genial. Tal como é de registar a coerência e rigidez de convicções dos vários envolvidos, na linha do que aliás é comum à maioria da nossa classe política. Só me espanta que, perante tão ilustres exemplos a abstenção continue em níveis altíssimos. Estes espectáculos merecem sem dúvida melhores audiências.
Em Ourém, por exemplo, o presidente da câmara e recandidato está insolvente. A lei diz que cidadãos em situação de insolvência não se podem candidatar mas, como tu sublinhas no anterior escrito, ele avançou na mesma. E fez ele muito bem. Se nada acontece aos proprietários que deixam crescer matagais ao pé de habitações; se nada acontece aos donos dos cãezinhos que conspurcam passeios e jardins; se nada acontece a advogados/políticos condenados por ficarem com dinheiro de clientes; se nada acontece a banqueiros e gestores topo de gama que nos foram ao bolso com uma pinta do caneco; se não se extraem consequências políticas após as falhas registadas nos fogos florestais; se nada acontece a responsáveis de organismos públicos que levam sete anos para elaborar um parecer; por que raio havia Paulo Fonseca de ser penalizado por uma minudência legal? Ele que até foi abençoado pelo Papa e tudo!!!
Cumprimentos estivais do
Serafim das Neves

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