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Obriverca vai ser liquidada pela via judicial com dívidas ao Estado de 72 milhões
CONSTRUÇÃO. Eduardo Rodrigues foi um dos fundadores e responsável da empresa

Obriverca vai ser liquidada pela via judicial com dívidas ao Estado de 72 milhões

Empresa fundada por Eduardo Rodrigues e Luís Filipe Vieira foi responsável pela maior parte das grandes urbanizações do concelho de Vila Franca de Xira nas últimas duas décadas. Agora está falida.

Edição de 10.08.2017 | Economia

A Obriverca SGPS, sociedade gestora de participações sociais (holding) criada em Alverca pelo empresário Eduardo Rodrigues, para servir de chapéu às restantes empresas do grupo, está falida e com dívidas de 392 milhões de euros. Desse valor, 72 milhões são reclamados pelo Estado através da Caixa Geral de Depósitos e da empresa estatal Parvalorem, entidade que gere a carteira de créditos adquiridos no processo de reprivatização do Banco Português de Negócios (BPN).
Os dados foram avançados na última semana pelo semanário Expresso que nota que o processo de liquidação da Obriverca está em curso na justiça e que a única forma da empresa conseguir pagar tudo o que deve passa pela venda do seu património, operação que deverá demorar três a quatro meses. Mas é quase certo que muitos dos maiores credores vão mesmo sofrer perdas incobráveis face ao montante total de créditos que reclamam.
A Obriverca SGPS é a holding “chapéu” de todo o grupo, que inclui, por exemplo, a Obriverca Construções e Projectos. O processo de liquidação avançou depois da Caixa Geral de Depósitos ter avançado com uma acção de execução em Abril reclamando 416 mil euros referentes a um projecto imobiliário em Braço de Prata, Lisboa. Dois meses depois, em Junho, a empresa entrou no Tribunal de Vila Franca de Xira com um pedido de instauração de um Plano Especial de Revitalização, não aprovado, que leva agora à liquidação da Obriverca. Uma das soluções para ir buscar valor à empresa para pagar aos credores passa também pela venda de participações que a empresa tem em vários fundos. Mas não se sabe por quanto dinheiro essas participações poderão vir a ser vendidas.
Ainda segundo o Expresso, o maior credor da Obriverca é o Novo Banco, que reclama 169,9 milhões de euros a receber, incluindo juros. Segue-se a Caixa Geral de Depósitos com 60 milhões e o terceiro maior credor é o fundador da empresa, Eduardo Rodrigues, devido a alegados suprimentos que fez como accionista à sua própria empresa.
Há também duas empresas do grupo que são credoras da empresa mãe: a Obriverca SA (47,6 milhões) e a Golf Praia da Marinha (16 milhões). Outros credores relevantes do processo são o banco BCP (33 milhões) e a já referida Parvalorem, com 12,6 milhões.
Segundo o portal de justiça Citius, na internet, as dívidas da empresa à Caixa Geral de Depósitos dizem respeito sobretudo a financiamentos que o banco público fez a três empresas do grupo de Eduardo Rodrigues: a Obriverca Construções e Projectos (23,9 milhões), Jardins Braço de Prata (420 mil euros) e a Golf Praia da Marinha (35,7 milhões). No caso do Novo Banco, a dívida de 51 milhões refere-se a financiamentos à empresa Arco Central SA e 19 milhões à gestora de fundos Norfin SA, responsável pelo projecto imobiliário Jardins de Prata. A maior fatia da dívida, 96,8 milhões, não é revelada.

O crescente negócio da construção

O grupo Obriverca nasceu em 1986 pela mão dos sócios Eduardo Rodrigues e do actual presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, chegando a tornar-se uma das maiores construtoras nacionais. 15 anos depois da fundação da empresa Luís Filipe Vieira afastou-se da Obriverca e em 2007 Eduardo Rodrigues reorganizou o negócio, criando uma holding para servir de casa mãe do grupo.
A Obriverca é conhecida por ter sido “a mãe” de todas as grandes urbanizações de luxo do concelho de Vila Franca de Xira entre os anos 90 e final da década de 2000, com obras já icónicas da paisagem vilafranquense como o Centro Comercial Avenida, Malvarosa, Ómnia, Ómnia III, Ómnia IV, Nortejo, Pratagi e Jardim Parque (todas em Alverca), Morgado Lusitano, Solar das Marinhas e Solar do Morgado (Póvoa de Santa Iria) e o edifício Planície e as Varandas da Lezíria, ambos em Vila Franca de Xira. Por concretizar ficou o projecto Jardins do Arroz, em Vila Franca de Xira, à beira Tejo, ao lado da Fábrica das Palavras.

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