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A vigilância do Tejo por drones e a criação de uma unidade de intervenção rápida

Edição de 23.08.2017 | O MIRANTE dos Leitores

Em Março deste ano o ministro do Ambiente anunciou em Abrantes a videovigilância do Tejo por drones e a criação de uma unidade de intervenção rápida até ao final de Junho. Na altura fartei-me de rir. E só parei de rir quando me apercebi que ter governantes destes é uma tragédia.
Com a vossa permissão, transcrevo a carta que enviei na altura para O MIRANTE dos leitores. E não valerá a pena acrescentar-lhe nada porque quem a ler, de certeza que o fará mentalmente, tendo em conta situações como a vigilância dos paióis de Tancos e o sistema de comunicações de emergência (SIRESP).
“Sou como S. Tomé: Ver para crer. Conversas e promessas de políticos são muito boas para fazer títulos de jornais mas a maior parte das vezes não passam de tretas mesmo quando são aprovadas leis e decretos-leis que, como se sabe, nunca entram em vigor porque lhes falta regulamentação que nunca chega a ser aprovada. Anuncia-se a grande inovação e depois continua tudo na mesma.
Aqui há anos foi anunciada com pompa e circunstância a instalação de sistemas de vídeo vigilância da floresta para evitar fogos florestais. Os fogos florestais aumentaram, foram de maiores dimensões do que eram antes do anúncio da tão evoluída iniciativa e quando O MIRANTE, em 2007, foi saber da videovigilância deparou-se com sucata que praticamente nunca tinha funcionado por falta de manutenção.
Agora o Tejo vigiado por drones é outra anedota. Se eu disser que a bacia hidrográfica do Tejo em Portugal tem uma extensão de cerca de 25 mil quilómetros quadrados quem é que consegue levar a sério esta notícia? O Tejo só é vigiado nos locais onde há uma ligação efectiva das populações ao rio e uma ligação efectiva não é olhar a paisagem do Tejo a partir de uma vivenda luxuosa no alto de uma colina, por exemplo.
Deixem de brincar à protecção do Tejo, caros doutores. E os senhores jornalistas voltem a fazer notícias em vez de serem amplificadores de “bitaites”. Eu também leio “bitaites” mas é no Facebook quando estou para aí virado. Nos jornais espero ler notícias embora isso seja cada vez mais raro.
Alberto Gomes

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