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Intervenção da Câmara de Ourém no Agroal desagrada em Tomar

Intervenção da Câmara de Ourém no Agroal desagrada em Tomar

Presidente da Câmara de Tomar não foi avisada que a Câmara de Ourém ia fazer descarga de seixos na margem do rio Nabão pertencente ao seu concelho e não gostou. GNR foi chamada ao local.

Edição de 10.08.2017 | Sociedade

A presidente da Câmara de Tomar, Anabela Freitas (PS), não gostou que o seu camarada de partido, o socialista Paulo Fonseca, presidente do município vizinho de Ourém, não a tenha avisado que a autarquia ouriense ia colocar seixo - para consolidação das margens do Nabão – na praia fluvial do Agroal, onde o rio separa os dois concelhos.
Anabela Freitas disse a O MIRANTE que é habitual a Câmara de Ourém fazer essa intervenção em Março ou Abril mas que habitualmente informam-na, o que desta vez não aconteceu. “No mínimo, eu devia ter sido informada porque estão a intervir no nosso território. Fiquei a saber pelo presidente da Junta de Freguesia de Sabacheira que estavam no local uma retroescavadora e três camiões. Disse-lhe que não tinha havido comunicação nenhuma e para que chamasse a GNR e fizemos a participação da situação”, explicou Anabela Freitas a O MIRANTE.
O caso aconteceu na tarde de 1 de Agosto e Anabela Freitas refere que depois desta situação tentou falar com Paulo Fonseca mas nunca conseguiu, tendo apenas falado com o chefe de gabinete do autarca, que a informou que o presidente de Ourém estaria de férias.
No entanto, Fonseca já dirigiu a reunião camarária realizada no dia 4 de Agosto, onde o assunto também foi abordado. Ricardo Simões, proprietário de uma roulote de venda ambulante na margem do lado de Tomar, questionou o presidente do município de Ourém sobre o porquê do seixo ter sido descarregado no lado de Tomar. “Aquela descarga de seixo obrigou a que tivesse que encerrar o meu negócio, além da estrada que ficou danificada. Ainda por cima, num ano em que o negócio não tem estado a correr tão bem. Esta não era a melhor altura para descarregarem o seixo, em pleno Verão, quando estão lá os turistas”, criticou o comerciante.
Paulo Fonseca apenas respondeu que não estava “concretamente” a par da situação e que iria pedir um ponto de situação sobre a investigação da GNR.
O caso foi também denunciado nas redes sociais pelo ambientalista, e candidato à presidência da Câmara de Tomar pelo Partido Trabalhista Português, Américo Costa, que filmou a descarga dos seixos na praia do Agroal, denunciando o que se estava a passar.
Quando o assunto foi abordado na última reunião de câmara de Ourém, Paulo Fonseca recordou que, em 2013, em vésperas de eleições autárquicas, também circulou nas redes sociais um vídeo nocturno que dava conta de uma “aparente” descarga poluente na praia do Agroal. “Sempre que há eleições autárquicas estas coisas aparecem nas redes sociais”, referiu o autarca.
Os vereadores da Coligação Ourém Sempre [PSD/CDS] pediram que se averiguasse o que se passa na praia do Agroal. “Enquanto município não podemos permitir que uma pessoa nos acuse e não fazer nada. Temos que averiguar quem tem razão e tomar uma atitude. As acusações são graves demais. Se o senhor tem razão temos que resolver o problema. Se não tem razão temos que tomar uma atitude”, considerou Luís Albuquerque.

Críticas ao mau funcionamento das ETAR de Seiça e Palmeiria

Na mesma reunião do executivo camarário, um munícipe falou do mau funcionamento das ETAR (estações de tratamento de águas residuais) de Seiça e Palmeiria, ambas da responsabilidade do município de Ourém, que, segundo referiu o morador, efectuam descargas poluentes para o rio Nabão.
Paulo Fonseca recordou que “há uns meses” houve “alguém” que despejou água suja em frente ao edifício dos paços do concelho para criticar as descargas poluentes das ETAR para o rio Nabão. Um acto praticado por Américo Costa que divulgou um vídeo do momento. Segundo Fonseca, o município avançou com uma fiscalização referindo que se concluiu de onde provinha a “água castanha”, não esclarecendo, no entanto, qual a origem da poluição em causa.
“Estas episódios, uns anónimos, outros identificados, aparecem sempre nestas alturas. É preciso termos calma e cabeça fria e não dar alarido a estes assuntos que têm como contexto a campanha eleitoral e prejudicam a Bandeira Azul que foi este ano hasteada pela primeira vez no Agroal”, sublinhou.

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