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A luta de Beatriz contra um cancro raro nos ossos que já alastrou ao cérebro

A luta de Beatriz contra um cancro raro nos ossos que já alastrou ao cérebro

Jovem de Vila Chã de Ourique luta contra a doença há cerca de ano e meio

Edição de 16.08.2017 | Sociedade

Quem conversa com Beatriz Coelho não diz que a jovem, de 21 anos, luta há cerca de ano e meio contra um tipo de cancro muito raro e que a sua vida é passada em tratamentos de quimioterapia e radioterapia. A jovem, de Vila Chã de Ourique, concelho do Cartaxo, é uma pessoa cheia de energia e com imensos sonhos para o futuro, que anseia que seja risonho e longo. Beatriz decidiu emigrar para o sul de Inglaterra no final de 2015 mas nesse altura já sofria com muitas dores no corpo. Já em solo britânico foi a uma médica que nunca lhe mandou fazer exames e achava que as dores na coluna e omoplata eram normais.
Em Abril de 2016 a sua omoplata começou a inchar e cresceu muito. A jovem procurou um hospital e foi aí que os médicos perceberam que alguma coisa não estava bem com Beatriz. “Disseram-me que dali a duas semanas ia receber uma carta para ir a um especialista. Só depois desta consulta com o especialista é que começaram a desconfiar que eu podia ter um tumor porque não era normal a minha omoplata estar tão grande”, conta.
Beatriz confessa que o maior choque foi quando recebeu uma carta para ir a uma consulta de oncologia. Nessa altura já tinha sangue na urina, febre, muita dificuldade em levantar-se da cama e não conseguia vestir-se sozinha.
“Quando recebi a carta para oncologia fiquei muito, muito assustada. Parecia que o chão se tinha aberto debaixo dos meus pés e eu estava a cair em queda livre. Estava em Inglaterra com amigos mas senti-me muito sozinha porque não tinha a minha família. Só contei à minha irmã porque somos muito próximas. Não contei à minha mãe nem aos meus avós porque não os queria preocupar. Na altura, ainda não havia a confirmação da doença”, confessa.
Entretanto, a febre aumentou e teve que voltar ao hospital. Foi aí que foi detectado o tumor maligno. Beatriz sofre de um tipo de cancro muito raro, chamado Sarcoma de Ewing, que deriva de uma mutação genética. “Segundo os médicos do IPO (Instituto Português de Oncologia), sou o único caso no mundo com tantas metástases. É um tipo de cancro muito raro nos homens e ainda mais raro nas mulheres. Explicaram-me que os meus cromossomas 11 e 22 mudaram de posição e com essa alteração estão a criar células cancerígenas constantemente”, explica a O MIRANTE.
Beatriz fez o primeiro ciclo de tratamentos em Inglaterra e depois disso regressou a Vila Chã de Ourique para junto da família. Actualmente, está a fazer quimioterapia e radioterapia no IPO de Lisboa. O tumor espalhou-se para a coluna, onde tem nove metástases, e há pouco tempo descobriu que também alastrou para a cabeça e uma das costelas. “Tenho dores muito fortes em todo o corpo. Tenho que usar um lombostato para manter as vértebras direitas. Se não o usar as vértebras correm o risco de unir-se, fazer pressão e partir a coluna. O lombostato impede-me de ficar paraplégica”, refere.

À procura de alternativas que lhe dêem tempo de vida
Os médicos deram-lhe uma esperança de vida de cerca de dois anos. Inconformada com o diagnóstico e disposta a lutar pela sua vida foi à procura de alternativas. “Contactei um naturopata que me deu uma pequena luz ao fundo do túnel. Não me pode curar mas pode dar-me mais tempo e, sobretudo, mais qualidade de vida, que é o mais importante porque sofro muito com dores muito fortes. Além disso, existe outro tratamento, que só é feito no Porto, na Alemanha e em Jerusalém mas é muito caro. No entanto, dizem que é muito eficaz e uma pessoa experimenta tudo porque não quero morrer. Tenho 21 anos e uma vida inteira pela frente”, afirma.
Garante não ser pessoa de desistir e vai lutar até ao fim para vencer o tumor maligno, mesmo nos momentos em que se sente mais cansada.
A assistir à conversa com O MIRANTE estavam a mãe, Teresa, e os avós maternos, Maria Cristina e Joaquim, que confessam que muitas vezes é a jovem que lhes dá força e ânimo para enfrentar esta fase complicada na vida de todos. “Quem olha para ela não diz que está a passar pelo que está a passar. Tem sempre muita energia e às vezes é ela que nos apoia a nós”, diz Teresa. Beatriz complementa: “A parte mental é muito importante para vencer esta doença e eu tenho sempre o pensamento positivo e quero vencer este cancro”, sublinha.

A luta de Beatriz contra um cancro raro nos ossos que já alastrou ao cérebro

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