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Profundíssimo Serafim das Neves

Edição de 23.08.2017 | Emails do Outro Mundo

Quando um empregado de um café demora meia hora para me trazer uma imperial ou quando um funcionário de uma repartição me faz esperar horas e horas, de senha de atendimento na mão, para acabar por me mandar de volta para casa a fim de ir buscar mais um papelinho qualquer, castigando-me justamente por eu ser cabeça de alho chocho, lembro-me sempre dos pirómanos, esses esforçados cidadãos que percorrem o país de lés a lés, em dias de canícula, de caixa de fósforos na mão, a atearem fogos em todo o lado onde haja mato, sem receberem horas extraordinárias, subsídios ou diuturnidades.
Os que estão de costas direitas a incendiar as redes sociais, querem que os matarruanos dos fogos florestais, sejam queimados vivos como as bruxas no tempo da Inquisição ou encarcerados a pão e água em masmorras medievais. Percebo o desejo de eliminar a concorrência mas tenho outra sugestão. Porque é que não é criado um Sindicato Nacional do Pirómano, por exemplo? Com meia dúzia de pré-avisos de greve em pleno Verão acabavam-se os incêndios florestais... em menos de um fósforo (??!!). E então se os dirigentes fossem do género daquele professor ali de Tomar, o Mário Nogueira, ainda era mais rápido. Vê lá se ele passou muito tempo a dar aulas...
É verdade que podia haver alguns contratempos como aconteceu àqueles bombeiros que depois ameaçarem não ir apagar fogos enquanto não lhes pagassem o subsídio de combate às chamas, ou lá o que era, acabaram por abalar a toque de caixa, como diria a minha avó, depois da ameaça de processos disciplinares.
Arrancaram tão rápido que até parecia que levavam fogo no rabo o que me leva a crer que os processos disciplinares de agora já não são como no tempo daquele senhor de Abrantes, Joaquim Chambel, que comandava a protecção civil distrital, que se fartava de anunciar a instauração de processos mas que nunca anunciou a conclusão de nenhum, honra lhe seja feita. Qualquer pessoa de bem sabe que aplicar um castigo a qualquer herói é...um crime!
E por falar de crimes lembro aqui uma vítima da nossa justiça. Falo do presidente da Câmara Municipal de Ourém, o socialista Paulo Fonseca, que um juiz quer, à viva força impedir que se recandidate com a desculpa que ele está insolvente.
Para os mais velhos recordo as rábulas do já falecido actor Camacho Costa, na pele de Lelo da Purificação, que em tribunal costumava desmontar as cabalas que eram urdidas contra ele. Numa delas o juiz pergunta-lhe se não lhe parecia demais ter vendido um burro como se fosse um cavalo e ele, triunfante, diz logo que não, porque ele tinha utilizado argumentos com tanta convicção que até o burro tinha acreditado que era uma cavalo. Resta agora saber se Paulo Fonseca, no recurso que irá apresentar, conseguirá levar o Tribunal a acreditar que, em vez de um candidato insolvente é afinal...um pagador exemplar.
Mas não é só Paulo Fonseca que tem que convencer um juiz que não é burro mas sim cavalo, salvo seja. No concelho de Rio Maior passa-se o mesmo com os candidatos da coligação PSD/CDS-PP às Freguesias de Fráguas e Alcobertas. Está visto que em matérias deste calibre político há muitos Lelos da Purificação à frente das estruturas partidárias.
Termino com uma referência ao rei D. Sancho I (1154 - 1211), que tem uma estátua junto ao castelo de Torres Novas. Ficou na história com o cognome de O Povoador porque quis encher o país de gente e para o fazer, vê lá tu, até incentivou a vinda de imigrantes da Flandres e da Borgonha. Felizmente essa mania já passou e a pouco e pouco surgiram eficazes Desertificadores que, esses sim, merecem uma homenagem. Digam lá se aqui pelos nossos lados não estamos melhor assim...à larga.
Saudações incendiárias
Manuel Serra d’Aire

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