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Aos 86 anos Augusto Pereira é um dirigente activo da Associação de Reformados de Alcanena

Aos 86 anos Augusto Pereira é um dirigente activo da Associação de Reformados de Alcanena

Edição de 23.08.2017 | Sociedade

O interesse por juntar pessoas com um mesmo objectivo foi desde cedo uma tarefa abraçada por Augusto Pereira, natural de Alcanena, que esteve emigrado no Canadá e que é, aos 86 anos, o vice-presidente da Associação de Reformados, Pensionistas e Idosos do concelho de Alcanena (ARPICA). O convívio com todos, de todas as idades, a curiosidade de saber as novidades do momento e preparar tertúlias de lazer, foram, e são, uma aposta de Augusto para unir pessoas em torno de um mesmo objectivo.
O já extinto Rancho Folcórico “Os Lusitos”, de Alcanena, o Atlético Clube Alcanenense, em Alcanena e as Associações da Comunidade Portuguesa em Montreal (Canadá) foram passagem obrigatória para Augusto Pereira, que diz sempre ter gostado de unir pessoas para levarem a cabo várias actividades, ou simplesmente conviver. Aos 86 anos é um homem cheio de força para dirigir a ARPICA que conta com 500 associados.
A Associação de Reformados, Pensionistas e Idosos do Concelho de Alcanena está a comemorar 21 anos ao serviço da comunidade. O percurso de Augusto cruza-se com o da fundação da associação, que nasceu do interesse de alguns cidadãos em terem um local onde pudessem reunir-se para conviver e terem acesso a alguns serviços básicos, como a medição da tensão arterial e o aconselhamento relativo a assuntos de interesse da população mais idosa. O bar improvisado na sede da ARPICA é um local privilegiado onde se reúnem os sócios e também alguns jovens que aparecem pontualmente para trocar dois dedos de conversa com os mais velhos e beber uns copinhos de “tinto”, a acompanhar a conversa.
Augusto Pereira é sócio honorário da Associação desde 2016 e o vice-presidente da ARPICA. Mantém vivo o espírito da associação que ajudou a fundar e equipar. Trabalhar graciosamente para manter unidos e activos os mais velhos e motivar os mais novos a trocar experiências e estreitar relações com a geração mais experiente. Os sócios da ARPICA pagam uma quota anual de cerca de nove euros e podem usufruir de várias actividades promovidas pela associação. Augusto Pereira orgulha-se de contribuir activamente para que a associação mantenha as portas abertas com a ajuda de outros sócios como o Manuel Catita, Hermínia Caetano e todos os outros que graciosamente contribuem com a sua experiência de vida para manter vivas as memórias e organizar actividades que unam a comunidade.
Augusto Pereira nasceu em Alcanena em 1930, numa família de cinco irmãos. Os tempos eram difíceis, recorda. Augusto começou a trabalhar numa fábrica de curtumes com apenas 13 anos. Ganhava sete escudos por dia, que davam para pagar o pão da semana para a família. Mas como não se vive só de pão, Augusto Pereira começou por dançar no Rancho Folclórico “Os Lusitos”, de Alcanena e a distribuir à noite pelos cafés da vila os jornais da época.
Aos 16 anos Augusto Pereira ingressou na equipa de futebol do Atlético Clube Alcanenense como guarda-redes. “Não era grande jogador” reconhece. Mais tarde veio a ser porteiro no clube do coração. Depois de casar aos 23 anos, com Maria Adelina de 20, começou a arquitectar o futuro com vista a conseguir melhores condições de vida para a família, que já contava com dois filhos, o Luís e a Natália.

Uma vida de trabalho no Canadá
Augusto contou a O MIRANTE que, apesar dos tempos limitarem muito o pensamento e as acções das pessoas em Portugal, teve sempre no horizonte atravessar fronteiras e procurar novos mundos e novas experiências. Por isso em 1970, com a ajuda do cunhado, Joaquim dos Chões, embarcou com a família no 2º voo da TAP para Montreal, no Canadá, para exercer a profissão, que não tinha, de soldador. Augusto Pereira lembra que a arte e o engenho lusos ultrapassam barreiras e tornou-se um soldador respeitado e requisitado. Em 1976, trabalhou como soldador na logística dos Jogos Olímpicos de Montreal. A vida no Canadá “era muito boa”, diz Augusto, ganhava dinheiro suficiente para proporcionar uma boa vida à família e poupar a pensar no futuro. Depois de um percurso profissional de sucesso em Montreal, Augusto terminou a sua actividade no Canadá como chefe de manutenção no Hospital Pierre Bouchet, em Montreal. Em 1995, e a pedido da mulher Adelina, regressa a Portugal para usufruir do Sol, da comida típica e revisitar os amigos. Em Montreal ficaram os filhos e os netos, com quem fala quase todos os dias via internet.

Aos 86 anos Augusto Pereira é um dirigente activo da Associação de Reformados de Alcanena

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