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Emigrou e conseguiu dar uma vida melhor aos filhos que lhe tinham sido retirados
Marília com os filhos e a família que também vivem em Inglaterra

Emigrou e conseguiu dar uma vida melhor aos filhos que lhe tinham sido retirados

Marília Batista conseguiu reconstruir a vida em Inglaterra onde é feliz após acção despropositada da CPCJ. Família foi notícia quando, em 2008, os três filhos menores foram retirados de madrugada por uma força da GNR, para serem internados num lar longe do local onde viviam, em Foros de Salvaterra.

Edição de 23.08.2017 | Sociedade

Quase cinco anos depois de ter emigrado para Inglaterra com os três filhos, Marília Batista garante que foi a melhor decisão que podia ter tomado. Nos Foros de Salvaterra, concelho de Salvaterra de Magos, onde sempre viveu, Marília não tinha emprego e os duzentos euros que recebia de abono de família não chegava para alimentar quatro bocas. Sem outra alternativa, e incentivada pelos filhos, encheu-se de coragem e partiu em busca de uma vida melhor. Em Bicester, cidade inglesa a 115 quilómetros de Londres, já viviam os pais, os irmãos e as suas famílias.
“A minha filha Tatiana ligou para o meu irmão, sem eu saber de nada, e pediu-lhe para que me arranjassem um emprego. Um dia ele liga-me a dizer que tem emprego para mim e que tenho que decidir. Lembro-me como se fosse ontem, da minha Tatiana me dizer ‘não olhes para trás e vamos, mãe’. E lá fomos nós. Fui com medo porque não sabia se iria conseguir manter-me por lá a sustentá-los sozinha mas foi o melhor que fiz. Correu tudo muito melhor do que eu pensava e foi a melhor decisão que tomei na vida”, conta Marília a O MIRANTE na sua casa nos Foros de Salvaterra durante as suas férias em Portugal.
A adaptação a Inglaterra não foi fácil sobretudo por não falar inglês. “Sempre que queria ir a algum lado tinha que telefonar à minha mãe ou à minha irmã para irem comigo, até para ir ao supermercado porque não sabia falar inglês. Ainda há muita coisa que não sei mas já me consigo desenrascar e as pessoas entendem-me”, explica. Começou por trabalhar num hotel mas actualmente trabalha numa cozinha militar, onde a mãe também trabalha há cerca de dez anos. A filha mais velha, Tatiana, de 20 anos, já vive com o namorado e Filipe, que fez 16 anos no início do mês de Agosto, entrou para uma academia desportiva e sonha ser jogador de futebol. Soraia, 12 anos, vai para o oitavo ano de escolaridade.
A família gosta toda de viver em Bicester porque é uma cidade pequena e tranquila, longe da agitação de Londres. Gostam da qualidade de vida que têm e só lamentam o frio e a falta de sol e praias. Quando regressa à sua terra de férias nota o carinho das pessoas que a reconhecem dos tempos em que passou um mau bocado quando os filhos lhe foram retirados. “Quando cá estou vou ao café e as pessoas fazem uma festa quando me vêem. Gostam de me ver e recordam o que sofri, como elas dizem. Sinto o carinho das pessoas que viveram o meu drama, pessoalmente e também através de O MIRANTE”, recorda.

Uma família que foi notícia

Recorde-se que O MIRANTE acompanhou a história de Marília Batista quando, na madrugada de 20 Junho de 2008, a Comissão de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJ) de Salvaterra de Magos lhe retirou os três filhos menores por, alegadamente, a casa onde viviam ter falta de condições de higiene e habitabilidade. A intervenção despropositada nunca chegou a ser explicada pelos responsáveis.
A sociedade civil comoveu-se com essa história e revoltou-se com a decisão da CPCJ e com a ajuda da comunidade construíram uma nova habitação de raiz para que as crianças pudessem voltar a casa. O que veio a acontecer em Março de 2010, depois de terem estado institucionalizadas durante um ano e oito meses. O caso chegou a ter contornos maquiavélicos quando em certa altura a assistente social deu um parecer negativo para que a família ocupasse a casa nova, construída com a ajuda de amigos, por esta ter demasiado pó.

Emigrou e conseguiu dar uma vida melhor aos filhos que lhe tinham sido retirados

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