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Carrapato é um dos jogadores mais velhos da região e não quer sair dos relvados

Carrapato é um dos jogadores mais velhos da região e não quer sair dos relvados

Guarda-redes de Almeirim deixou a Primeira Liga com a morte da mãe. Nuno Carrapato, de Almeirim, tinha sido chamado à selecção nacional em 2004. Se brilhasse podia ter tido um futuro ainda melhor mas uma lesão afastou-o do sonho. Jogou na Primeira Liga pelo União da Madeira mas regressou a casa para dar apoio ao pai, após a morte da mãe. Agora está no Coruchense e além de jogador vai iniciar as funções de treinador de guarda-redes.

Edição de 30.08.2017 | Desporto

O guarda-redes Nuno Carrapato é, aos 41 anos, um dos atletas mais velhos nos clubes de futebol da região. Apesar de ter sido recentemente operado ao menisco e de estar a recuperar garante que ainda não morreu para o futebol. Sabe que mais cedo ou mais tarde vai ter que arrumar as chuteiras mas só de pensar em terminar a carreira futebolística dá-lhe um arrepio, por não ter vontade de o fazer.
Há cerca de dois anos como guarda-redes no Grupo Desportivo Coruchense (GDC), este ano vai ser também treinador dos que defendem a baliza. “Foi um desafio que o Coruchense me colocou e vou fazê-lo para começar a fazer a transição de jogador para treinador de guarda-redes, que é o quero fazer no meu futuro profissional quando deixar os relvados.
O futebolista de Almeirim viveu o momento alto da sua carreira, aos 27 anos, quando jogava no União da Madeira foi chamado à selecção nacional B. Sabia que o seu nome estava na lista do seleccionador nacional da altura, Luiz Filipe Scolari, para integrar o lote de jogadores para o Campeonato Europeu de 2004, que decorreu em Portugal. No entanto, uma lesão grave no início de Janeiro desse ano destruíram-lhe todos os seus sonhos.
“É uma mágoa na minha carreira. O mister Scolari tinha dito que se eu fizesse a segunda volta do campeonato como fiz a primeira, possivelmente, seria um dos três guarda-redes do Europeu. Já sabia que ia ser chamado para o jogo particular da selecção nacional contra o Chile, em Janeiro de 2004, mas lesionei-me no dia 2 de Janeiro e nada disso aconteceu. Os meus sonhos morreram um bocadinho naqueles momentos mas temos que encarar todas as adversidades como aprendizagens e se isto aconteceu foi porque tinha que acontecer”, confessa.
Se a recuperação física não foi fácil, a recuperação mental também não o foi. Carrapato conta que lhe valeram os amigos e a família que sempre o apoiaram e que sofreram tanto ou mais do que ele. “Foram o meu suporte”, afirma. No entanto, levantou a cabeça e continuou a sua carreira que tinha atingido o auge antes da lesão. São 22 anos de futebol profissional e garante que será o próprio, sem pressões de ninguém, a decidir onde quer e quando terminar a carreira.
Confessa que o futebol lhe deu muito, sobretudo boas amizades. Aos 18 anos teve que aprender a viver sozinho e abdicou de muita coisa para singrar no “difícil” mundo do futebol profissional. Admite que o facto de ter sido pai aos 20 anos ajudou a ganhar mais maturidade e responsabilidade. “O nascimento das minhas filhas foi o melhor que me aconteceu na vida mas quando a minha filha mais velha nasceu, quando eu era um jovem, foi muito importante. Porque a partir desse dia tive um foco e uma razão para trabalhar, que era fazer com que nada lhe faltasse e não faltou.
O clube onde foi mais feliz foi no União da Madeira onde viveu sete anos “fantásticos”. A direcção do clube queria que continuasse como coordenador de todos os guarda-redes de formação mas a sua vida pessoal sofreu um revés e com a morte da sua mãe, há cerca de quatro anos, Carrapato decidiu regressar a Almeirim para dar apoio ao pai. Tem jogado em clubes do distrito e está agora no Coruchense.

“Almeirim cresceu muito em infra-estruturas de desporto”

Nuno Carrapato começou a jogar futebol aos dez anos no União Futebol Clube de Almeirim (UFCA). Adorava marcar golos mas houve um treino em que não havia guarda-redes e decidiu experimentar. Apaixonou-se e nunca mais largou as balizas. Passou dez anos no clube de Almeirim, tendo sido campeão distrital em todos os escalões. Afirma que a sua cidade natal deu um passo “gigantesco” nos últimos anos em relação ao desporto, muitos graças, diz, ao actual presidente do município, Pedro Ribeiro, que já tinha sido vereador do Desporto.
“Neste momento não faltam infra-estruturas em Almeirim. Há sítios fantásticos para praticar desporto neste concelho. Falta apenas que o União de Almeirim consiga chegar a um patamar mais elevado no futebol. Se isso acontecesse seria muito bom para o concelho, sobretudo para o turismo e gastronomia, e seria uma forma do desporto ser mais reconhecido em Almeirim”, afirma. Já pensou em terminar a sua carreira futebolística no UFCA mas ainda não sabe quanto tempo mais quer continuar a jogar futebol. No entanto, não fecha a porta a essa ideia. “O tempo dirá se isso será possível”, admite.

O assédio das fans e a boa relação com Cristiano Ronaldo e Vítor Baía

Nuno Carrapato jogou futebol ao mais alto nível durante vários anos e, como qualquer jogador de futebol profissional, o guarda-redes também sofreu com o assédio das fans. Desde bilhetes no para-brisas do carro, com números de telemóvel ou a marcar encontros, até esperas no final dos treinos para conversarem.
O futebolista confessa que sempre se tentou resguardar dessas situações e reagiu sempre com calma. Atrás da sua baliza costumava ter a claque feminina do União da Madeira a chamar por si. “Não era fácil manter a concentração mas com profissionalismo tudo se consegue e nunca ninguém me faltou ao respeito. Pelo contrário. A claque até fez uma música para mim. Aquela música das meninas da Ribeira do Sado têm carrapatos atrás das orelhas...ali era têm Carrapato na baliza.
Vítor Baía é um amigo e um ídolo. O ex-guarda-redes do Futebol Clube do Porto foi o grande impulsionador da sua carreira uma vez que Carrapato via em Baía a imagem do que ele próprio queria ser. No final dos jogos entre ambos trocavam sempre de camisola e ainda hoje são amigos. “Em 2005, o União da Madeira foi jogar ao Dragão e ganhámos 4-0. No final do jogo, apesar de termos combinado, o Baía não trocou de camisola comigo, estava chateado com a derrota. Mais tarde, quando já estava no balneário, apareceu o roupeiro do Porto a chamar por mim. O Vítor Baía tinha mandado entregar-me a sua camisola. Ainda hoje falamos nesse episódio e só demonstra a sua grandeza enquanto pessoa”, considera.
A mesma opinião tem de José Mourinho e Cristiano Ronaldo. “Um dia encontrei o Ronaldo num bar. Ele estava com os amigos dele e eu com os meus. Fui cumprimentá-lo e ele disse logo para eu e os meus amigos nos juntarmos ao grupo dele.

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