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Capela megalómana fechada numa terra sem escola primária e esgotos

Capela megalómana fechada numa terra sem escola primária e esgotos

Templo em Casais da Amendoeira está em parte num lote privado e só tribunal pode resolver o caso

Edição de 23.08.2017 | Sociedade

A megalómana capela de Casais da Amendoeira, Cartaxo, continua fechada e não há milagre que resolva o imbróglio deste templo que é a maior construção da freguesia, feita em parte em cima de um lote privado. Dois anos depois de o dono do terreno começar a tentar resolver a embrulhada parece não haver solução à vista porque muitos dos procedimentos que deviam ter sido passados a escrito foram feitos de “31 de boca”. A falta de documentação está a impedir que o actual executivo camarário consiga compensar o proprietário do lote ocupado, Jaime Malta Vacas, pelos prejuízos que tem sofrido, como o valor do espaço e o pagamento do IMI.
Para o presidente da autarquia, Pedro Magalhães Ribeiro, só há uma saída à vista, que é o caso ir para tribunal. O autarca dá razão a Jaime Malta Vacas mas diz que não consegue resolver a situação porque não há documentação na câmara que suporte uma decisão administrativa. O dono do terreno não se convence e considera que o município poderia encontrar uma solução negocial. No meio desta confusão entra também uma comissão, que esteve na origem da edificação da capela e acompanhou as obras, e a Igreja Católica.
O vigário geral da diocese de Santarém, padre Aníbal Vieira, em declarações a
O MIRANTE, refere que a construção da capela foi feita por uma empresa contratada pela fábrica da igreja, com apoios da câmara e seguindo o projecto do município. E sustenta que esta foi a única intervenção da igreja, não tendo qualquer outro poder ou capacidade para resolver o imbróglio. Aníbal Vieira salienta que a paróquia apenas administrou a situação da construção, onde a autarquia investiu cerca de 200 mil euros, “com a perspectiva de que estava tudo a ser feito na base da boa-fé”.
O proprietário do lote onde está parte da construção ficou impedido de vender o lote para urbanizar devido à ocupação que foi feita do terreno. Como se não bastasse o facto de a autarquia não ter feito contrato para aquisição do espaço nem lhe ter pago o valor do terreno, o proprietário tem estado a pagar todos os anos o Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI). O actual presidente do município, Pedro Magalhães Ribeiro, já promoveu reuniões com o proprietário, a Junta de Freguesia de Pontével e a comissão para a construção da capela, na tentativa de resolver a situação, mas não se consegue encontrar um caminho.
A ideia de construir a capela, que inclui casa mortuária e salão para catequese, surgiu porque Casais da Amendoeira “era o único lugar da freguesia que não tinha um espaço religioso”, refere José Francisco Fernandes, membro da comissão da capela, acrescentando que esta era uma ambição da terra há mais de 40 anos. As obras pararam há quatro anos, quando o templo estava quase concluído, faltando apenas os últimos acabamentos.
A imponência da capela, numa terra onde fechou a escola primária e não há saneamento básico, divide as opiniões da população mas praticamente toda a gente considera que estando feita devia ser terminada e aberta ao público. A única vez que a capela teve utilização foi próximo da campanha eleitoral das autárquicas de 2013, quando o então presidente da câmara, Paulo Varanda, que tinha sido eleito pelo PS mas que concorreu nestas eleições num movimento independente, acabando por perder as eleições, levou uma comitiva a visitar o edifício.

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