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Organização do Bons Sons é um exemplo de trabalho comunitário

Organização do Bons Sons é um exemplo de trabalho comunitário

É a população quem transforma a aldeia num grande palco da música portuguesa. Sem subsídios nem patrocínios e com as receitas a reverterem para projectos sociais.

Edição de 10.08.2017 | Sociedade

O Festival Bons Sons que começa dia 11 de Agosto e termina a 14 na aldeia de Cem Soldos, concelho de Tomar, envolve comunidade e visitantes numa relação de afectos que enche de orgulho quem mora na aldeia e participa na logística do festival. Este ano, o programa aposta em mais actividades para as famílias e na diminuição da pegada ecológica com a sensibilização para a reciclagem e boas práticas ambientais.
João Silva, tem 19 anos e desde os 13 que integra os campos de trabalho que garantem o bom funcionamento do Bons Sons, tal como Alexandre Santos, de 24 anos, licenciado em Ciências da Comunicação e apaixonado pela sua aldeia onde acontece este festival que enche de orgulho quem lá vive e quem regressa para a festa.
João e Alexandre coordenam os jovens que participam em todas as actividades logísticas do festival, como é o caso de Micaela, Jéssica, Bárbara, Raquel, Micael e Joel que asseguram a confecção das refeições do pessoal da organização e outras tarefas. São mais de 100 os voluntários de todas as idades que ajudam a pôr de pé o Bons Sons.
O Sport Club Operário de Cem Soldos é a associação que organiza o festival desde 2006 e que mantém unida toda a comunidade na preparação da aldeia para receber os cerca de 40 mil visitantes esperados, como disse a
O MIRANTE Daniela Craveiro, da organização. Este ano, 45 famílias de Cem Soldos recebem em suas casas 45 músicos, que vão aparecer ao acaso e a quem vão ser oferecidos sacos personalizados, feitos pela família, contendo ofertas diversas ligadas ao festival e à aldeia.
Daniela Craveiro, 32 anos, é investigadora na área das Ciências Sociais e todos os anos traça um perfil do público que vem a Cem Soldos para o festival Bons Sons. Diz que se trata de um público muito diversificado, “numa primeira abordagem um público mais regional e mais velho, com a família, e um público de nível nacional muito jovem e festivaleiro”. A mistura perfeita, garante Daniela Craveiro, para promover o convívio entre gerações e imprimir ao Bons Sons um conceito muito próprio de partilha e entreajuda.

Organização com a prata da casa
O orçamento do festival ronda os 450 mil euros. A organização é assegurada na totalidade pela população de Cem Soldos sem qualquer apoio da câmara ou de empresas, sendo que as receitas revertem para dois projectos sociais, o Lar Aldeia e a Casa Aqui ao Lado, que aposta na recuperação de uma habitação para albergar residências artísticas. O retorno para a economia local é muito significativo, sobretudo para os cafés da aldeia, bem como para a restauração e comércio de Tomar. Fernanda Cartaxo, de 82 anos, e o filho, Frederico Cartaxo, asseguram que durante o festival o café está sempre lotado e a facturação aumenta exponencialmente.
Leonor Atalaia, de 25 anos, massagista de profissão, coordena o grupo de trabalho da costura que confecciona os produtos de merchandising, tal como Carolina Mourão, de 72 anos, responsável pelo grupo sénior de costura. Carolina disse a O MIRANTE que fazer as “ tichas”, símbolo do festival, é uma emoção renovada todos os anos e aquilo que mais aprecia no Bons Sons é a informalidade de todos os que visitam Cem Soldos nesta altura. “Uns andam descalços, outros de roupa amarrotada, outros ainda com indumentária descuidada”, disse Carolina Mourão com um brilho no olhar, próprio de quem tem orgulho no trabalho que faz e que acredita nos jovens da terra. “Eles são fantásticos”, diz. Uma opinião partilhada por Teresa Atalaia, de 52 anos, professora, que todos os anos participa no festival ajudando na organização de todos os produtos de merchandising do festival.

Nomes grandes da música portuguesa
João Silva garante que a segurança do festival, com oito palcos na aldeia, está acautelada em todas as vertentes e os cerca de mil habitantes sentem que a sua vida quotidiana melhora com a entrada de visitantes e artistas. Entre os artistas este ano estarão José Cid, Rodrigo Leão, Orelha Negra, Mão Morta, Samuel Úria, Virgem Suta e tantos outros, escolhidos a dedo numa aposta do que de melhor se faz na música mais alternativa sempre em português.

Música para grávidas entre as novidades

Música para grávidas, oficinas de percussão ou os “Jogos do Helder” (jogos tradicionais repensados em formato moderno e de grande dimensão) estão entre as actividades destinadas às famílias que, este ano, vão encontrar mais diversidade de ocupações nos vários espaços da aldeia de Cem Soldos.
No espaço criança, onde o Matias César, de 3 anos, não faltará, vai haver de hora a hora, actividades ligadas à ecologia. O objectivo, diz João Silva, é reforçar a vertente ecológica do festival, que aposta em torneiras de redução de caudal, introdução gradual de casas-de-banho secas e a retirada definitiva dos copos de bebidas descartáveis.

Novo espaço de campismo e transportes para Tomar

Este ano o Bons Sons aposta também em mais serviços e num segundo espaço de campismo, em alternativa ao campismo grátis, para pessoas que não se importam de pagar, mas que querem mais condições. Está também assegurado um autocarro que, de 15 em 15 minutos, faz o transporte de passageiros de Tomar e localidades limítrofes para Cem Soldos durante os quatro dias do festival.
Parecerias com a Associação para o Estudo e Protecção do Gado Asinino e com o Festival Materiais Diversos garantem o aumento de manifestações paralelas que propõem ainda um festival de curtas-metragens e a apresentação de um novo filme de Tiago Pereira sobre o cante alentejano.

Organização do Bons Sons é um exemplo de trabalho comunitário

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