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Quando a tourada ajuda a cimentar a ligação dos emigrantes a Portugal

Ir à Corrida do Emigrante em Tomar nas férias de Verão é já um ritual de muitas famílias. Qualquer emigrante sente mais o seu país do que quem não emigrou e procura manter a ligação às suas raízes e preservar a sua identidade através da língua, das tradições e dos usos e costumes. Neste contexto, a tourada ganha uma importância acrescida e há famílias da região para as quais vir de férias no Verão e não ir a uma Corrida é quase como ir a Roma e não ver o Papa, como se costuma dizer.

Edição de 10.08.2017 | Sociedade

António Marques

Um natural da terra onde se realizou a primeira tourada em Portugal

António Marques, 50 anos, é natural da freguesia de Abiul, concelho de Pombal, terra onde se diz terem sido realizadas as primeiras touradas em Portugal, em 1561, e onde existe a mais antiga praça de touros do país, construída nessa altura em madeira e depois reconstruída em 1898.
Emigrante em França, há cerca de trinta anos, sempre que vem a Portugal de férias aproveita para ver o maior número possível de touradas. Marcou presença na Corrida do Emigrante e de O MIRANTE e explicou a sua paixão.
“Sempre que a Corrida de Tomar calha numa altura em que estou em Portugal venho ver. Gosto de ver touradas porque fui criado com os animais e gosto de ver o espectáculo e a destreza dos toureiros e dos cavalos. Para mim ir às touradas é mais uma forma de manter a minha identidade. Esta é uma tradição que se deve preservar”, declara.

Beatriz Nogueira e Jorge Nogueira

“Antes via touradas na televisão e não ligava mas agora é diferente”

Beatriz Nogueira tem 15 anos e levou o avô, Jorge Nogueira, de 69 anos, à Praça de Toiros de Tomar, para verem juntos a Corrida do Emigrante e de O MIRANTE. A viver no Luxemburgo com os pais, diz que quando vem de férias a Portugal faz questão de ir ver aquela corrida.
“As gerações mais novas de portugueses também gostam de touradas. É uma ligação que temos ao país. Eu antes via as touradas na televisão mas não ligava muito. Agora é diferente. A minha avó é de Tomar e o meu avô de Abrantes. Este ano veio comigo pela primeira vez”, explica. O que Beatriz mais gosta de ver nas touradas são os cavalos.

Cidália Jorgel

“Os filhos foram para o Brasil em pequenos e lá não há tradição de touradas”

Cidália Jorge, 68 anos, esteve emigrada no Brasil quase trinta anos e voltou a Portugal há mais de vinte. Desde o seu regresso que costuma ir às corridas de toiros, tanto em Tomar como noutros lados. “O que gosto de ver são as pega do toiro!”, confessa. “E gosto muito de ver tourear o Rui Salvador”, acrescenta.
Foi à Corrida do Emigrante e de O MIRANTE na companhia de uma sobrinha e do marido. Diz que os seus filhos continuam a viver no Brasil e que não gostam tanto de touradas como os pais porque foram pequenos para aquele país e lá não há a tradição da tauromaquia.

Arlindo Sousa com a família

“É já uma tradição de família virmos à Corrida do Emigrante”

Arlindo Sousa, 45 anos, é filho de emigrantes tomarenses que decidiram procurar uma vida melhor na década de 60 em França. Vem normalmente de férias a Portugal nesta altura do ano e diz que só houve dois anos em que não foi à Corrida do Emigrante.
“Esta é a única tourada a que vamos porque moramos a vinte quilómetros daqui. É já uma tradição de família assistir a uma tourada ao vivo porque ao vivo é sempre outra coisa”. Em relação ao que mais gosta, Arlindo admite que é todo o ambiente em volta da Corrida e também as pegas.

“Então, até para o ano!”

Luís Farinha, natural da Sertã, emigrou para Marselha há 18 anos com a família e nunca se desligou das tradições portuguesas, em especial das touradas. Foi a Tomar ver a Corrida do Emigrante e de O MIRANTE, com os filhos, Margarida e Leonardo Farinha. O que mais gosta de ver naquele espectáculo são as actuações dos forcados. Já o seu filho mais novo, Leonardo, prefere o momento em que o toiro entra na praça. A corrida foi a segunda que a família viu ao vivo e para o ano já combinaram que não irão faltar.

“Toiros de morte é que não”

Adelino Graça, 54 anos, natural de Tomar, e Maria do Céu Gomes, 56 anos, natural de Chaves, emigraram para a França há nove anos. Todos os anos a vir a Portugal, o casal faz questão de ir assistir a, pelo menos, uma corrida de toiros. Um espectáculo cuja continuidade e genuinidade defendem, sendo contra a introdução dos toiros de morte em Portugal. São grandes admiradores do cavaleiro tauromáquico Rui Salvador mas dizem que o que “apimenta” a corrida são as pegas dos forcados.

“Se vissem sem preconceitos...”

Carlos Marques, 57 anos, natural de Tomar, emigrou para França há 50 anos mas, ainda hoje, quando vem a Portugal, faz questão de assistir a uma corrida de toiros que admite ser sempre um espectáculo bonito de se ver. Mas não é o único a gostar da arte tauromáquica. Os seus dois filhos, que já nasceram na França, também partilham do mesmo gosto, tanto que costumavam acompanhá-lo desde pequenos. “A brincadeira dos cavalos com os toiros e a bravura do homem em frente ao toiro” são os principais motivos para que o emigrante que reside em Paris com a família aprecie estas tradições. Quanto às manifestações anti-taurinas, Carlos Marques justifica-as com o facto de haver pessoas que nunca viram uma tourada como deve ser e sem preconceitos.

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